quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Vide Bula... (3)
"Achei lamentável e um absurdo o que aconteceu. Não entendo por que as pessoas não vão ao Senado reclamar da mesma maneira. Se tivéssemos a mesma bravura para combater os políticos corruptos, talvez o nosso país fosse melhor", observou.
"Existe uma inversão de valores na sociedade. A população não se revolta contra quem mexe no dinheiro, no bolso dela, mas sim contra um time que não ganhou em casa. Que crime o cara fez?", completou o atleta de 36 anos.
Como não podia deixar de ser, vários pessoas concordaram com Rogério, outras discordaram, algumas criticaram, mas o que mais me chamou a atenção foi o comentário do Sidney, que transcrevo abaixo.
Devo admitir que, enquanto lia, cheguei a dar uma ponta de razão à ele. Comecei a me questionar se não ando muito duro com o nosso presidente Lula. Se não estou vendo um país diferente da realidade. Se deveria mudar minha postura e ver o governo do Lula com outros olhos...
Mas os posts que se seguiram ao do Sidney me fizeram voltar à realidade e ver que realmente (e infelizmente) estou vivendo no Brasil e que o governo do presidente Lula é o mais incompetente e corrupto de todos os tempos.
Vejam a postagem do blog e os comentários:
http://blogs.jovempan.uol.com.br/quartarollo/2009/08/27/rogerio-ceni-falou-como-capitao-e-cidadao/
Rogério Ceni no ataque: “Povo devia ir ao Senado protestar contra a política brasileira”
Hoje pela manhã fui ao CT da Barra Funda, casa do São Paulo F.C.
Rogério Ceni foi escalado para conversar com a imprensa e disse coisas interessantes sobre o jogo e país em que vivemos.
Quando lhe perguntaram sobre a intimidação de homens armados nos vestiários após a derrota da Portuguesa para o Vila Nova, na terça-feira, no Canindé, ele ampliou a resposta e falou também como cidadão.
Talvez tenha sido uma das melhores respostas da carreira de Rogério Ceni.
COMENTÁRIOS:
Sidney Diz: 27/agosto/2009 at 3:44 pm
O Rogério fala de algo que ele não domina, faz um desabafo infantil, típico de quem caiu do caminhão de mudança e está perdido. Primeiro, que o país nunca esteve tão bem, obrigado. Segundo, que o escândalo armado no Senado é fruto do desespero da oposição em saber que o presidente Lula vai fazer o seu sucessor. Daí, tentar derrubar o Sarney pra colocar o vice, que é do PSDB, no poder. Os demo-tucanos conviveram às mil maravilhas com o Sarney enquanto ele não era aliado do Lula. Desde então, ele passou a ser inimigo. Aí, descobriram que o Sarney é o Sarney. Ele nunca foi grande coisa, só que essa crise que está aí foi fabricada pela oposição. Portanto, é melhor se informar um pouco melhor sobre a realidade brasileira antes de falar besteira. O metalúrgico está construindo um novo país, mais justo e igualitário, e isso incomoda a elite, que sempre se apropriou das riquezas do país. Agora, os pobres são prioridade e a grande imprensa se alia aos demo-tucanos contra o governo popular e trabalhista. Tenho dito. Vê se melhora um pouco o seu nível de conhecimento da realidade, Sr. Ceni,
Nicolas Faria Diz: 27/agosto/2009 at 5:27 pm
Gostaria de informar o Sidney, mensagem enviada às 3:44pm, que eu não vejo um novo país sendo construído pelo “metalúrgico” (ou seria sindicalista?), como você mesmo disse.Vejo que no Brasil nunca existiu tanta roubalheira como nos dias de hoje.Vejo um político que se tornou maior que seu partido ter que multiplicar os “ganhos” (leia-se roubo) dessa corja que ele chama de companheiro porque ele não consegue levantar votos pra sua “sucessora”.Vejo um monte de famílias, fora do eixo Sul-Sudeste principalmente, vivendo com Bolsas-Esmolas porque esse tipo de “benefício” angaria voto pro seu suposto idealizador. Nunca nos esqueçamos que o MAIOR PLANO do “Governo(?)” Lula chama-se RUTH CARDOSO, idealizadora do “maravilhoso(?)” Bolsa-Família.Vejo Dólares em Cuecas, ouço sobre mensalões, assisto absolvições esdrúxulas que só me fazem diminuir o meu orgulho em ser brasileiro.Não vou culpar o Lula por ser assim, entenda uma coisa, TALENTO EDUCA-SE NA CALMA; CARÁTER, NO TUMULTO DA VIDA. Ele realmente treinou muito bem os seus dotes, porém mostra aos poucos o seu verdadeiro caráter, porque nunca teve a vida difícil que todos pensam que teve, e ele corretamente vende essa imagem.Não sou PTista, não sou PSDBista, não sou PMDBista, não sou do meio político.Sou