O relato abaixo escrevi em Agosto de 2003. Realmente é muito extenso e não tenho a pretenção de que vocês leiam. Aliás, nem precisa, pois postei apenas por ser um registro histórico de uma época da minha vida. Aos que tiverem paciencia de ler, aviso que encontrarão um relato de uma fase de minha vida entre 1998 e 2003. Na verdade, a melhor fase de minha vida. Onde conheci os irmãos que trago até hoje em meu coração.
OS RITAS: Uma história de amizade
Lá estava eu: 30 anos e recém saído de um casamento. A insegurança me dominava e a auto-estima estava bem próxima do zero. De bom, apenas a liberdade. Mas como usá-la? Com quem? Meus amigos estavam todos casados. A cidade infestada de jovens. E eu, aos 30 anos, me sentindo velho, o “tiozinho da Sukita”.
Ainda tentei sair. Fui no Karaokê sozinho (antiga danceteria). Mas não sabia mais como abordar uma garota. Aliás, acho que nunca soube fazer isso. Sem contar aquele sentimento de “velho” que insistia em me perseguir. Deveriam pensar o quê um “trintão” estava fazendo naquele lugar tão cheio de jovens. Que ridículo eu me sentia no Karaokê. Bastou um pequeno “fora” e fui pra casa mais cedo. Disposto a não mais sair de lá. Ia comprar livros, ler, navegar na internet e, com muita sorte, arranjar uma mulher divorciada, mais ou menos da minha idade, com filhos, e casar novamente. Esse era o meu destino. Ou pelo menos eu achava que era.
Na faculdade, conheci a Jú. A Juliana Prestes. Ela me apresentou a Gisele e a Aline. Não sei porque, mas de cara, pintou um clima de amizade muito forte. Era como se a gente já se conhecesse há vários anos. Tiraram-me de casa. Levaram-me
pros bailes, pra praça. E eu me sentindo velho. Tornei-me dependente delas. Não colocava os pés pra fora de casa se não fosse com elas. Começamos a sair todos os finais de semana. Elas fizeram uma revolução no meu guarda-roupa. Até saíram comigo pra comprar roupas. Roupas de jovem,é claro! Tornamo-nos inseparáveis. Eram minhas irmãzinhas. Nos atendíamos. Um cuidava do outro.
Daquela amizade, apareceram também a Clau e a Maisa. Juntaram-se a nós. Em 1999, no meu aniversário, em outubro, elas me fizeram uma festa surpresa. Já fazia uns 15 anos que eu não ganhava uma. Do nada, apareceu o Sandro Preto, meu primo, que trouxe com ele um amigo: o Alex. Eles tinham acabado de chegar do ensaio da Banda do Jair. Fomos apresentados. Me interessei pela Banda. Contei-lhes que o Jair havia me convidado a entrar e eu tinha recusado. Pedi a eles que falassem com o Jair por mim. Dias depois, o Jair me convidou a entrar pra Banda Marcial do Metodista.
Lá estava eu: 30 anos e recém saído de um casamento. A insegurança me dominava e a auto-estima estava bem próxima do zero. De bom, apenas a liberdade. Mas como usá-la? Com quem? Meus amigos estavam todos casados. A cidade infestada de jovens. E eu, aos 30 anos, me sentindo velho, o “tiozinho da Sukita”.
Ainda tentei sair. Fui no Karaokê sozinho (antiga danceteria). Mas não sabia mais como abordar uma garota. Aliás, acho que nunca soube fazer isso. Sem contar aquele sentimento de “velho” que insistia em me perseguir. Deveriam pensar o quê um “trintão” estava fazendo naquele lugar tão cheio de jovens. Que ridículo eu me sentia no Karaokê. Bastou um pequeno “fora” e fui pra casa mais cedo. Disposto a não mais sair de lá. Ia comprar livros, ler, navegar na internet e, com muita sorte, arranjar uma mulher divorciada, mais ou menos da minha idade, com filhos, e casar novamente. Esse era o meu destino. Ou pelo menos eu achava que era.
Na faculdade, conheci a Jú. A Juliana Prestes. Ela me apresentou a Gisele e a Aline. Não sei porque, mas de cara, pintou um clima de amizade muito forte. Era como se a gente já se conhecesse há vários anos. Tiraram-me de casa. Levaram-me
Daquela amizade, apareceram também a Clau e a Maisa. Juntaram-se a nós. Em 1999, no meu aniversário, em outubro, elas me fizeram uma festa surpresa. Já fazia uns 15 anos que eu não ganhava uma. Do nada, apareceu o Sandro Preto, meu primo, que trouxe com ele um amigo: o Alex. Eles tinham acabado de chegar do ensaio da Banda do Jair. Fomos apresentados. Me interessei pela Banda. Contei-lhes que o Jair havia me convidado a entrar e eu tinha recusado. Pedi a eles que falassem com o Jair por mim. Dias depois, o Jair me convidou a entrar pra Banda Marcial do Metodista.
Já me sentindo um pouco mais jovem, resolvi aceitar o convite que o Jair tinha feito há um ano atrás. Entrar para a Banda. Só não tinha aceitado antes porque minha ex-esposa não havia gostado nem um pouco da idéia. Agora eu podia. Afinal, eu era livre. E minhas irmãzinhas me incentivaram.
Meu primeiro ensaio. Peguei o marcial e as baquetas. Não sabia nem como amarrá-las nos dedos. O Ivan me ensinou. Vi dois caras girando-as no ar. Não sabia que tinha que fazer isso pra tocar marcial. Achava apenas que tinha que bater naquele bumbo, sem fazer alegorias. Perguntei como eles faziam aquilo. Que me ensinassem. O mais baixinho achou que eu estava “tirando” da cara dele. O mais alto foi na dele e ficou esperto comigo, também pensando o mesmo. Mas mesmo assim, me deram as primeiras explicações de como fazer aqueles malabarismos com as baquetas. Esses dois caras eram o Carlão e o Morlock.
Lá na Banda reencontrei o Sandro e o Alex. Tal qual aconteceu com as meninas, nossa amizade nasceu parecendo já existir de muito tempo. Convida-los para sair comigo e com as meninas foi um passo. E assim ganhei mais quatro irmãos.
