Eu estava casado e havia acabado de nascer o primogênito de um casal de amigos. O pai da criança era meu amigo de infância e como nossos casamentos foram próximos, com um sendo padrinho do outro em seu casamento, ficamos ainda mais ligados.
Devido essa ligação, veio o convite pra batizar seu filho, que foi prontamente aceito.
Acompanhamos o casal à igreja para as providências de praxe e soubemos que teríamos que fazer Curso de Padrinhos (nem sabia que tinha isso). E lá fomos nós, num final de semana inteiro ouvir palestras e mais palestras.
Feito o curso, foi marcado a data do batizado. Seria em duas semanas. Num sábado a noite.
Vocês sabem como é mulher, né? Tem que fazer roupa nova pra tudo. Ainda mais um batizado. E lá foram nossas esposas atrás de tecidos, costureiras, cabeleireiros, manicure, pedicure, roupas pro menino e, porque não, pros maridos também.
Pra nós ficou a árdua tarefa de preparar a festa, encomendar salgadinhos, avisar familiares (deles), escolher e preparar o local, escolher a cerveja. Tarefa tipicamente masculina.
Chegou o dia. Ajudei nos preparativos da festa que seria nos fundos da casa do pai de meu amigo, enquanto nossas esposas se enfurnavam em salões de beleza. Ajudei também a recepcionar os parentes que vinham de outras cidades. A festa seria grande, pois era o primeiro neto dos pais de meu amigo.
As esposas corriam com os ajustes finais enquanto eu e ele passamos a tarde toda "experimentando" a cerveja e beliscando os salgadinhos que chegavam. A festa já tinha começado pra gente. E a bebida começava a subir.
Fui pra casa feliz, rindo de tudo e minha esposa já tinha tomado seu banho e começava a se arrumar. Tomei meu banho, vesti a roupa especialmente comprada pra ocasião e fiquei pacientemente esperando minha esposa se arrumar por longos minutos. Claro que o efeito da bebida vespertina me fez ter paciência. Mas mesmo assim tive que apressá-la.
Chegamos à igreja as 8 da noite em ponto, horário marcado pro início da cerimônia de batizado. Na porta estava o casal de amigos com a criança e fomos avisados que os parentes haviam ficado na casa, esperando o termino da cerimônia. Pensei em quantas cervejas eu ia deixar de tomar enquanto durasse a cerimônia. Maldade, mas deveria ter ficado com os parentes...
Na entrada, notamos que estava tendo um casamento. A igreja toda decorada e cheia de gente. Aguardamos do lado de fora, com o neném chorando e as esposas cuidando para não borrar a maquiagem, vez que fazia muito calor e estávamos todos suando naquelas roupas pesadas.
De repente, todos se levantaram na igreja e, lá de fora vimos os noivos saindo. Pararam na porta e ficaram recebendo os cumprimentos dos convidados. O tempo passando e, graças a Deus, o calor diminuindo. Após longos minutos, os noivos entraram num carro que estava estacionado em frente à igreja e saíram, sendo seguidos pelos convidados em seus carros numa costumeira passeata regada a muitas buzinas.
Igreja vazia, entramos. Comentei com meu amigo o fato de não haver mais nenhuma criança a ser batizada, vez que no curso de padrinhos haviam vários casais. Ele me respondeu que também tinha estranhado isso, pois achava que seria batizado comunitário e não somente de seu filho.
Sentamos no último banco e ficamos esperando, esperando, esperando... De repente a luz do fundo da igreja se apagou. E a do altar também. Logo, toda igreja estava às escuras.
Olhei espantado pro vulto do meu amigo no escuro e só pronunciei um “ué...”, que foi cortado pelo choro assustado do meu futuro afilhado.
Rapidamente nos dirigimos para fora da igreja, quando fomos alcançados pelo padre que saia com sua batina dobrada em seus braços. Nessa hora eu já estava ouvindo a esposa de meu amigo, minha futura comadre, reclamar mandando ele ver o que estava havendo.
O padre nos olhava assustado como se estivéssemos perdidos, e meu amigo perguntou sobre o batizado das 8 da noite. Pacientemente ele olhou pro meu amigo, pra criança e disse que não estava sabendo. Mas que iria averiguar.
Nos convidou a entrar na sacristia para conferir a agenda. Lá fomos nós seguindo-o pela escuridão e tropeçando nos bancos da igreja.
Na sacristia, com a luz acesa, o padre começou a consultar a agenda e soltou um sonoro: “ahhhh.... achei... tá aqui mesmo... o batizado é.......... sábado que vem... às 8 horas...”.
Sorte do meu amigo que estávamos dentro da igreja e que sua esposa estava segurando a criança, senão...
Até eu, que adoro zuar meus amigos, fiquei quieto por medo dela. Mas estava quase molhando minhas calças de tanto rir. Acho que se fizesse isso na calça nova, quem apanharia era eu, pois minha esposa tinha as mãos livres.
Meu amigo, com cara desfigurada, ainda tentava argumentar com o padre, dizendo que tinha sido informado que era neste sábado, tentando fazer com que ele batizasse a criança aquela noite a todo custo. Só faltou ele tentar subornar o pobre servo de Deus.
Saimos da igreja e nos dirigimos à festa. Como fomos em carros separados, não sei o que ela deve ter falado pra ele no trajeto. Mas ele deve ter escutado muito até chegar à festa. Sim, festa. Onde estavam todos os parentes que vieram de longe para comemorar o batizado.
Na festa, risadas e mais risadas. Não larguei meu amigo um segundo, pois queria ouvir suas explicações do batizado que não houve. Sei que sai de lá com a barriga doendo de tanto que me diverti com a "desgraça" dele.
Não lembro de ter visto as fotos do batizado. Mas acho que nem meu afilhado deve saber que aquelas fotos foram uma enganação, pois foram tiradas no dia que não houve batizado.
Durante a festa, cansado de rir das explicações de meu amigo, me aproximei de minha esposa que estava conversando com sua quase-comadre. Assunto? Sobre onde iriam comprar tecido, arrumar costureira, marcar cabeleireiro e manicure pro “próximo batizado”. Ia começar tudo de novo.
Pra terminar a divertida noite e zuar pela última vez com meu amigo, disse que só iria no “próximo” batizado se ele me enviasse um convite formal em papel ofício e timbrado, assinado por ele e pela esposa.
Tenho até hoje esse convite guardado, cuja assinatura da esposa, com certeza, ele deve ter falsificado.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
ResponderExcluirAUSHAUHSUAHSUHSUHSUHUHSAUHSUS
ResponderExcluir[/Choreideriiir!
Fora os grandes exageros, certamente motivadas pelas saudades do tempo de "jornalista" do meu "tri-compadre", parte da estória é, infelizmente, verdadeira.
ResponderExcluir