antes de qualquer coisa BRASILEIRO e não me importa quem esteja no poder, mas o faça com decência, dignidade, amor ao país, ao povo, ao passado, à cultura.Não quero mais um que pense em seus interesses pessoais e que quer usar a política pra ter uma aposentadoria melhor.Quero alguém sério, direito, com princípios, NACIONALISTAS, BRASILEIRISTAS.O pior do brasileiro é o próprio brasileiro, e isso só mudará quando primeiramente LEMBRARMOS em quem votamos, e, se quem está no poder não for o nosso escolhido, cobrá-lo de qualquer forma, porque no final das contas eles governam o NOSSO PAÍS, com o NOSSO DINHEIRO e nos devem explicações SIM de como gastam e administram o nosso suado e batalhado dinheiro.Não votei no Lula e nunca votarei, mas sei que possuo o DIREITO ADQUIRIDO de COBRÁ-LO por, no mínimo, um país com um pouco mais de decência.Menos roubalheira é o mínimo que posso exigir, e olha que ainda estou sendo bom por “só” cobrar o mínimo…
Abaixo meu pequeno protesto:
” REZEMOS para que haja uma crise de NACIONALIDADE, de BRASILIDADE, de SANIDADE, para que os governantes (deputados, vereadores, senadores, prefeitos e governadores) se apiedem dos miseráveis que os levaram ao poder e, caso falhe, para que a Nação, mesmo extenuada, possa REAGIR através de estudantes, mães, e o que resta das forças que juraram defender a Pátria ! ”
Desculpas por tomar o tempo de todos,abraços.
Nicolas Faria
Vinicius Diz: 27/agosto/2009 at 5:35 pm
Sidnei,
Você está lendo demais o blog do Paulo Henrique Amorim.
Roberto Diz: 27/agosto/2009 at 5:50 pm
SIDNEY,EM QUE PAÍS VOCÊ VIVE PARA FALAR TANTAS ASNEIRAS, OU MELHOR EM QUE PLANETA.ACORDA.PARABÉNS ROGERIO FAÇO MINHAS SUAS PALAVRAS
Gabriel Diz: 27/agosto/2009 at 6:04 pm
Deveriam se informar melhor esses que dizem que o país está uma maravilha, isso sim.
Governo que vive do populismo e da falta de informação do povo esse.
João Diz: 27/agosto/2009 at 6:17 pm
É Sidney, o Metalúrgico que todos elegeram para mudar a política deste país, subiu no palanque de mãos dadas com Collor e Sarney. Caráter não se negocia meu caro. PT is DEAD. O sonho acabou. Abra os olhos…ou se já abriu, tire a máscara, o velho discurso não cola mais, as práticas são idênticas, senão piores…..
Marcio Diz: 27/agosto/2009 at 6:19 pm
Não sou aquele fã do Rogerio Ceni,porem o seu comentario me parece que reflete o que a maioria do povo gostaria de falar caso tivesse esta oportunidade na midia
Parabens Rogerio Ceni
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Pílulas... (8)
Um parque de diversões da Grã-Bretanha proibiu os visitantes de levantar os braços nas montanhas-russas, depois que vários clientes se queixaram do mau cheiro nas atrações.
A administração do Thorpe Park, no condado de Surrey, colocou avisos nas filas para os brinquedos e distribuiu desodorantes para que os funcionários apliquem nos clientes.
Segundo Mike Vallis, diretor do parque, muitos visitantes reclamaram do mau cheiro durante uma onda de calor no mês de junho.
Ele disse que a combinação do calor com as "emoções" das montanhas-russas pode produzir um excesso de mau cheiro.
"O corpo humano reage ao medo e aos sustos produzindo mais suor", afirmou.
Um assessor de imprensa do parque disse que pessoas com "mau cheiro" não serão proibidas de entrar nas atrações, mas serão abordadas discretamente com um pedido para que apliquem desodorante.
O assessor negou que tudo não passe de uma jogada de marketing.
"Podem dizer que é apenas para fazermos propaganda, mas a verdade é que levamos a sério os comentários dos nossos clientes", disse.
Nota: Será que lá também tem um José Serra? E quando entrar o verão aqui? Dentro das baladas será proibido levantar os braços?
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Piada (4)
- Porque ele trabalha muito, é cheio de preocupações e é muito inteligente.
- Ah... E por que você tem tanto cabelo?
- Cala a boca menina.
Piada (3)
- Não.
- Vamos Mamãe... compra um sutiã p'ra mim.
- Eu já te disse NÃO!
- Mas mamãe, eu já tenho 13 anos.
- Não me amole, Artur...
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Lembranças... (22)
Há muito tempo atrás, todo final de ano próximo do Natal, minha turma realizava o tradicional “Amigo Secreto” às avessas. No nosso caso, “Inimigo Secreto”. A graça estava em sacanear o “amigo-inimigo”, com as bolas foras que ele deu durante o ano ou pisar em seu “calo”.