O Ridemar já estava na Banda, mas não me lembro de tê-lo conhecido lá. Acho que fui apresentado a ele na Atlanta ou em casa, numa das nossas festinhas. O Fabiano veio junto com a Clau e a Maisa. Pronto! Ganhei mais dois irmãos pra minha família.
Éramos inseparáveis. Os encontros aconteciam todos em casa, antes de cada baile. Eram na quinta, sexta e sábado. No domingo, o encontro era na praça. A cidade tinha várias turmas, então, porque não criarmos a nossa? Nascia ali, “Os Rita”, que era uma abreviação de “Os Ritardados”... Pros outros, uma babaquice, um bando de gente com apelido de mulher. Pra nós, uma família.
Nunca tentei me impor a eles pela minha idade ou vivência. Acredito que ensinei muito, mas aprendi muito, mas muito mais com eles. Cada um tinha algo a me ensinar. E não demorei muito a aprender. Posso dizer, com toda certeza, que renasci ali, naquele aniversário na casa da Gisele, numa tarde de novembro. E cresci n´Os Rita. Desenvolvi n´Os Rita. Vivi n´Os Rita. Amei n´Os Rita. E sinto falta d´Os Rita. Muita falta.
Quantas história
s protagonizamos... Eu, que vivia muito no passado, no início, repetia sempre: “Quando eu tinha a minha turma”... ou “Na minha turma”... ou ainda “O Sedam era assim” (Sedam significa Sociedade Etílica e Desportiva Andorinhas do Me, minha antiga turma). Sei agora que isso incomodava meus novos amigos. O fato de eu estar numa turma, falando de outra, parecia que eu gostava mais daquela do que desta. Mas não era assim. Apenas eu era saudosista demais.
O tempo, o carinho, a compreensão e a amizade d´Os Rita, me fizeram esquecer a outra turma. Eles foram importantes pra mim, sim. Mas Os Rita foram e são muito mais. Eles me completavam. Cada um era uma parte de um todo dentro de um mecanismo, chamado Os Rita.
As histórias não param de brotar de minhas lembranças, e se eu for contar uma a uma, acabaria por escrever um livro. Mas algumas merecem destaque especial, senão pelos protagonistas, pelo menos por mim. Foram histórias que me marcaram, que por alguma razão, ficaram mais fortemente gravadas na minha memória e no meu coração.
Na Atlanta, o Morlock dando uns socos num cara que tava brigando foi inesquecível. Ele não tinha nada a ver com a briga. Mas naquela época, ele adorava uma pancadaria. Eu puxei-o. Falei que esse não era o espírito da turma. Éramos de paz. Queria ver ele abraçado com mulheres e não rolando com homens. Parece que ele entendeu. Tanto que virou uma moça de tão dócil. Nunca mais brigou.
Nosso primeiro “inimigo secreto”. Que bagunça. Todos incorporaram a brincadeira. Fomos na Cantina Mabella. Aliás, não saíamos de lá. Era a febre do videokê. Engraçado, né? O que o pessoal da Cantina Mabella devia pensar de mim. Há pouco tempo atrás eu entrava com minha esposa e meus amigos, advogados, dentistas, médicos e engenheiros. Gastávamos verdadeiras fortunas. E agora eu estava lá, solteiro, com um pessoal que tinha praticamente a metade da minha idade. Mas garanto que os donos do Mabella e os garçons nunca viram naquela época a felicidade que eu estampava em meu rosto com essa nova turma. Eu (e principalmente eles !!!) não tínhamos etiqueta, não nos preocupávamos se estávamos chamando a atenção ou não, fosse por sermos bregas, alegres, divertidos ou descontraídos. Nosso mundo estava ali, naquela mesa. O resto não importava. Nossa felicidade, sim, importava.
As festas em casa eram uma delícia. Semanalmente tinha que dividir minha janta com o Fabiano, que já vinha “jantado” da casa dele. Sem contar que nem sempre o pessoal trazia o que beber. Mas sempre bebiam em casa. Tudo bem que no dia seguinte eu quase me acabava arrumando a bagunça. Mas arrumava feliz. Com prazer. É... Acho que estou ficando velho... Hoje não dou mais festas por causa do dia seguinte...
O pessoal ia chegando aos poucos. Todos se inteirando... Eu sentia que a casa era deles. E eles também. Fazíamos o “aquecimento” e íamos pra noite. Noitadas memoráveis. Mas sempre juntos. Quando alguém arranjava alguma garota, trazia-a logo pra perto de nós. Nada de ficar nas quebradas. Exceto o Carlão, que tinha que se esconder quando ficava com alguém, pois a baixinha ou alguém poderia vê-lo. Mas sempre ele voltava pro meio da gente. E com a maior cara lavada. Era engraçado. Demorasse 10 minutos e o Carlão não viesse, já sabia...
Lembro de uma vez, no Karaokê, que ele pediu pra eu ficar com a baixinha, no pátio que tinha lá fora, que ele ia buscar uma cerveja. Eu nem tinha papo com ela. Fiquei mais de uma hora. E nada do Carlão voltar. Cervejinha demorada essa... De onde estava eu podia ver o Carlão beijando uma menina. E a toda hora eu tinha que segurar a baixinha que queria ir procurar ele. Nem no banheiro eu a deixei ir. Coitada...
Lembro também nas horas de conversa com o Ridemar, tentando convencê-lo a não ir agora pro Japão (ele é descendente). Tentava explicar-lhe que o Japão não ia sair de lá. Mas que deveria ser a última tentativa na sua vida. Somente depois de não conseguir nada aqui no Brasil, ele deveria tentar a sorte lá. Não sei se deu certo, mas ele ficou, está numa banda de rock, onde é um grande vocalista, trabalha na Prefeitura e já está no
segundo ano de Direito.
Nossa união causava ciúmes, inveja. Mas acredito que não de uma maneira ruim. E sim de uma maneira boa. Todos que nos viam gostariam de ter amigos como nós éramos. Isso era uma certeza. Não nos envolvíamos em brigas. Não ficávamos bêbados. Não mexíamos com drogas. Éramos da paz. E das mulheres!!! E sempre juntos. Muitos quiseram entrar pra turma. Mas não era questão de ser aceito pelo pessoal. Era questão de aceitar as regras. Mas que regras eram essas? Sei lá. Ninguém nunca estipulou regra alguma. Mas elas sempre existiram. E todos as cumpriam fielmente.
