Continuação de Lembranças... (11):
Cheguei em São Paulo e liguei pro Fabinho Mattarazo convidando-o a ir ao Hospital das Clínicas visitar nosso amigo que lá estava internado lá.
Ele foi me buscar na rodoviária, pois sou uma negação andando em São Paulo. Me perco até dentro de estação de Metrô.
Na entrada do Hospital encontramos vários familiares de nosso amigo e vimos a preocupação da mãe dele em como organizar tanta gente para apenas meia hora de visita. E como só podia entrar dois de cada vez, comentei com o Fábio que não ia dar prá gente ver nosso amigo, pois a família deveria ter prioridade, o que ele concordou imediatamente.
Nos despedimos dos familiares e deixamos um abraço com a mãe de nosso amigo para ser transmitido a ele.
Era duas horas da tarde. O próximo ônibus de volta prá Itapeva (já que prá praia eu não podia voltar mesmo), só sairia as 6. O que fazer até lá?
Fomos numa praça que tem dentro do Hospital das Clínicas e ficamos conversando. Vendo meu violão, o Fábio pediu prá eu tocar. Tirei-o da capa e começamos a cantar. Baixinho, pois estávamos "dentro" do Hospital.
De repente, escutamos um “psiuuu”. Parei de tocar. Olhamos ao redor e nada. Alguns segundos e outro “psiuu”. Ué? Mas agora não estávamos tocando mais. Porque a insistência nos “psiu´s”?
Escutei alguém chamar: “Pauloooo”. Olhei prá cima e duas enfermeiras que estavam na janela do terceiro andar acenavam prá gente com as duas mãos, com metade do corpo prá fora e numa empolgação que parecia que iam pular.
Eu ri e pensei: “de novo, não”.
Nisso, flagro o Fabinho fazendo sinal prá elas descerem. Olhei prá cima e as enfermeiras sumiram. Falei pro Fabio: “Você ta louco? Que você ta fazendo?”. Zuando, como sempre, ele me disse: “Fica frio, Benê!”.
Uma porta lateral do Hospital se abriu. Levantamos do banco e caminhamos em direção à ela, onde as duas enfermeiras pulavam e gruniam (incrível, mas eu achava que só existia isso em filmes).
Não agüentando esperar pelos nossos passos lentos (afinal, eu tava andando prá não chegar, com medo de perceberem que estavam sendo enganadas), elas se apressaram e vieram em nossa direção.
Corrigindo: em minha direção. Fui abraçado, apalpado, descabelado, beijado. Hoje entendo a necessidade de seguranças seguindo astros pop, pois se duas estavam fazendo aquele estrago comigo, imagina uma multidão?
Elas não se continham e me chamavam de Paulo Ricardo o tempo todo. Conseguindo acalmar as enfermeiras, o Fábio soltou a seguinte pérola:
- Queremos visitar um amigo nosso que está internado, mas a entrada do hospital está muito cheia e se o Paulo Ricardo for até lá vai causar tumulto. Não tem como a gente entrar por aqui sem ninguém ver ele?
Ele falou tão sério que até eu acreditei que o Paulo Ricardo estava ali conosco e o procurei ao redor, até dar conta que ele estava falando de mim. Elas me pegaram pela mão e puxaram pela porta. O Fabinho veio no vácuo.
Passamos pela enfermaria onde vimos cenas tristes e fortes, do cotidiano hospitalar, que choca pessoas que não estão habituadas. Seguimos por corredores até chegarmos a um elevador, sempre sendo puxado pelas mãos (suadas) delas.
O elevador chegou, vazio. Entramos. Senti um frio na espinha diante do medo de ser “estuprado” pelas enfermeiras. Dentro do elevador, mais abraços, beijos, apertões, apalpões.
E o Fábio rindo, rindo muito. Lembro até hoje da cara dele. Hilário.
Como pagamento, tive que tirar de minha mochila duas camisetas e autografar prá elas, enquanto nos deixavam na porta do quarto onde estava nosso amigo.
Lá dentro, enquanto meu amigo estava deitado no leito com os familiares ao seu redor eu tentava explicar o porquê o Fabinho estava, naquele momento, deitado no chão, rindo muito e com as mãos na barriga, numa posição quase fetal.
sábado, 9 de maio de 2009
Lembranças... (11)
Houve uma época que diziam que eu era parecido com o Paulo Ricardo, do RPM. Muito embora fosse o auge do RPM, não dei muita bola.