A diversão ficava por conta da criatividade dos participantes que a cada ano se superavam mais e mais. Eu, por ser o mais velho da turma, sempre ganhava presentes no estilo “fralda geriátrica”, Korega Fix (prá dentadura) e até chupetas e mamadeiras (por causa das minhas namoradinhas).
Durante aquele ano, o João e a Maria (lembrando que são nomes fictícios) começaram a se envolver e acabaram por namorar. No melhor estilo Friend´s (Chandler e Mônica), o namoro ficou firme e foi apoiado pela turma toda, que adorou o surgimento de um casal em nosso meio, o que evitaria riscos de termos que admitir alguém de fora que não fosse legal.
No final daquele ano preparamos o “Inimigo Secreto” e fizemos o sorteio. Eu peguei a Maria (nome fictício). Fiquei semanas pensando em como “sacanear” com ela. Que “presente” iria dar? Qual seria o seu “calo”? Qual a bola fora ou a pisada de bola que ela tinha dado?
Conversando com um e outro da turma, sem que levantasse suspeitas, lembrei que ela vivia sendo provocada pela ex do João. Pronto! Estava escolhido o presente: um par de luvas de boxe, um esparadrapo, uma gaze e um mertiolate. E o discurso de entrega seria: “O par de luvas de boxe é prá ela se defender e até bater. O resto é prá caso ela apanhe da ex”. Estava perfeito. Seria a sensação da festa.
Durante nossos encontros, festas e churrascos havia muita zuação entre a turma. E o João e Maria sempre tinham que ouvir “piadinhas” sobre a ex dele, do tipo: "cuidado que ela vai te bater, ela tá montando uma gangue prá pegar os dois, etc".. Esse era um dos calos dos dois.
Até que um dia, sem a Maria estar por perto, o João pediu que não fizesse mais brincadeiras desse tipo pois eles estavam firmes e isso os incomodava.
E eu que já tinha bolado o presente da Maria e a piadinha de entrega, fiquei perdido. Faltava menos de uma semana para a entrega do “Inimigo Secreto”. Eu estava tão feliz com minha escolha que nem tinha pensado em outra coisa.
Não vi alternativa senão ir conversar com o João e pedir autorização prá uma “última” piadinha do gênero. Minha desculpa seria que no “Inimigo Secreto” valia tudo.
Puxei-o de lado e falei:
- Cara, preciso conversar com você!
- Pode falar, respondeu percebendo minha cara de preocupado e nervoso com o assunto.
- Meu... seguinte... olha... (suspirei procurando a melhor maneira de pedir permissão para uma última piada num assunto, agora, super delicado). E continuei: eu peguei a sua mulher e...
E ele me interrompeu:
- Tudo bem, Neto... o Tião e o Juca também já pegaram. Mas isso foi antes da gente namorar. Mas agora é vida nova prá gente. Fique tranqüilo.
Atordoado, eu tentei terminar a frase e me explicar, prá que não ficassem dúvidas sobre o assunto: “cara, eu peguei a sua mulher.... no Inimigo Secreto...”.
Ele ficou vermelho e ainda sorriu. Eu não pude evitar uma sonora gargalhada. Não conseguia parar. Esqueci até do que eu tinha ido falar com ele.
Acabei comprando outro presente, que nem lembro o que era. Mas não perdi a oportunidade de, na hora da entrega, dizer: “A minha inimiga secreta que eu TIREI é a...... Maria!!”.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Pílulas... (7)
Está certo... Lei foi feita prá ser cumprida. Os bandidos que aguardem (e agradeçam!!!).
Pensando... (12)
A partir da zero hora de hoje começa a vigorar, em todo Estado de São Paulo, a lei anti-fumo, instituída pelo governador José Serra (possível candidato a Presidência da República no próximo ano).
Quero deixar claro que sou fumante. E como tal, concordo, “em partes” com a nova lei, muito embora acredite que ela não vai vingar, seja porque é inconstitucional, por estar em conflito com uma lei federal anterior à ela (nota: a lei estadual não tem o poder de revogar a federal, podendo conviver em harmonia com esta, desde que venha a legislar somente sobre pontos vagos), seja por que a maioria das leis no Brasil acabam “não pegando” (vide lei seca, proibição de venda de bebidas em restaurantes de beira de estrada, teste do bafômetro, lei do silêncio, entre outras várias).
Como disse que concordo “em partes” com essa nova lei, necessário se faz explicar em quais.
Concordo que não se deva permitir fumar em lugares fechados, como por exemplo, ambientes de trabalho, cinemas, ônibus, aviões, cabeleireiras/barbeiros, postos de gasolinas, RESTAURANTES, repartições públicas, lojas, shopping center´s, hospitais, igrejas, templos, escolas, clínicas médicas e odontológicas, etc.
Porém, mesmo antes desta lei entrar em vigor, já havia uma proibição velada contra o fumo nesses lugares. Senão vejamos: mesmo não havendo placas, ninguém fuma em hospitais, cinemas, escolas, ônibus, aviões, shopping center´s e repartições públicas (estas últimas, com leis próprias).