Se não íamos a algum baile, e isso era raro, o baile não era o mesmo. Faltava algo. “Aqueles caras” que fechavam uma roda e dançavam, sem parar, a noite toda. Muitas meninas começaram a se aproximar. Afinal, éramos alegres, extrovertidos, e porque não dizer, bonitos e interessantes. Fizemos amizades com todos os seguranças e barmen´s. Nem revistavam mais a gente.
E a amizade fortalecia cada dia mais. Fomos pra praia. Até hoje sinto falta do Ridemar. Faltou ele com a gente. Mas ganhamos dois outros irmãos: O Nando (meu primo) e o Paulinho. O engraçado é que o Paulinho só entrou por causa do Nando. Não queríamos o Paulinho na turma. Dois dias antes de irmos pra praia, o Nando falou que não ia mais com a gente, porque não queríamos o Paulinho junto. Fizemos uma reunião e pra que o Nando fosse aceitamos levar o Paulinho. Que grata surpresa ele nos deu. Hoje é nosso irmão também. Parece que o Nando veio pra Itapeva só pra nos apresentar o Paulinho. Obrigado Nando!
Aprontamos mil e uma na praia. Eu já me sentia da idade deles. Sem complexo, sem grilos, novinho em folha. Acompanhava o pique da “criançada”. Aliás, como até hoje os chamo: “meus meninos”. Me emociono até hoje quando me lembro do Carlão e do Morlock falando do que suas mães achavam de mim. As palavras de suas mães, transmitidas por eles, até hoje ecoam em meus ouvidos e em meu coração. Minha responsabilidade tinha aumentado. Agora,sim, eram minhas crianças mesmo. Também me emociono com o carinho que o pai do Ridemar tem por mim. Nada pagará ou apagará isso.
Acreditem: cansei (no bom sentido) de receber ligações dos pais de meus amigos me agradecendo e pedindo pra atende-los. E confesso que nunca precisei fazer isso. Eles cresceram. Se viraram sozinhos.
Na praia, o Paulinho deu sua primeira mancada: por insistência dele, fomos ao Ilha Porchat. Lá sim, o carnaval era show, né Paulinho? A noite só valeu porque encontramos uma nariguda lá. Nos mais, até de trenzinho pulamos o carnaval, tão familiar era o recinto. Aff!!!
Outras coisas interessantes também aconteceram naquele carnaval. Como o jacaré que o Morlock pegou (?) nas “violentas” ondas do Guarujá. Ou será que foi o Jacaré que pegou ele? Só sei que o nariz dele ficou no vivo. Ralou legal. A travessia da balsa era uma festa. Portas abertas, som alto e todos dançando ao lado do carro. Na praia, andávamos em fila. Lateral, é claro! A noite, dormíamos amontoados naquele micro-apartamento. Descobrimos a Danceteria Avelino´s. Foi o paraíso. Valeu pelo carnaval. Quanta gente. O Morlock se deu bem. Uma loira, linda, do nada, o agarrou e beijou na nossa frente. Acho que foi de dó pelo nariz esfolado... Fizemos nossa rodinha e dançamos, dançamos, dançamos. Até nos camarotes nós entramos. Lançamos a maneira itapevense de dançar tecno. Alguns nos olhavam rindo, achando ridículo. Outros, ensaiavam alguns passos. Ou devo dizer, braços...
Voltamos ainda mais fortalecidos na nossa amizade. E já fazendo planos pro próximo ano.
Fomos novamente pra praia no ano seguinte. Dessa vez, mais um irmão entrou pra turma: o Suski. Mas o Morlock não foi. Nem o Ride. Choramos na passagem de ano. Abraçados. Mas felizes. Estávamos longe de alguns amigos e dos familiares. Mas estávamos juntos. Rezamos, choramos e fomos pra festa. O Suski conseguiu ficar com uma loira linda. Já o Paulinho... Aff, que baranga... Fomos buscar o Carlão na Praia Grande. Duas horas de carro até chegar na casa dele. Nunca xingamos tanto alguém... Ele veio e ficou a gente... Perdoamos ele...
As viagens da Banda do Metodista também era uma festa a parte. Sempre juntos. Em Barretos, era só festa. Não desgrudávamos uns dos outros. Era incrível como gostos e vontades diferentes de muitos eram democraticamente reduzidos a uma só ação. Na primeira vez de Barretos, lembro-me da minha vontade enorme de tomar sorvete. E a macaquice que fiz quando achei uma barraquinha de sorvete. Que piada.
Como esquecer da “festa” aqui em casa com a Bavária? O Ride ficou enchendo nosso saco uns dois meses pra fazermos outra. Acho que ele queria perder a virgindade... Ou então a namorada que o Morlock arrumou. No início, todos dando a maior força. Dias depois, com ele já cego de amor (ela realmente era linda!), descobrimos uns podres da menina. Como contar? Amigo, sei que você sofreu muito naquela época. Mas te admiro por não ter demonstrado e nem se abatido. Você foi muito forte. Antes disso, veio a Curitibana. Muito sexo, né Morlock? Depois outro amor louco: a Pámela. Esse, até hoje penso ser um caso mal resolvido. Acho que ainda não acabou... Haverá desdobramentos...
Éramos esportistas também. Criamos até o Ritabol... Jogávamos na praça. Com um monte de bobos olhando pra nós. As tardes ensolaradas dos finais de semana, passávamos no Rio Verde ou no Rio das Vacas. Éramos nadadores de rio. Verdadeiros bagres! Descobrimos até um local, no Rio das Vacas, de difícil acesso. Batizamos de “Lugar d´Os Rita”. Alguns até levaram tombos memoráveis ao ir ou voltar de lá, né Carlão?
Para chegar lá, tínhamos que pegar a estrada. Mais de 30km de asfalto. Íamos comentando os acontecimentos do baile da noite anterior. Quem ficou com quem. Teve até aquela vez que furou dois pneus do carro do Paulinho. Ficamos parados na estrada até as 9h00 da noite. E o Paulinho só de sunga. Que ridículo... Outra viagem memorável foi no aniversário de Itararé. O Paulinho e o Sandro resolveram ir pra lá. Eu e o Morlock iríamos pra Buri. Antes do Taquarivaí, resolver mudar e fomos pra Itararé. Encontramos os dois lá, que se espantaram. Bebemos, dançamos e na hora de voltar, meu co-piloto Morlock engatou um sono ferrado no banco do carro. Vim a 60km/h, morrendo de sono. Foram os 60km mais longos de minha vida.