Eu era mais empolgado com minha banda de rock do que com semelhanças que pudesse ter com alguém. Não queria ser sósia. Queria ser astro por mim mesmo.
Férias e minha família foi prá Mongaguá, uma praia no litoral paulista, onde há uma Colônia de Férias onde sempre íamos. Lá fui com meu inseparável violão.
Como eu estava namorando e apaixonado, fui a contragosto, pois queria ficar ao lado de minha amada. Lá, passava meu tempo na sombra de uma árvore que havia no estacionamento da Colônia, tocando violão. Acho até que voltei mais branco do que fui.
Numa tarde, duas meninas se aproximaram. Tinham entre 8 e 10 anos de idade. Notei que ficaram olhando e as chamei prá sentar no banco comigo, que eu tocaria prá elas.
Após duas ou três musicas, eles pediram prá tocar “Olhar 43”, do RPM. Toquei. Depois, “Loiras Geladas”. Também toquei. De repente, uma deles me chamou de “seu Paulo”. Ri por dentro e toquei todas as músicas do RPM. Elas adoraram, ficaram mais intimas, perderam a vergonha e passaram a me chamavam simplesmente de “Paulo Ricardo”.
A noite, quando eu saia do refeitório, estavam minhas duas amiguinhas na porta com uma mulher, que parecia ser mãe delas. Ao passar por elas, a mulher me chamou: “Seu Paulo”.
Gelei. Com certeza ia levar uma bronca daquelas por ter iludido as pobres criancinhas me fazendo passar por um cantor famoso.
Meio de lado, acho que me preparando prá correr, olhei prá ela, que me disse: “Pode me dar um autógrafo?”.
Simplesmente não acreditei. Até as crianças, tudo bem. Mas a mãe delas também? E eu nem era muito parecido assim. Fazendo charme de artista, falei que depois eu daria. E ela perguntou se eu iria tocar a noite pras meninas. Não respondi e sai de lá antes que eu risse (prá ela deve ter parecido mais charme de artista).
A noite, no mesmo banco, estava eu com meu violão quando chegaram as crianças, a mãe e duas tias. Sentaram a minha frente e começaram a pedir músicas. Do RPM.
Toquei. Toquei de novo. Tornei a tocar, afinal eles tinham apenas um disco lançado. Quando disse que ia embora, a mãe das meninas me cobrou o autógrafo. Agora não tinha jeito. Tinha que dar.
Ela me estendeu um pedaço de papel e uma caneta e eu perguntei prá quem eu deveria dedicar, imaginando que ela diria os nomes das filhas. “Faz prá mim mesmo”. Acho que a mulher se chamava Sônia, não sei ao certo.
E mandei um: “Para Sônia, com beijos do Paulo Ricardo”, cuja assinatura ficou meio indecifrável.
Fui dormir rindo. Aquilo parecia brincadeira. Tinha minhas dúvidas se era eu que estava enganando elas ou elas que me enganavam.
No dia seguinte, perdi o café da manhã, acordei tarde. Acordei, não. Fui acordado. Minha irmã, brava, me chacoalhava na cama, dizendo que quase apanhara de uma mulher que dizia ter sido enganada por um tal de Paulo Ricardo.
Ainda sonolento escutei ela dizer que a mulher estava me esperando lá embaixo e que estava muito brava. Senti uma pontinha de maldade no olhar dela enquanto dizia que eu ia apanhar. Acho até que torcia prá isso
Olhei pela janela e lá estava a mulher, andando de um lado pro outro. Nem lavei o rosto. Joguei minhas coisas dentro da mochila, peguei meu violão e falei prá minha irmã avisar minha mãe que eu estava indo prá São Paulo, visitar um amigo que estava internado no Hospital das Clinicas.
E lá fui eu, escapando pelos fundos da Colônia, agachadinho, temendo ser linchado por uma ex-fã nervosa.
Em São Paulo, no Hospital das Clínicas, fui novamente confundido com o astro pop, o que rendeu uma historia interessante, que vou postar daqui a pouco...
Eu era mais empolgado com minha banda de rock do que com semelhanças que pudesse ter com alguém. Não queria ser sósia. Queria ser astro por mim mesmo.
Férias e minha família foi prá Mongaguá, uma praia no litoral paulista, onde há uma Colônia de Férias onde sempre íamos. Lá fui com meu inseparável violão.