Em lojas, cabeleireiros, clínicas médicas, odontológicas, igrejas e templos geralmente ninguém fuma. Talvez porque, se acender um cigarro, o fumante seja fuzilado pelos olhares dos freqüentadores. Mais de 90% dos fumantes têm consciência de onde fumar ou não. Isso é fato!
Tenho escritório de advocacia. Nele, posso fumar, pois quem iria me delatar? Minha secretária? Meus clientes? Se não fumo, é por respeito à ela e aos meus clientes não-fumantes. Mas nada ou ninguém me impediria de fumar ali, se quisesse. Quando me dá vontade, vou até o quintal ou na calçada em frente.
Essa nova lei regulamenta a proibição nesses lugares já citados e, principalmente em ambientes de trabalho, porque havendo um fumante no local, os não-fumantes acabam inalando fumaça durante todo o expediente, ou seja, no mínimo oito horas por dia, cinco dias por semana.
Concordo que um não-fumante inalando fumaça de cigarro durante o dia todo em seu ambiente de trabalho terá uma grande probabilidade de desenvolver problemas respiratórios, entre outros, em razão de sua passividade.
Mas daí proibir o fumo em lugares de diversão como bares e danceterias vai uma distância enorme. Senão vejamos.
Os não-fumantes estão “alegrinhos” com a nova lei e agradecendo ao governador Serra pela iniciativa. Mas pergunto: quantas horas por dia uma pessoa passa dentro de um bar ou danceteria (a exceção de garçons e o próprio dono)??? Se a pessoa for “baladeira profissional”, passará no máximo, algumas poucas horas por semana dentro de um bar. Algo em torno de 2 ou 3 horas semanais, prá dizer muito. E dentro de uma danceteria??? Mesmo indo toda semana, fica-se dentro da danceteria umas 3 horas apenas.
Então fica a pergunta: o que vai mudar na vida de um não-fumante que inala fumaça de cigarro durante 2 ou 3 horas semanais (tomando por base que saia toda semana)??? A própria poluição vinda dos carros, mesmo em cidades pequenas, é muito maior que essas poucas horas dentro de danceterias e bares.
Podem alegar que os garçons sofrem com a fumaça. Ora, se está incomodando que vá trabalhar num hospital (desculpem minha sinceridade!!!). Afinal, se a pessoa tem problemas respiratórios, não trabalha numa fábrica de cimento, cal ou que tenha pó. Se tem alergia, rinite ou sinusite, não trabalha em postos de gasolinas. E por ai vai...
Não entendo o que vai mudar na vida de um não-fumante a proibição do fumo em bares e restaurantes. Principalmente porque esses mesmos não-fumantes, que estão felizes com a nova lei que irá “poupar” seus pulmões, não estão nem um pouco preocupados com seus fígados e estômagos, pois é sabido que a bebida causa diversos males à esses órgãos (dizimam células do corpo humano e matam neurônios, que além de não serem produzidos pelo corpo humano para reposição, ainda colabora para tornar a pessoa mais burra).
Talvez seja isso. Por beberem demais e terem reduzido a quantidade de neurônios de seus cérebros é que os não-fumantes estão alegres com tal lei, sem atentar para o fato de que nada mudará em suas vidas.
Enquanto isso continuarão inalando fumaça de cigarro nas ruas, dentro dos automóveis, de residências e no ambiente de trabalho onde o fumo continuará "permitido" (duvido que um funcionário denuncie um patrão prá que ele seja multado).
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Lembranças... (21)
Há muito e muitos anos atrás, em Itararé, cidade vizinha de Itapeva, numa fria madrugada de inverno, três amigos bêbados voltavam prá casa quando passaram ao lado do muro do cemitério, que fica muito próximo do centro.
Prá quem não conhece, o cemitério de Itararé possui, em seu interior, lindas capelas e mausoléus onde estão enterradas famílias inteiras de antigos coronéis da cidade. Mas essa beleza é diurna, pois a noite torna-se assustadora.
Aproveitaram o local e a ocasião e começaram a falar sobre fantasmas e almas penadas. Foram unânimes em dizer que fantasmas não existiam e que, mesmo que existisse, não teriam medo se encontrassem com um pela frente. Bêbados, resolveram apostar prá ver quem falava a verdade.
Pela aposta cada um teria que entrar sozinho no cemitério, dirigir-se a um determinado mausoléu pré-escolhido por eles (claro que era o mais fantasmagórico de todos), descer as escadas, chegar ao salão e pregar seu próprio lenço de bolso na parede, com a ajuda de um prego, como prova de que realmente esteve lá. No dia seguinte, o lenço que não estivesse pregado na parede era o mais medroso.