Na Atlanta, criamos o Cantinho d´Os Rita. Era na parte superior, onde só ficavam casais. Ninguém ficava lá. Fomos os primeiros. Depois de um tempo, a parte superior lotava. Tínhamos que chegar antes, senão perdíamos o lugar. No Karaokê também tinha o Canto d´Os Rita. E, lógico, a Acrópolis não podia ficar de fora. Também teve o nosso cantinho. Pena que hoje ele anda muito pouco freqüentado.
Falando em Acrópolis, como se esquecer daqueles memoráveis bailes do Halloween? O primeiro foi mágico. Nos vestimos e pintamos em casa. Subimos todos a pé. Alguns com vergonha de sair na rua daquele jeito. Na praça, paramos tudo. Se não me engano, o Sandro andou filmando esse primeiro Halloween. Preciso ver essa fita. Depois, esperávamos ansiosamente o outro Halloween. Até prá Itaberá fomos num baile das bruxas. O Suski estrapolou e andou fazendo umas escolhas um tanto quanto erradas no mulherio daquela cidade. Como o baile estava chato, resolvemos vir pra Itapeva. E fantasiados, fomos no Karaokê. Lá, o pessoal não entendeu muito o que estava acontecendo. Afinal, o Dia das Bruxas já tinha passado. Mas, em se tratando d´Os Rita, tudo era possível.
Num outro Halloween, o Fabiano foi o protagonista de provar a união d´Os Rita. Brigou com a namorada (ou será que foi ela que brigou com ele?), bebeu muito (um copo e meio de cerveja) e desmaiou. No meio do Baile. Todos saíram, sem se importar se o Baile estava apenas no começo. Fomos parar na Santa Casa, para aplicar glicose no Fabiano. Depois, o levamos pra casa. E ainda ficamos de tocaia, para impedir as suas fugas. E todos juntos. Até o Jebinha ficou lá. Aliás, ele ajudou muito.
Falando no Jebinha, tenho muitas saudades dele. Queria que ele se transformasse em mais um irmãozinho meu. Mas acho que falhei. Sinto um dor muito grande por isso. Queria-o perto de mim, perto de nós.
Nessa época, mais uma pessoa passou a fazer parte de minha vida. Essa, de forma diferente. Não como irmã. Mas como mulher. Ela conhecia os meninos e aprovava minha amizade com eles. Nunca reclamou ou proibiu de nada com eles. Estar com eles era estar com Deus. Pois com Deus estamos bem, estamos felizes, estamos em paz. Era isso que eu sentia e ela sabia. E sabe até hoje. Gi, eu te amo!
Os Rita me deram todo o apoio pra sair de uma depressão violenta que enfrentei no final de 98 e a agüentar o ritmo da faculdade por longos 5 anos. Na minha formatura, não tive dúvidas em convidá-los para compartilhar comigo esse momento marcante de minha vida. Deixei parentes e familiares para leva-los comigo. Mais uma lembrança pra ficar na história de minha vida.
Poderia definir esse pessoal em algumas poucas palavras, tentando destacar a maior qualidade que neles eu via. O Carlão, destaco o coração de criança e seu amor pela família. O Morlock, a sua liderança. O Suski, seu gênio forte. O Fabiano, o chefe de família. O Ride, a inteligência, Era muito pensativo e desconfiado. O Alex, o dono do baile. O Sandro, o esperto. O Paulinho, o lutador. O Nando, seu coração de leão. Quanto as meninas, prefiro não defini-las em poucas palavras. Não sei porque.
Mais tarde, outros entraram pr´Os Rita. Mas, infelizmente, pegaram a fase decadente, o final (?). Não vivenciaram a melhor fase. Mas nem por isso são desmerecedores de fazer parte dessa família chamada Rita.
Hoje, pelo que percebo, d´Os Rita sobrou apenas o comprimento. Nada mais. Todos se espalharam. O Fabiano casou. O Alex, o Nando e o Paulinho foram embora. O Suski e o Morlock sempre estão juntos. O Ridemar, não pelo namoro, mas pelo rumo de sua vida, sumiu. O Carlão, sei lá o que anda fazendo. Eu, tô formado e namorando.
Sinto falta. Muita falta. Me dói o coração quando vou na Avenida ou na Acrópolis e vejo um de cada lado. Ou então quando fico sabendo que uns foram no TNT enquanto outros foram na Acrópolis ou noutro lugar. Isso não acontecia antes. Eram todos juntos.
Vejo minha casa vazia nas sextas e sábados. Ninguém na Praça no domingo a tarde. Fico no canto d´Os Rita na Acrópolis. Sozinho. Ou melhor, com a Gi. Falta algo. Encontro-os dispersados pelo salão. Um de cada lado, com uma nova turma, novos amigos. Me dói muito.
O sentimento permanecerá pra sempre. O carinho, o amor, isso nunca será apagado. Eu os amo com o mais puro e sublime sentido da palavra amor. Um amor que não exige trocas, regalias ou privações. Eu os amo da forma que são. Não sei se isso é uma despedida. Não sei se voltaremos a nos reunir da forma que fazíamos. As pessoas crescem. Tomam seus rumos. Mudam de ideais e muitas vezes, fases de suas vidas são encerradas, e novas fases iniciadas. O mundo é assim. Cruel pela rapidez dos momentos maravilhosos e marcantes pela demora dos momentos tristes.
Se quando nos reunimos, eu falava incessantemente da minha antiga turma, como exemplo de união, no futuro, com toda a certeza, falarei diariamente para meus filhos da união, do amor, do carinho e da solidariedade d´Os Rita. Eles sempre serão o ponto de referência de amizade e companheirismo para mim e minha futura família.
Não quero aqui pensar demais no que passou. Não tem volta. Seria falso demais se tentássemos retornar as raízes. A vida mudou e nós mudamos também. Hoje nossa amizade, com certeza, não seria mais como fora antigamente. Pode, sim, ser melhor, muito melhor, se adaptada aos novos tempos em que vivemos, aos novos pensamentos e aos novos ideais. Não precisamos mais ir pro Rio das Vacas, ficarmos na Praça ou Avenida, pintarmos pro Halloween. Muito embora isso ainda possa acontecer, podemos nos moldar aos novos tempos, com os novos amigos. Mas sendo sempre Os Rita. Que nunca foi marcado pelo lugar em que estavam, e sim, pela união, onde quer que estivessem.
