Quando éramos adolescentes, o Marcelo Zacharias era o bagunceiro da turma. Sempre colocava tachinha nas cadeiras dos colegas, purgantes nos filtros de água da escola, cola nas cadeiras dos professores, além de molhar apagadores e gizes dos professores, entre outras traquinagens.
Sua fama corria entre os estudantes de todas as escolas e prá tudo que acontecia, o primeiro suspeito sempre era o Marcelo.
Na época não havia cursinho pré-vestibular em Itapeva, o que obrigava a gente a ir morar e estudar em Sorocaba. O Marcelo foi um ano antes de mim, com alguns amigos nossos. E lá aconteceu a história que vou contar.
Os “itapevenses” sempre moravam na pensão da dona Maria, uma senhora crente que tinha um sobrado perto da rodoviária. Ano após ano, ela recebia novas turmas de estudantes que ficavam lá até passarem no vestibular.
Na pensão havia estudantes e trabalhadores, que dividiam os vários quartos. Um dos moradores da pensão era um japonês, baixinho como todo oriental e de falar pouco, que trabalhava numa fábrica na cidade. Ele sempre era o primeiro a acordar, tomar banho, café e seguir pro trabalho.
Sempre que os “estudantes” levantavam, a cama do japonês já estava arrumada, mas naquele dia ele ainda estava deitado. O Marcelo foi acordá-lo e ouviu que ele não iria pro trabalho, pois tinha que fazer uns exames médicos.
Desceram para tomar café e o japonês ficou no quarto. Na cozinha, o Marcelo percebeu, no cantinho ao lado da pia, um potinho embrulhado dentro de vários sacos plásticos, com o nome do japonês e perguntou prá dona Maria que era aquilo.
- Pelo amor de Deus, não mexa nisso ai. É o cocô do japonês, que ele vai levar no laboratório pra exame. Não mexe, porque tá bem fechadinho, disse ela.
Foi a mesma coisa que dizer “mexa” pro Marcelo, que olhava hipnotizado pro pote, enquanto todo mundo tomava café e conversava.
Dois dias depois, quando os estudantes voltavam da aula, viram que havia uma ambulância na frente da pensão. Entraram preocupados e foram até a cozinha, onde escutaram alguns gritos. Lá estava o japonês se debatendo contra dois enfermeiros que a muito custo conseguiram coloca-lo na ambulância e sair em disparada pelas ruas da cidade.
Um ficou perguntando pro outro o que tinha acontecido e ninguém sabia responder. Ninguém entendeu nada.
Alguns dias depois o japonês voltou prá pensão. Cara de cansado, olheiras, mais magro. Todos foram perguntar o que tinha acontecido, o porquê e prá onde o tinham levado.
Pacientemente, o japonês explicou que o exame de fezes que ele tinha feito, tinha apontado vermes, doenças contagiosas, fragmentos de ossos e carne ingerida crua. E que por conta disso, ele foi interrogado por médicos que acharam que ele, possivelmente, comesse carne humana.
Ele contou que fez dezenas de outros exames, além de novos exames de fezes, sendo que todos tinham dado resultados satisfatórios, mas mesmo assim os médicos o queriam em observação. E que ainda teria que voltar regularmente ao Hospital, sob pena de ser internado novamente.
Era noite e todos estavam na cozinha ouvindo a história, entre preocupados e solidários, até que o Marcelo explodiu numa diabólica gargalhada. Os que estavam mais próximos dele fizeram cara feia, reprovando a atitude em razão do sofrimento do japonês.
Rindo muito, o Marcelo disse que o japonês não tinha nada, pois ele “apenas” tinha trocado a fezes do potinho pelo cocô do cachorro que a Dona Maria tinha no quintal da pensão.
Uns riram. Outros ficaram chocados. O certo é que o japonês saiu em disparada atrás do Marcelo, que até hoje não me contou onde ele dormiu naquela noite.
sábado, 1 de agosto de 2009
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kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk....
ResponderExcluiressa eu ainda não tinha "ouvido"
kkkkkkkkkkkkkkkkk
boaaa..mto boaa..kkkkkk
mas esse seu amigo...era o diabo em forma de gente então..kkkkkkkk