Como eu estava namorando e apaixonado, fui a contragosto, pois queria ficar ao lado de minha amada. Lá, passava meu tempo na sombra de uma árvore que havia no estacionamento da Colônia, tocando violão. Acho até que voltei mais branco do que fui.
Numa tarde, duas meninas se aproximaram. Tinham entre 8 e 10 anos de idade. Notei que ficaram olhando e as chamei prá sentar no banco comigo, que eu tocaria prá elas.
Após duas ou três musicas, eles pediram prá tocar “Olhar 43”, do RPM. Toquei. Depois, “Loiras Geladas”. Também toquei. De repente, uma deles me chamou de “seu Paulo”. Ri por dentro e toquei todas as músicas do RPM. Elas adoraram, ficaram mais intimas, perderam a vergonha e passaram a me chamavam simplesmente de “Paulo Ricardo”.
A noite, quando eu saia do refeitório, estavam minhas duas amiguinhas na porta com uma mulher, que parecia ser mãe delas. Ao passar por elas, a mulher me chamou: “Seu Paulo”.
Gelei. Com certeza ia levar uma bronca daquelas por ter iludido as pobres criancinhas me fazendo passar por um cantor famoso.
Meio de lado, acho que me preparando prá correr, olhei prá ela, que me disse: “Pode me dar um autógrafo?”.
Simplesmente não acreditei. Até as crianças, tudo bem. Mas a mãe delas também? E eu nem era muito parecido assim. Fazendo charme de artista, falei que depois eu daria. E ela perguntou se eu iria tocar a noite pras meninas. Não respondi e sai de lá antes que eu risse (prá ela deve ter parecido mais charme de artista).
A noite, no mesmo banco, estava eu com meu violão quando chegaram as crianças, a mãe e duas tias. Sentaram a minha frente e começaram a pedir músicas. Do RPM.
Toquei. Toquei de novo. Tornei a tocar, afinal eles tinham apenas um disco lançado. Quando disse que ia embora, a mãe das meninas me cobrou o autógrafo. Agora não tinha jeito. Tinha que dar.
Ela me estendeu um pedaço de papel e uma caneta e eu perguntei prá quem eu deveria dedicar, imaginando que ela diria os nomes das filhas. “Faz prá mim mesmo”. Acho que a mulher se chamava Sônia, não sei ao certo.
E mandei um: “Para Sônia, com beijos do Paulo Ricardo”, cuja assinatura ficou meio indecifrável.
Fui dormir rindo. Aquilo parecia brincadeira. Tinha minhas dúvidas se era eu que estava enganando elas ou elas que me enganavam.
No dia seguinte, perdi o café da manhã, acordei tarde. Acordei, não. Fui acordado. Minha irmã, brava, me chacoalhava na cama, dizendo que quase apanhara de uma mulher que dizia ter sido enganada por um tal de Paulo Ricardo.
Ainda sonolento escutei ela dizer que a mulher estava me esperando lá embaixo e que estava muito brava. Senti uma pontinha de maldade no olhar dela enquanto dizia que eu ia apanhar. Acho até que torcia prá isso
Olhei pela janela e lá estava a mulher, andando de um lado pro outro. Nem lavei o rosto. Joguei minhas coisas dentro da mochila, peguei meu violão e falei prá minha irmã avisar minha mãe que eu estava indo prá São Paulo, visitar um amigo que estava internado no Hospital das Clinicas.
E lá fui eu, escapando pelos fundos da Colônia, agachadinho, temendo ser linchado por uma ex-fã nervosa.
Em São Paulo, no Hospital das Clínicas, fui novamente confundido com o astro pop, o que rendeu uma historia interessante, que vou postar daqui a pouco...
Lembranças... (10)
Continuação de Lembranças... (9):
Tocar na inauguração de uma danceteria em Ponta Grossa? Nossa! Seria o máximo.
Na hora nem perguntei se iria ganhar prá isso. O prazer de tocar já era meu cachê (na verdade, nunca ganhei nada prá tocar).
Liguei pro Norberto e pro Fernando. Um morava em Santos e outro em Sorocaba. Já tínhamos uma banda com repertório pronto. Nem precisava ensaiar. Era chegar e tocar.
Não sei porque, mas eles não poderiam vir. Talvez a distância ou outros compromissos assumidos.
E agora? A exigência era clara: tinha que ser banda. Comentei com meus amigos e eles sugeriram montar uma. Falei que era difícil, pois faltavam poucos dias e não conhecia ninguém que fosse músico.
