Morei em Ponta Grossa-PR, por cinco anos, período em que cursei a Faculdade de Processamento de Dados na UEPG. Nesses anos, morei em várias repúblicas, mas sempre com os mesmos amigos.
Numa das últimas, moramos eu, o Cláudio Briganó e o Marcos Dimira. Era um apartamento de 3 quartos, totalmente acarpetado, no centro da cidade.
Cada um tinha seu quarto e cada quarto tinha um diferencial. No meu, havia meu colchão no chão (sem cama) e uma TV minúscula. No do Cláudio, o colchão no chão e um aparelho de som. E no do Marcos, um colchão no chão e um aquecedor elétrico.
Nossas “reuniões” dependiam do interesse do momento. No meu quarto, se queríamos ver TV. No do Cláudio pra ouvir música. E, por fim, quando esfriava muito (que cidade gelada!), no quarto do Marcos, em frente ao aquecedor.
O apartamento ainda possuía uma ampla sala acarpetada (totalmente vazia), uma cozinha enorme com uma geladeira (totalmente vazia) e um fogão (totalmente decorativo).
Em cima da geladeira havia um aquário, onde o Cláudio criava uma tartaruguinha. Acho que ela durou uns 3 meses como integrante da república. Mais precisamente até um feriado prolongado, onde todos viajaram e esqueceram de deixar comida pra ela.
Sei que sentiram pena dela. Nós também. Por isso fizemos um enterro cheio de pompas e até algumas lágrimas, pois ela era minha companheirinha de solidão. Várias vezes tirei-a do aquário, soltei-a na imensa sala acarpetada e contava-lhe meus segredos e problemas, que ouvia enquanto tentava “escapar’ pelo carpete que grudava em suas patinhas.
Acho que se eu a colocasse na cozinha, que era chão de cerâmica, ela fugia. As vezes penso que ela não morreu. Se matou por não agüentar minhas lamentações. Tento não pensar nisso, senão pesa minha consciência.
Mas voltando ao assunto.
Depois que a tartaruguinha foi dessa pra melhor (???), o aquário ficou meses vazio, como que em homenagem póstuma, até que dois amigos, que eram Chefes de Escoteiros e viviam acampando nos trouxeram um presentinho.
Ainda vestidos com aquele ridículo uniforme de escoteiro (onde um adulto veste roupa de criança), o Fábio e o Krüger nos trouxeram do acampamento um novo bichinho de estimação dentro de uma caixinha.
Achamos que seria uma outra tartaruga! Expectativa enquanto eles contavam como foi a “captura” e se dirigiam ao aquário apresentar o animalzinho à seu novo lar.
De dentro de uma caixa caíram dentro do aquário, acreditem, dois escorpiões negros. Um era fêmea e tinha um filhote nas costas. Horríveis. Com aquela pinça na ponta do rabo.
Como o aquário era de vidro (claro, né?) e liso, não haveria perigo deles saírem. O Cláudio ficou responsável por alimentar os bichinhos, caçando moscas e baratas pras suas refeições. Eu não contava meus segredos aos dois, como fazia com a tartaruga. E o Marcos arriscava, às vezes, até a tocá-los com a ponta dos dedos. Maluco.
Lembro que sempre q ia pegar água da geladeira (pois era a única coisa que havia dentro dela), sempre olhava com desconfiança pros bichinhos e temia que eles escapassem, pois nossos colchões eram no chão e a casa toda acarpetada. Imaginava o risco.
Mas também fazíamos moral com as meninas que nos visitavam. Éramos estudantes exóticos com bichinhos de estimação exóticos.
Mais um feriado e todo mundo foi viajar. Na volta, como sempre, cheguei primeiro, por volta das 5 da madrugada. Entrei no apartamento, fui até o quarto, deixei a mochila e voltei beber água. Abri a geladeira, peguei a jarra e enchi o copo. Enquanto matava a sede, passei com os olhos pelo aquário.
Engasguei e a água que descia deliciosamente pela garganta, voltou pra dentro da geladeira numa esborrifada que parece que saiu até pelos olhos.
O aquário estava tombado em cima da geladeira e... vazio!!!!