E lá foi o primeiro. Martelo na mão, prego e seu lenço azul claro. O frio da noite parecia que aumentava à medida que entrava no cemitério. Avistou o mausoléu, parou na entrada, respirou fundo e, se escorando pelas paredes, foi descendo as escadas rumo a uma escuridão que não permitia ver nem mesmo a ponta do nariz.
Nas paredes podia sentir argolas, tampas de túmulos, saliências, flores, até que chegou ao outro lado do salão. Segurou o lenço azul claro junto à, apontou o prego e martelou uma, duas vezes... e saiu voando escada acima, tropeçando, sem respirar rumo aos dois amigos que estavam do lado de fora do cemitério.
Entregou o martelo ao segundo apostador, que entrou no cemitério com seu lenço amarelo e dirigiu-se ao mausoléu, tremendo ainda mais que o primeiro. Longos minutos se passaram e de repente eis que surge em disparada, sem ar e pálido de medo, para se juntar aos outros dois.
O terceiro entrou no cemitério com o martelo e seu lenço branco, sumindo na escuridão. Os outros dois aguardavam do lado de fora enquanto “ouviam” aquele silêncio aterrorizante e pássaros noturnos que faziam estranhos barulhos que misturado aos uivos produzidos pelo vento nas folhas das árvores, deixava o local mais sinistro ainda.
Com a demora do terceiro, começaram a ficar preocupados. Tentavam olhar prá escuridão na busca de algo ou alguém, mas não se atreviam a entrar. Talvez pelo medo ou pela aposta, teriam que ficar ali, aguardando sua volta.
De repente um grito ensurdecedor veio de dentro do cemitério. Os dois tremeram e se aproximaram um do outro, quase que se abraçando. No meio da escuridão profunda do cemitério eis que surge o terceiro, numa disparada digna de velocista olímpico, branco como um lençol e gritando desesperadamente, como se estivesse fugindo de algo ou alguém.
Sem pestanejar os outros dois correram antes mesmo que o terceiro chegasse. Numa gritaria louca voaram e só pararam quando chegaram na praça da cidade, um local bem iluminado e menos perigoso.
O terceiro, com a boca seca, faltando de ar e gaguejando muito, começou a se explicar:
- Eu... entrei... tava tudo escuro... aquele silêncio... fui encostando na parede... senti um prego... o outro prego.... peguei o meu lenço e o prego... dei três marteladas bem forte... me virei e... senti que alguém me segurava... pela manga do meu casaco... Meu Deus... puxei e nada... tornei a puxar e senti que estavam me segurando forte... de verdade.... me desesperei... gritei... me mijei todo... não tive coragem de olhar prá trás... tirei meu casado e sai correndo.... não volto nunca mais lá... tem fantasma... tem fantasma lá... eu vi... eu senti ele me segurando... Deus me livre!
Os outros dois ouviram a história enquanto sentiam os pêlos dos braços arrepiando e as orelhas gelando de medo. Decidiram ir prá casa e no dia seguinte, as 8h00 da manhã, voltar ao mausoléu ver se encontravam alguma pista sobre o fantasma. Prá não correr riscos, deram a volta pelo outro lado da cidade, prá não ter que passar por perto do cemitério de novo.
No outro dia, no horário combinado, lá estavam os três na porta do cemitério. Mesmo de dia, notava-se que estavam com medo, muito medo. Entraram, dirigiram-se ao mausoléu e o que foi agarrado pelo fantasma ia atrás dos outros, encolhido, segurando a ponta do casaco de um deles.
Desceram as escadas e tentaram fixar os olhos na escuridão que reinava naquele salão tenebroso. A medida que os olhos foram se acostumando, perceberam o lenço azul claro do primeiro pregado num prego torto. Mais abaixo e ao lado viram o lenço amarelo do segundo também pregado na parede.
Quando a vista se acostumou totalmente, puderam perceber que o terceiro, que era o que estava com mais medo, na ânsia de pregar o lenço e sair rapidamente dali, acabou por pregar a própria manga do casaco na parede. Quando tentou sair, lógico que foi “seguro”. Não pensou duas vezes: Desesperado e achando que estava sendo agarrado por um fantasma, tirou o casaco e correu em disparada, sendo seguido pelos outros dois.
Depois de suspirarem aliviados lá foram os três mentirosos e medrosos amigos beber no Boteco do Tadeu prá acalmar os "nelvos".
sábado, 1 de agosto de 2009
Pensando... (11)
De lá prá cá comecei a notar que a imensa maioria dos jogadores, quando fazem gols, apontam para o céu ou mostram camisetas com frases que contém as palavras “Jesus” ou “Deus”. Notei, também, que antes do início do jogo, muitos levantam os braços e, de olhos fechados, parecem orar. Será que Deus assiste TV? E se assiste, prefere o Galvão Bueno ou o Luciano do Valle?
Fiquei pensando no “teatro” que tem se transformado a “adoração” a Jesus. Discordo totalmente disso.