Amo vocês, do fundo do meu coração. Sinto muita falta. Não quero que esta seja uma despedida. Nem um até breve. Mas cada um traça o seu caminho da forma que lhe convém. Estou aqui. Feliz por ter encontrado a minha cara-metade. E triste por ter me distanciado de pessoas que ainda habitam meu coração. E habitarão por toda a minha vida.
Deus escreve certo por linhas tortas, já diz o ditado. Foi necessário eu me separar de uma pessoa que eu julgava amar loucamente, sofrer o que só eu sei o que sofri, entrar em depressão média (segundo avaliação médica), pra conhecer uma turma maravilhosa e o verdadeiro amor da minha vida. Ao lado deles, passei pelos momentos mais difíceis da minha vida. Cheguei a passar fome por não ter dinheiro pra comprar comida ou cigarro. Talvez muitos não souberam disso. Descobri o que a falta de dinheiro pode fazer com uma pessoa. E graças ao bom Deus, na pior fase de minha vida, Ele me colocou ao lado de pessoas maravilhosas e me deu a Giovanna. Hoje, vivendo uma situação um pouco melhor, com várias portas se abrindo e com muitas perspectivas à frente, olho pra trás e não consigo me lembrar desse sofrimento. Somente vejo vários amigos ao meu lado. Na pior fase, quando quase não podia caminhar com minhas próprias pernas, fui carregado por anjos, que Deus me enviou. Pelos Os Rita.
Juliana, Gisele, Aline, Morlock, Carlão, Sandro, Alex, Nando, Paulinho, Ridemar, Fabiano, Jerônimo e Suski:
Obrigado, meus amigos. Obrigado, meus irmãos. Obrigado, meus anjos.
Beijos em seus corações. Estejam sempre com Deus!
Neto (Rita-Mór)
(Gostaria que mostrassem esta carta a seus pais, familiares
e amigos, pra que todos soubessem QUEM foram OS RITA.)
****************Meu primeiro ensaio. Peguei o marcial e as baquetas. Não sabia nem como amarrá-las nos dedos. O Ivan me ensinou. Vi dois caras girando-as no ar. Não sabia que tinha que fazer isso pra tocar marcial. Achava apenas que tinha que bater naquele bumbo, sem fazer alegorias. Perguntei como eles faziam aquilo. Que me ensinassem. O mais baixinho achou que eu estava “tirando” da cara dele. O mais alto foi na dele e ficou esperto comigo, também pensando o mesmo. Mas mesmo assim, me deram as primeiras explicações de como fazer aqueles malabarismos com as baquetas. Esses dois caras eram o Carlão e o Morlock.
Lá na Banda reencontrei o Sandro e o Alex. Tal qual aconteceu com as meninas, nossa amizade nasceu parecendo já existir de muito tempo. Convida-los para sair comigo e com as meninas foi um passo. E assim ganhei mais quatro irmãos.
O Ridemar já estava na Banda, mas não me lembro de tê-lo conhecido lá. Acho que fui apresentado a ele na Atlanta ou em casa, numa das nossas festinhas. O Fabiano veio junto com a Clau e a Maisa. Pronto! Ganhei mais dois irmãos pra minha família.
Éramos inseparáveis. Os encontros aconteciam todos em casa, antes de cada baile. Eram na quinta, sexta e sábado. No domingo, o encontro era na praça. A cidade tinha várias turmas, então, porque não criarmos a nossa? Nascia ali, “Os Rita”, que era uma abreviação de “Os Ritardados”... Pros outros, uma babaquice, um bando de gente com apelido de mulher. Pra nós, uma família.
Nunca tentei me impor a eles pela minha idade ou vivência. Acredito que ensinei muito, mas aprendi muito, mas muito mais com eles. Cada um tinha algo a me ensinar. E não demorei muito a aprender. Posso dizer, com toda certeza, que renasci ali, naquele aniversário na casa da Gisele, numa tarde de novembro. E cresci n´Os Rita. Desenvolvi n´Os Rita. Vivi n´Os Rita. Amei n´Os Rita. E sinto falta d´Os Rita. Muita falta.
Quantas história
O tempo, o carinho, a compreensão e a amizade d´Os Rita, me fizeram esquecer a outra turma. Eles foram importantes pra mim, sim. Mas Os Rita foram e são muito mais. Eles me completavam. Cada um era uma parte de um todo dentro de um mecanismo, chamado Os Rita.
As histórias não param de brotar de minhas lembranças, e se eu for contar uma a uma, acabaria por escrever um livro. Mas algumas merecem destaque especial, senão pelos protagonistas, pelo menos por mim. Foram histórias que me marcaram, que por alguma razão, ficaram mais fortemente gravadas na minha memória e no meu coração.
Na Atlanta, o Morlock dando uns socos num cara que tava brigando foi inesquecível. Ele não tinha nada a ver com a briga. Mas naquela época, ele adorava uma pancadaria. Eu puxei-o. Falei que esse não era o espírito da turma. Éramos de paz. Queria ver ele abraçado com mulheres e não rolando com homens. Parece que ele entendeu. Tanto que virou uma moça de tão dócil. Nunca mais brigou.
Nosso primeiro “inimigo secreto”. Que bagunça. Todos incorporaram a brincadeira. Fomos na Cantina Mabella. Aliás, não saíamos de lá. Era a febre do videokê. Engraçado, né? O que o pessoal da Cantina Mabella devia pensar de mim. Há pouco tempo atrás eu entrava com minha esposa e meus amigos, advogados, dentistas, médicos e engenheiros. Gastávamos verdadeiras fortunas. E agora eu estava lá, solteiro, com um pessoal que tinha praticamente a metade da minha idade. Mas garanto que os donos do Mabella e os garçons nunca viram naquela época a felicidade que eu estampava em meu rosto com essa nova turma. Eu (e principalmente eles !!!) não tínhamos etiqueta, não nos preocupávamos se estávamos chamando a atenção ou não, fosse por sermos bregas, alegres, divertidos ou descontraídos. Nosso mundo estava ali, naquela mesa. O resto não importava. Nossa felicidade, sim, importava.