Imediatamente olhei pro chão, pros meus pés descalços. Nada dos bichinhos. Andei pela sala até o quarto e, com um cabo de vassoura, levantei meu colchão pra procurá-los. Nada. Com cuidado removi lençol, sobrelençol, travesseiro e fronha. Nada também.
Era angustiante saber que havia dois escorpiões negros (o mais venenoso da espécie) soltos pelo apartamento.
Pensei em ir pra outra república ou até mesmo hotel e dormir até achar uma solução, mas não poderia deixar que meus colegas chegassem e fossem surpreendidos. Tinha que ficar e avisá-los.
Fui pra entrada do prédio. O dia amanheceu e por volta das 7 da manhã, chegou o Cláudio. Contei à ele. Subimos, procuramos pelo apartamento e nada. Mais angustia. Decidimos esperar o Marcos e, todos juntos, procurar uma dedetizadora.
Sono, cansaço, fome, cochilos, calor, até que, por volta das 10 da manhã, o Marcão chegou. Explicamos o que acontecia. Ele começou a rir. Rir muito. Sentou no banco de entrada do condomínio, olhava pra gente e ria...
Eu achei que ria de nervoso, quando ele começou a remexer na sua mochila e tirou de dentro uma latinha transparente com nossos amiguinhos dentro.
Pois é! O desgraçado do Marcos levou os escorpiões pra casa, para apresentar pros familiares. Apenas não nos avisou.
Não sei se pelo sono, pelo stress ou o quê, na hora avisei que não queria mais aqueles bichos no apartamento, que aquele susto havia sido um sinal e que deveríamos nos livrar deles, o que foi seguido de imediato pelo Cláudio. O Marcos ficou com dó dos bichinhos, mas como era voto vencido, concordou.
Agora surgia um novo problema: como nos livrar deles?
Soltar na rua era perigoso, pois alguém poderia ser picado. Jogar no lixo, nem pensar. Despejar num bueiro poderia fazê-los voltar. Teríamos que mata-los. Mas como?
Tínhamos ouvido falar que quando eles sentem-se ameaçados picam a si mesmo, suicidando. E que colocá-los no centro de uma roda de fogo os fariam se suicidar. Mas como fazer uma roda de fogo num apartamento todo acarpetado? Realmente não dava.
O Marcos teve uma idéia e enquanto dirigia-se ao banheiro com nossos amiguinhos exóticos condenados à morte, dizia: “Escorpiões são animais que vivem no seco, no deserto. Não são bichos aquáticos. Logo, não sabem nadar. Vamos afogá-los”.
E os jogou na privada, dando descargas e mais descargas em pequenos intervalos, por uns quinze minutos.
Ficamos um longo tempo conversando no banheiro enquanto aguardávamos algum sinal de retorno de nossos ex-mascotes. Nada! Problema resolvido.
Cansados, cada um foi para seu quarto dormir. Sono gostoso porque o problema estava resolvido.
Será mesmo?
Só sei que depois disso ninguém mais se atreveu a sentar no vaso e a tampa ficou sempre abaixada, vedando uma possível volta de nossos ex-amiguinhos desejosos de vingança.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
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KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
ResponderExcluirGUENTO NÃO... É MUITA "FULERAGI" COMO DIZ UM AMIGO QUERIDO...
Confesso q fiquei imaginando vc com a vassoura procurando os bichinhos... kkkkkkkkkk ... falar oq pra vc.. rsrs
ResponderExcluirADOREI!!!
qdo eu era mais nova tinha um sapinho de estimação... mas eu emprestei ele pro Mauro (irmão da Tete)não sei se vc conhece.. mas enfim, a mãe dele jogou fora.. na rua mesmo... MAIS EU SOFRI MUITO.. pq tbm contava a ele meus problemas... rsrs
o nome dele era "Fungo" era uma graça... FIQEUI CURIOSA PRA SABER OS NOMES DOS 3 BICHINHOS... RSRSRRS
bjokinhasssssssss....
UAHSUHSUHUHS
ResponderExcluirEu imaginei vocc cuspindo aa águaa e procurando os pobrezitos.. xD