Outra coisa que me deixa indignado é a frase “Deus é fiel”. Oras, quem tem que ser fiel somos nós para com Deus. Deus é pai e como tal ama todos seus filhos igualmente, não preferindo um em detrimento de outro.
Tenho uma amiga quarentona (e crente!) que há mais de 15 anos diz que Deus vai “providenciar” um marido "bem bom" prá ela. E lá segue ela firme e aguardando, sem nem sair de casa. Talvez por homem nenhum prestar é que Deus ainda não mandou nenhum marido prá ela. Se ao menos ela tivesse pedido um marido “mais ou menos” facilitava, e muito, a missão Dele.
Os mais fanáticos podem alegar que estão cumprindo a palavra de Deus, em uma missão de salvar o mundo. Mas Deus não precisa da nossa ajuda, pobres mortais que do pó viemos e ao pó voltaremos, seja prá salvar ou prá acabar com o mundo, pois bem me lembro que Ele mesmo já destruiu cidades (Sodoma e Gomorra), inundou a terra num dilúvio e salvou seu povo da perseguição dos Romanos e os levou à Terra prometida.
Quem somos nós prá “ajudar” Deus. Temos, sim e apenas, que seguir seus ensinamentos e mandamentos.
Não sou freqüentador de missas ou cultos religiosos. E nem vou entrar aqui no mérito se Deus existe. Mas pelo que me lembro, parece ter um mandamento que diz: “Não levar (ou levantar) Seu Santo nome em vão”.
Nossos esportistas (e muitas outras pessoas) ferem esse mandamento, pois tudo é por Deus, pelo Senhor, pela vontade Dele, pelas graças recebidas, etc. Prá tudo colocam Deus e Jesus no meio. Isso é levantar Seu Santo nome em vão sim!
Pergunto: aquele jogador que fez o gol “graças a Jesus”, é porque tinha crédito com Jesus enquanto o goleiro não tinha? E o jogador que orou antes das partidas e durante o jogo xingou o juiz, chutou o adversário e brigou com a torcida? De que adiantou invocá-Lo?
Acredito no livre arbítrio. Deus nos colocou no mundo e nos deu a liberdade para decidir nossos caminhos, orientando apenas que seguíssemos seus mandamentos.
O Ronaldinho Gordo teve três terríveis contusões e voltou a jogar. Jogadores disseram que foi a vontade de Deus que o fez jogar novamente. Mas e as contusões, foi Deus que quis que ele se machucasse?
Sendo tudo pela vontade de Deus, torna-se curioso notar como Ele muda de time constantemente. Nos últimos 3 anos Ele foi sãopaulino, afinal somos tri-campeões brasileiro. Este ano Ele começou corintiano, que foi campeão paulista e da Copa do Brasil.
Ainda bem que o Vaticano não montou uma seleção de futebol, senão ia ganhar todos os campeonatos que disputasse! Se bem que seria curioso ver os padres jogando de batina e sandálias.
Francamente! Você crê em Deus? No seu Deus? Não precisa ficar fazendo propaganda Dele sempre que aparece um microfone ou câmera de TV. Recolha-se, ajoelhe e ore.
Sei que tudo isso que estou dizendo vai me trazer diversas críticas, comentários ácidos e rancores. Mas aprendi que religião, futebol, OVNI´s e vida após a morte não se discute, pois ninguém tem razão ou conhecimento total sobre o assunto.
Apenas estou externando minha indignação com o que tenho visto frequentemente na TV. E oro à Deus para que parem de levar seu Santo Nome em vão o tempo todo.
Pensando... (9)
“SE”, veja bem, “SE” um motorista for pego pela Polícia dirigindo depois de beber (nem que sejam apenas dois copos de cerveja) pode até ir preso... mas “SE NÃO” for pego, torna-se um homicida em potencial.Praticamente um homem-bomba.
O bêbado sempre se torna uma pessoa inconveniente. É chato, vira valentão, briga com quem está se divertindo e acha que está bom para dirigir seu carro, pois é um Ayrton Senna ao volante.
E os fumantes? Ah! Eles exalam mau cheiro e uma fumaça horrível que é prejudicial à saúde até de quem não fuma. Mas quantas pessoas morrem por ano no Brasil vítima de motoristas bêbados ou assassinos/bandidos que estão sob efeito do álcool? E alguém já ouviu falar de alguém que se “embebedou” de cigarro e provocou um acidente? Alguém conhece alguma pessoa que morreu por ser fumante passivo? Eu não...
Pensam que com isso vai diminuir o consumo de cigarros no Brasil. Não vai, pois o fumante deixará de ir nesses lugares e ficará em casa, muitas vezes fumando ao lado de crianças, mulheres grávidas, velhos e até mesmo doentes.
Conscientização seria a palavra correta, e não proibição!
Você sabia que para cada 20 cigarros que tem dentro de um maço, 17 vão para o governo em forma de impostos? Logo, se diminuir o consumo de cigarros, diminui a arrecadação do Governo. E sabe quem vai pagar isso? Os não-fumantes também...