As festas em casa eram uma delícia. Semanalmente tinha que dividir minha janta com o Fabiano, que já vinha “jantado” da casa dele. Sem contar que nem sempre o pessoal trazia o que beber. Mas sempre bebiam em casa. Tudo bem que no dia seguinte eu quase me acabava arrumando a bagunça. Mas arrumava feliz. Com prazer. É... Acho que estou ficando velho... Hoje não dou mais festas por causa do dia seguinte...
O pessoal ia chegando aos poucos. Todos se inteirando... Eu sentia que a casa era deles. E eles também. Fazíamos o “aquecimento” e íamos pra noite. Noitadas memoráveis. Mas sempre juntos. Quando alguém arranjava alguma garota, trazia-a logo pra perto de nós. Nada de ficar nas quebradas. Exceto o Carlão, que tinha que se esconder quando ficava com alguém, pois a baixinha ou alguém poderia vê-lo. Mas sempre ele voltava pro meio da gente. E com a maior cara lavada. Era engraçado. Demorasse 10 minutos e o Carlão não viesse, já sabia...
Lembro de uma vez, no Karaokê, que ele pediu pra eu ficar com a baixinha, no pátio que tinha lá fora, que ele ia buscar uma cerveja. Eu nem tinha papo com ela. Fiquei mais de uma hora. E nada do Carlão voltar. Cervejinha demorada essa... De onde estava eu podia ver o Carlão beijando uma menina. E a toda hora eu tinha que segurar a baixinha que queria ir procurar ele. Nem no banheiro eu a deixei ir. Coitada...
Lembro também nas horas de conversa com o Ridemar, tentando convencê-lo a não ir agora pro Japão (ele é descendente). Tentava explicar-lhe que o Japão não ia sair de lá. Mas que deveria ser a última tentativa na sua vida. Somente depois de não conseguir nada aqui no Brasil, ele deveria tentar a sorte lá. Não sei se deu certo, mas ele ficou, está numa banda de rock, onde é um grande vocalista, trabalha na Prefeitura e já está no
Nossa união causava ciúmes, inveja. Mas acredito que não de uma maneira ruim. E sim de uma maneira boa. Todos que nos viam gostariam de ter amigos como nós éramos. Isso era uma certeza. Não nos envolvíamos em brigas. Não ficávamos bêbados. Não mexíamos com drogas. Éramos da paz. E das mulheres!!! E sempre juntos. Muitos quiseram entrar pra turma. Mas não era questão de ser aceito pelo pessoal. Era questão de aceitar as regras. Mas que regras eram essas? Sei lá. Ninguém nunca estipulou regra alguma. Mas elas sempre existiram. E todos as cumpriam fielmente.
Se não íamos a algum baile, e isso era raro, o baile não era o mesmo. Faltava algo. “Aqueles caras” que fechavam uma roda e dançavam, sem parar, a noite toda. Muitas meninas começaram a se aproximar. Afinal, éramos alegres, extrovertidos, e porque não dizer, bonitos e interessantes. Fizemos amizades com todos os seguranças e barmen´s. Nem revistavam mais a gente.
E a amizade fortalecia cada dia mais. Fomos pra praia. Até hoje sinto falta do Ridemar. Faltou ele com a gente. Mas ganhamos dois outros irmãos: O Nando (meu primo) e o Paulinho. O engraçado é que o Paulinho só entrou por causa do Nando. Não queríamos o Paulinho na turma. Dois dias antes de irmos pra praia, o Nando falou que não ia mais com a gente, porque não queríamos o Paulinho junto. Fizemos uma reunião e pra que o Nando fosse aceitamos levar o Paulinho. Que grata surpresa ele nos deu. Hoje é nosso irmão também. Parece que o Nando veio pra Itapeva só pra nos apresentar o Paulinho. Obrigado Nando!
Aprontamos mil e uma na praia. Eu já me sentia da idade deles. Sem complexo, sem grilos, novinho em folha. Acompanhava o pique da “criançada”. Aliás, como até hoje os chamo: “meus meninos”. Me emociono até hoje quando me lembro do Carlão e do Morlock falando do que suas mães achavam de mim. As palavras de suas mães, transmitidas por eles, até hoje ecoam em meus ouvidos e em meu coração. Minha responsabilidade tinha aumentado. Agora,sim, eram minhas crianças mesmo. Também me emociono com o carinho que o pai do Ridemar tem por mim. Nada pagará ou apagará isso.
Acreditem: cansei (no bom sentido) de receber ligações dos pais de meus amigos me agradecendo e pedindo pra atende-los. E confesso que nunca precisei fazer isso. Eles cresceram. Se viraram sozinhos.
Na praia, o Paulinho deu sua primeira mancada: por insistência dele, fomos ao Ilha Porchat. Lá sim, o carnaval era show, né Paulinho? A noite só valeu porque encontramos uma nariguda lá. Nos mais, até de trenzinho pulamos o carnaval, tão familiar era o recinto. Aff!!!
Outras coisas interessantes também aconteceram naquele carnaval. Como o jacaré que o Morlock pegou (?) nas “violentas” ondas do Guarujá. Ou será que foi o Jacaré que pegou ele? Só sei que o nariz dele ficou no vivo. Ralou legal. A travessia da balsa era uma festa. Portas abertas, som alto e todos dançando ao lado do carro. Na praia, andávamos em fila. Lateral, é claro! A noite, dormíamos amontoados naquele micro-apartamento. Descobrimos a Danceteria Avelino´s. Foi o paraíso. Valeu pelo carnaval. Quanta gente. O Morlock se deu bem. Uma loira, linda, do nada, o agarrou e beijou na nossa frente. Acho que foi de dó pelo nariz esfolado... Fizemos nossa rodinha e dançamos, dançamos, dançamos. Até nos camarotes nós entramos. Lançamos a maneira itapevense de dançar tecno. Alguns nos olhavam rindo, achando ridículo. Outros, ensaiavam alguns passos. Ou devo dizer, braços...
Voltamos ainda mais fortalecidos na nossa amizade. E já fazendo planos pro próximo ano.