A desculpa geralmente é que o Estado gasta muito com internações, médicos e hospitais prá fumantes e ex-fumantes. Gostaria que me apresentassem o total arrecadado em impostos com cigarros e o total gasto pelo Governo com eles. Sem ter idéia de quanto seja, aposto que a proporção é de que se arrecade 1 milhão de reais prá cada 1 real gasto com a saúde. Ou mais!
Se o Governo não sabe direcionar o que arrecada com impostos para os gastos necessários, não adianta achar medidas paliativas. Pois quem não fica doente pelo cigarro, fica pela poluição, por acidentes de carros, por cirroses, por cânceres que não advém do fumo, etc. E continua sem leitos, hospitais e remédios.
Já que estamos no país dos impostos, onde temos uma carga tributária de quase 40% com CPMF, ISS, IPI, etc, porque não majoram em 1 real o maço de cigarro e utilizam esse dinheiro na Saúde? Aposto que ainda sobraria para construir hospitais, centros de saúde e comprar remédios.
Dizem que fumantes são sem educação. Discordo! Alguns poucos podem até ser, mas a imensa maioria respeita. Senão vejamos: Alguém já viu placa de “Proibido Fumar” em Igrejas e Templos Ecumênicos? Em Hospitais? Dentro de Ambulâncias? Em Farmácias? Não, porque não precisa. E alguém já viu alguém fumando nesses lugares? Também não. Assim como em restaurantes que proíbem fumar, não se fuma.
Agora, proibir em qualquer lugar? Repito: é pura hipocrisia.
E prá você que concorda com a Lei Anti-Fumo, eu pergunto: você anda com máscara prá não inalar a poluição que sai dos escapamentos dos carros ou das fábricas? Usa máscaras em casa prá se precaver da poeira, mofo, bolor e ácaros? Sua alimentação é natural? Você não come nada enlatado e nem se afoga em refrigerantes? Você pratica esportes rotineiramente?
Não estou defendo os fumantes. E nem é pela minha condição de fumante (como eu queria dar uma baforada na fuça do Serra!). O que me irrita é essa lei hipócrita, que permite vender o produto, mas proíbe seu consumo. Ao contrário da maconha, que tem proibido o comércio, mas se alguém for pego com um cigarrinho de maconha na boca não acontece nada. Nem preso vai mais.
Está proibido fumar em bares e danceterias. Mas uma pessoa que cuida de sua saúde e pratica exercícios regulares fica até tarde acordada e freqüenta esses ambientes? Claro que não. Inclusive os não-fumantes que reclamam, na primeira oportunidade estão beijando um fumante numa balada. E ainda vem reclamar? Hipócritas, isso que são!
Querem fazer, façam certo. Conscientizem os fumantes. Proíbam lugares como Restaurantes (pois nem mesmo os fumantes suportam comer com fumaça de cigarro), locais de trabalho, estádios e ginásios, shoppings e mercados, etc.
Hoje reclamam que as danceterias fedem cigarro. Quero ver no alto verão, essas danceterias lotadas com aquele povo se derretendo de tanto dançar. Vai feder suor, sovaco, chulé, “mix” de desodorantes e perfumes... Vou rir muito disso ainda!
Vou encerrar, pois me deu vontade de fumar. Então deixo a seguinte sugestão: que tal criar uma lei proibindo de freqüentar bares e danceterias as pessoas que usem certos tipos de desodorantes e perfumes cujo odor chega a arrancar lágrimas de nossos olhos? Ou pessoas que fedem sovaco puro? Ou pessoa que tem hálito (ou bafo) de quem acabou de comer carniça? Ou quem solta aqueles pum fedorentos? Deviam proibir até crianças com a fralda carregada de cocô, pois aquilo fede demais!
Só por curiosidade: como anda nossa camada de ozônio? E nossas florestas? E o mico-leão-dourado? E as baleias? E o Rio Tietê? E o degelo das calotas polares? E os políticos que roubam e não são presos?
Francamente... Hipócritas, isso que vocês são!
Pensando... (8)
Pois bem.
Gostaria de saber se vão (e como vão) proibir os PRESOS de fumarem, afinal eles, mais do que ninguém, estão num lugar fechado.
Será que a lei realmente é prá todos?
Lembranças... (20)
Morava em Ponta Grossa, numa república com mais seis colegas de Faculdade. A república era um entra e sai de gente, a maioria nem conhecíamos. Eram amigos, amigos dos amigos, conhecidos dos amigos, conhecidos dos conhecidos dos amigos, e por ai afora.
Não é de se estranhar que algumas coisas sumiam e outras apareciam na república. E uma dessas coisas que apareceu foi um suspeito pacotinho de plástico, que tinha um montinho fedido. Parecia ser maconha, mas por desconhecimento, não tínhamos certeza.