Fomos novamente pra praia no ano seguinte. Dessa vez, mais um irmão entrou pra turma: o Suski. Mas o Morlock não foi. Nem o Ride. Choramos na passagem de ano. Abraçados. Mas felizes. Estávamos longe de alguns amigos e dos familiares. Mas estávamos juntos. Rezamos, choramos e fomos pra festa. O Suski conseguiu ficar com uma loira linda. Já o Paulinho... Aff, que baranga... Fomos buscar o Carlão na Praia Grande. Duas horas de carro até chegar na casa dele. Nunca xingamos tanto alguém... Ele veio e ficou a gente... Perdoamos ele...
As viagens da Banda do Metodista também era uma festa a parte. Sempre juntos. Em Barretos, era só festa. Não desgrudávamos uns dos outros. Era incrível como gostos e vontades diferentes de muitos eram democraticamente reduzidos a uma só ação. Na primeira vez de Barretos, lembro-me da minha vontade enorme de tomar sorvete. E a macaquice que fiz quando achei uma barraquinha de sorvete. Que piada.
Como esquecer da “festa” aqui em casa com a Bavária? O Ride ficou enchendo nosso saco uns dois meses pra fazermos outra. Acho que ele queria perder a virgindade... Ou então a namorada que o Morlock arrumou. No início, todos dando a maior força. Dias depois, com ele já cego de amor (ela realmente era linda!), descobrimos uns podres da menina. Como contar? Amigo, sei que você sofreu muito naquela época. Mas te admiro por não ter demonstrado e nem se abatido. Você foi muito forte. Antes disso, veio a Curitibana. Muito sexo, né Morlock? Depois outro amor louco: a Pámela. Esse, até hoje penso ser um caso mal resolvido. Acho que ainda não acabou... Haverá desdobramentos...
Éramos esportistas também. Criamos até o Ritabol... Jogávamos na praça. Com um monte de bobos olhando pra nós. As tardes ensolaradas dos finais de semana, passávamos no Rio Verde ou no Rio das Vacas. Éramos nadadores de rio. Verdadeiros bagres! Descobrimos até um local, no Rio das Vacas, de difícil acesso. Batizamos de “Lugar d´Os Rita”. Alguns até levaram tombos memoráveis ao ir ou voltar de lá, né Carlão?
Para chegar lá, tínhamos que pegar a estrada. Mais de 30km de asfalto. Íamos comentando os acontecimentos do baile da noite anterior. Quem ficou com quem. Teve até aquela vez que furou dois pneus do carro do Paulinho. Ficamos parados na estrada até as 9h00 da noite. E o Paulinho só de sunga. Que ridículo... Outra viagem memorável foi no aniversário de Itararé. O Paulinho e o Sandro resolveram ir pra lá. Eu e o Morlock iríamos pra Buri. Antes do Taquarivaí, resolver mudar e fomos pra Itararé. Encontramos os dois lá, que se espantaram. Bebemos, dançamos e na hora de voltar, meu co-piloto Morlock engatou um sono ferrado no banco do carro. Vim a 60km/h, morrendo de sono. Foram os 60km mais longos de minha vida.
Na Atlanta, criamos o Cantinho d´Os Rita. Era na parte superior, onde só ficavam casais. Ninguém ficava lá. Fomos os primeiros. Depois de um tempo, a parte superior lotava. Tínhamos que chegar antes, senão perdíamos o lugar. No Karaokê também tinha o Canto d´Os Rita. E, lógico, a Acrópolis não podia ficar de fora. Também teve o nosso cantinho. Pena que hoje ele anda muito pouco freqüentado.
Falando em Acrópolis, como se esquecer daqueles memoráveis bailes do Halloween? O primeiro foi mágico. Nos vestimos e pintamos em casa. Subimos todos a pé. Alguns com vergonha de sair na rua daquele jeito. Na praça, paramos tudo. Se não me engano, o Sandro andou filmando esse primeiro Halloween. Preciso ver essa fita. Depois, esperávamos ansiosamente o outro Halloween. Até prá Itaberá fomos num baile das bruxas. O Suski estrapolou e andou fazendo umas escolhas um tanto quanto erradas no mulherio daquela cidade. Como o baile estava chato, resolvemos vir pra Itapeva. E fantasiados, fomos no Karaokê. Lá, o pessoal não entendeu muito o que estava acontecendo. Afinal, o Dia das Bruxas já tinha passado. Mas, em se tratando d´Os Rita, tudo era possível.
Num outro Halloween, o Fabiano foi o protagonista de provar a união d´Os Rita. Brigou com a namorada (ou será que foi ela que brigou com ele?), bebeu muito (um copo e meio de cerveja) e desmaiou. No meio do Baile. Todos saíram, sem se importar se o Baile estava apenas no começo. Fomos parar na Santa Casa, para aplicar glicose no Fabiano. Depois, o levamos pra casa. E ainda ficamos de tocaia, para impedir as suas fugas. E todos juntos. Até o Jebinha ficou lá. Aliás, ele ajudou muito.
Falando no Jebinha, tenho muitas saudades dele. Queria que ele se transformasse em mais um irmãozinho meu. Mas acho que falhei. Sinto um dor muito grande por isso. Queria-o perto de mim, perto de nós.
Nessa época, mais uma pessoa passou a fazer parte de minha vida. Essa, de forma diferente. Não como irmã. Mas como mulher. Ela conhecia os meninos e aprovava minha amizade com eles. Nunca reclamou ou proibiu de nada com eles. Estar com eles era estar com Deus. Pois com Deus estamos bem, estamos felizes, estamos em paz. Era isso que eu sentia e ela sabia. E sabe até hoje. Gi, eu te amo!
Os Rita me deram todo o apoio pra sair de uma depressão violenta que enfrentei no final de 98 e a agüentar o ritmo da faculdade por longos 5 anos. Na minha formatura, não tive dúvidas em convidá-los para compartilhar comigo esse momento marcante de minha vida. Deixei parentes e familiares para leva-los comigo. Mais uma lembrança pra ficar na história de minha vida.
Poderia definir esse pessoal em algumas poucas palavras, tentando destacar a maior qualidade que neles eu via. O Carlão, destaco o coração de criança e seu amor pela família. O Morlock, a sua liderança. O Suski, seu gênio forte. O Fabiano, o chefe de família. O Ride, a inteligência, Era muito pensativo e desconfiado. O Alex, o dono do baile. O Sandro, o esperto. O Paulinho, o lutador. O Nando, seu coração de leão. Quanto as meninas, prefiro não defini-las em poucas palavras. Não sei porque.