Por meses aquele pacotinho ficou em cima da geladeira. Uma noite, estava eu e o Cláudio de bobeira na sala da república, quando surgiu a idéia de “sacanear” o povo. Desfizemos dois cigarros de papel (um Marlboro e um Carlton), enrolamos o fumo num papel de seda que tiramos da caixinha de cigarro e, prá não deixar pistas, jogamos na privada o pacotinho com a maconha.
Chamamos a galera no quarto e avisamos que tínhamos feito um “cigarrinho do capeta” com o pacotinho que estava em cima da geladeira. E começamos a tragar, fazendo caras e bocas de doidões.
Um a um os moradores da república foram chegando e perguntando se era bom, se dava “barato”. Fingíamos estar malucos, “viajando”, levitando. Foi o suficiente pra um dar uma tragada. E mais outro. E outro. Logo, todos estavam estirados na sala, “viajando” no embalo das tragadas.
Um dizia que estava vendo vacas voando. Outro fingia nadar no chão da sala. Outro andava vagarosamente de um lado pro outro, em câmera lenta. E outro, de olhos fechados, cantarolava uma canção num “embromation“ pseudo-inglês.
Eu e o Cláudio só riamos e nossos colegas achavam que era efeito do “cigarrinho do capeta”. Curioso foi escutar, no dia seguinte, dois deles dizendo que a “droga” era de péssima qualidade, pois tinha dado dor de cabeça.
Lembranças... (19)
Sua fama corria entre os estudantes de todas as escolas e prá tudo que acontecia, o primeiro suspeito sempre era o Marcelo.
Na época não havia cursinho pré-vestibular em Itapeva, o que obrigava a gente a ir morar e estudar em Sorocaba. O Marcelo foi um ano antes de mim, com alguns amigos nossos. E lá aconteceu a história que vou contar.
Os “itapevenses” sempre moravam na pensão da dona Maria, uma senhora crente que tinha um sobrado perto da rodoviária. Ano após ano, ela recebia novas turmas de estudantes que ficavam lá até passarem no vestibular.
Na pensão havia estudantes e trabalhadores, que dividiam os vários quartos. Um dos moradores da pensão era um japonês, baixinho como todo oriental e de falar pouco, que trabalhava numa fábrica na cidade. Ele sempre era o primeiro a acordar, tomar banho, café e seguir pro trabalho.
Sempre que os “estudantes” levantavam, a cama do japonês já estava arrumada, mas naquele dia ele ainda estava deitado. O Marcelo foi acordá-lo e ouviu que ele não iria pro trabalho, pois tinha que fazer uns exames médicos.
Desceram para tomar café e o japonês ficou no quarto. Na cozinha, o Marcelo percebeu, no cantinho ao lado da pia, um potinho embrulhado dentro de vários sacos plásticos, com o nome do japonês e perguntou prá dona Maria que era aquilo.
- Pelo amor de Deus, não mexa nisso ai. É o cocô do japonês, que ele vai levar no laboratório pra exame. Não mexe, porque tá bem fechadinho, disse ela.
Foi a mesma coisa que dizer “mexa” pro Marcelo, que olhava hipnotizado pro pote, enquanto todo mundo tomava café e conversava.
Dois dias depois, quando os estudantes voltavam da aula, viram que havia uma ambulância na frente da pensão. Entraram preocupados e foram até a cozinha, onde escutaram alguns gritos. Lá estava o japonês se debatendo contra dois enfermeiros que a muito custo conseguiram coloca-lo na ambulância e sair em disparada pelas ruas da cidade.
Um ficou perguntando pro outro o que tinha acontecido e ninguém sabia responder. Ninguém entendeu nada.
Alguns dias depois o japonês voltou prá pensão. Cara de cansado, olheiras, mais magro. Todos foram perguntar o que tinha acontecido, o porquê e prá onde o tinham levado.
Pacientemente, o japonês explicou que o exame de fezes que ele tinha feito, tinha apontado vermes, doenças contagiosas, fragmentos de ossos e carne ingerida crua. E que por conta disso, ele foi interrogado por médicos que acharam que ele, possivelmente, comesse carne humana.
Ele contou que fez dezenas de outros exames, além de novos exames de fezes, sendo que todos tinham dado resultados satisfatórios, mas mesmo assim os médicos o queriam em observação. E que ainda teria que voltar regularmente ao Hospital, sob pena de ser internado novamente.
Era noite e todos estavam na cozinha ouvindo a história, entre preocupados e solidários, até que o Marcelo explodiu numa diabólica gargalhada. Os que estavam mais próximos dele fizeram cara feia, reprovando a atitude em razão do sofrimento do japonês.
Rindo muito, o Marcelo disse que o japonês não tinha nada, pois ele “apenas” tinha trocado a fezes do potinho pelo cocô do cachorro que a Dona Maria tinha no quintal da pensão.
Uns riram. Outros ficaram chocados. O certo é que o japonês saiu em disparada atrás do Marcelo, que até hoje não me contou onde ele dormiu naquela noite.