Mais tarde, outros entraram pr´Os Rita. Mas, infelizmente, pegaram a fase decadente, o final (?). Não vivenciaram a melhor fase. Mas nem por isso são desmerecedores de fazer parte dessa família chamada Rita.
Hoje, pelo que percebo, d´Os Rita sobrou apenas o comprimento. Nada mais. Todos se espalharam. O Fabiano casou. O Alex, o Nando e o Paulinho foram embora. O Suski e o Morlock sempre estão juntos. O Ridemar, não pelo namoro, mas pelo rumo de sua vida, sumiu. O Carlão, sei lá o que anda fazendo. Eu, tô formado e namorando.
Sinto falta. Muita falta. Me dói o coração quando vou na Avenida ou na Acrópolis e vejo um de cada lado. Ou então quando fico sabendo que uns foram no TNT enquanto outros foram na Acrópolis ou noutro lugar. Isso não acontecia antes. Eram todos juntos.
Vejo minha casa vazia nas sextas e sábados. Ninguém na Praça no domingo a tarde. Fico no canto d´Os Rita na Acrópolis. Sozinho. Ou melhor, com a Gi. Falta algo. Encontro-os dispersados pelo salão. Um de cada lado, com uma nova turma, novos amigos. Me dói muito.
O sentimento permanecerá pra sempre. O carinho, o amor, isso nunca será apagado. Eu os amo com o mais puro e sublime sentido da palavra amor. Um amor que não exige trocas, regalias ou privações. Eu os amo da forma que são. Não sei se isso é uma despedida. Não sei se voltaremos a nos reunir da forma que fazíamos. As pessoas crescem. Tomam seus rumos. Mudam de ideais e muitas vezes, fases de suas vidas são encerradas, e novas fases iniciadas. O mundo é assim. Cruel pela rapidez dos momentos maravilhosos e marcantes pela demora dos momentos tristes.
Se quando nos reunimos, eu falava incessantemente da minha antiga turma, como exemplo de união, no futuro, com toda a certeza, falarei diariamente para meus filhos da união, do amor, do carinho e da solidariedade d´Os Rita. Eles sempre serão o ponto de referência de amizade e companheirismo para mim e minha futura família.
Não quero aqui pensar demais no que passou. Não tem volta. Seria falso demais se tentássemos retornar as raízes. A vida mudou e nós mudamos também. Hoje nossa amizade, com certeza, não seria mais como fora antigamente. Pode, sim, ser melhor, muito melhor, se adaptada aos novos tempos em que vivemos, aos novos pensamentos e aos novos ideais. Não precisamos mais ir pro Rio das Vacas, ficarmos na Praça ou Avenida, pintarmos pro Halloween. Muito embora isso ainda possa acontecer, podemos nos moldar aos novos tempos, com os novos amigos. Mas sendo sempre Os Rita. Que nunca foi marcado pelo lugar em que estavam, e sim, pela união, onde quer que estivessem.
Amo vocês, do fundo do meu coração. Sinto muita falta. Não quero que esta seja uma despedida. Nem um até breve. Mas cada um traça o seu caminho da forma que lhe convém. Estou aqui. Feliz por ter encontrado a minha cara-metade. E triste por ter me distanciado de pessoas que ainda habitam meu coração. E habitarão por toda a minha vida.
Deus escreve certo por linhas tortas, já diz o ditado. Foi necessário eu me separar de uma pessoa que eu julgava amar loucamente, sofrer o que só eu sei o que sofri, entrar em depressão média (segundo avaliação médica), pra conhecer uma turma maravilhosa e o verdadeiro amor da minha vida. Ao lado deles, passei pelos momentos mais difíceis da minha vida. Cheguei a passar fome por não ter dinheiro pra comprar comida ou cigarro. Talvez muitos não souberam disso. Descobri o que a falta de dinheiro pode fazer com uma pessoa. E graças ao bom Deus, na pior fase de minha vida, Ele me colocou ao lado de pessoas maravilhosas e me deu a Giovanna. Hoje, vivendo uma situação um pouco melhor, com várias portas se abrindo e com muitas perspectivas à frente, olho pra trás e não consigo me lembrar desse sofrimento. Somente vejo vários amigos ao meu lado. Na pior fase, quando quase não podia caminhar com minhas próprias pernas, fui carregado por anjos, que Deus me enviou. Pelos Os Rita.
Juliana, Gisele, Aline, Morlock, Carlão, Sandro, Alex, Nando, Paulinho, Ridemar, Fabiano, Jerônimo e Suski:
Obrigado, meus amigos. Obrigado, meus irmãos. Obrigado, meus anjos.
Beijos em seus corações. Estejam sempre com Deus!
Neto (Rita-Mór)
(Gostaria que mostrassem esta carta a seus pais, familiares
e amigos, pra que todos soubessem QUEM foram OS RITA.)
Atualizando apenas. Juliana casou. Gisele casou e tem filhos. Morlock se formou e ta namorando há mais de 5 anos. Carlão está namorando há uns 3 anos e fazendo faculdade. Sandro foi trabalhar em Praia Grande. Alex mora em Itapetininga e reatou seu casamento. Nando está morando nos EUA, casado com uma brasileira e tem um filho. Paulinho está se formando em Medicina, depois de morar 5 anos fora do Brasil. Ride está namorando há mais de 3 anos e trabalha no Fórum de Itapeva e se formou em Direito. Fabiano é profesor, casou e vai ser pai. Jerônimo casou, separou e casou de novo e tem um filho, além de ter se formado também. Suski continua do mesmo jeito: solteiro e trabalhando na Zoggy (antiga Acrópolis). E eu, há mais de 3 anos não estou mais com a Giovanna. Digamos que tô como o Suski: solteiro e do mesmo jeito. E a danceteria Karaokê nem existe mais.
*o*
ResponderExcluirNeto, que história lindaa, emocionante.
É tão bom ter amigos, amá-los e ser amado por eles. Eu me separei dos meus amigos quando eu me mudei e perdi o contato com alguns, mesmo com a internet e tals... Eu sei como é horrível, como dói ficar longe das pessoas que são tão importantes.
Seu texto ficou lindo, mesmo.