O Fábio falou que tocava piano, logo poderia tocar teclado. O Ronald (apelido “Pitecus”, por causa do cabelo arrepiado) disse que tinha um contra-baixo e sabia tocar. Meus olhos brilharam, afinal eu tocaria guitarra e baterista já tínhamos (o pobre coitado que sempre me seguia). Pronto! Problema resolvido!
Ou não...
Marcamos nosso primeiro ensaio num barracão nos fundos da mineradora de talco da família do Fábio. Mineradora + talco = poeira sem fim. Era tanto pó de talco que se a gente tomasse água e cuspisse, sairia um tijolo da boca.
Mostrei as músicas prá eles. Dez ou doze, não me recordo. Todos conheciam. Até o baterista, pasmem! Acho que ele resolveu se atualizar um pouco ou aprendeu a mentir.
Primeira música. Desastre total. O Ronald parecia que brigava com o baixo. Acho que nunca foram apresentados um pro outro. O Fábio, coitado, ficava parado, olhando pro teclado. Parecia ter medo de encostar nele.
O que parecia solução, tornou-se problema. Tive que ajudar o Fábio a “tirar’ as musicas no teclado. Pro Ronald, eu "desenhei" a seqüência de acordes num papel. E assim se passaram os dias, se aproximando o da grande inauguração.
E a banda não tava boa. Tava capenga. Desencontrada. O Fábio até que pegou legal o teclado. Mas o Ronald e seu baixo... Meu Deus. Parecia que ao invés de melhorar, ele piorava a cada ensaio.
Dentre os inúmeros defeitos que tenho, um deles é não saber magoar meus amigos. Eu não poderia simplesmente tirar o Ronald da banda. Ainda mais porque ele era o que mais fazia propaganda na faculdade, convidava as pessoas prá irem nos ver. Ele deixava claro nos convites: "eu vou tocar baixo". Como tirá-lo agora?
Insisti com ele. Com receio, mas insisti. Chegou o dia. As 11 horas estavamos na porta da danceteria. “Espalhafato” era o nome (soube que ela pegou fogo alguns meses depois da inauguração). Filas enormes, carros, pessoas, barulho, agitação total.
Tremi. Gelei. Achei que iria poucas pessoas, principalmente meus amigos de faculdade. Achei também que a danceteria seria pequena, simples. Que nada! Era uma danceteria monstro. Enorme. Cheia de ambientes. Meu Deus!
Entramos e fomos arrumar os instrumentos no palco. E a casa enchendo. O Ronald, toda hora ia prá beirada do palco conversar com alguma conhecida. Ele tava super calmo. Calmo até demais. Isso me preocupava.
Casa cheia. Fomos pro camarim. Repassei as músicas com o pessoal, lembrei detalhes, dei dicas, expliquei, suei, tremi e fui ao banheiro de 5 em 5 minutos (acho que meu sistema nervoso central deve ser ligado diretamente na bexiga e nos rins).
Subimos no palco. Primeira música: “Sim, São Paulo”. Iniciava num dedilhado de guitarra e enquanto eu cantava. Linda música. Na segunda parte, a banda toda entrava e a música encorpava, tomava cara de rock. Ótima prá iniciar um show.
Dedilhei, cantei e o povo olhando. Minha banda esperando prá tocar. Pronto! Todo mundo comigo. Entrou a bateria quebrando tudo. O cara era muito bom. O Fábio, no teclado, fez a música ganhar corpo. E o contra-baixo... Ah! O contra-baixo...
Jesus apaga a luz (e tira o Ronald daqui). Ele começou a pular, dançar, mexer a cabeça, fazer caretas no melhor estilo Kiss. E se esqueceu de tocar! E quando encontrava as cordas do baixo, o desastre piorava.
Na hora me lembrei do personagem de desenhos animados, Pepe Legal, que era um super herói que atingia os bandidos com seu violão enquanto dizia: “cabooong!”. Ahhh, que vontade que deu...
Foi a música inteira e meus ouvidos doendo com o desencontro total do contra-baixo. O povo nem percebeu, pois estava todo mundo dançava, animados com a performance do Ronald, que parecia estar empolgando a galera mais que a própria música.
Terminada a primeira música, olhei pro Fabio e pro baterista (ainda não consegui lembrar o nome dele) e eles estavam brancos e fazendo sinal com a cabeça em direção ao Ronald. Entendi que eles perceberam o mesmo que eu.
A mesa de som era do lado do palco. Fui até o operador de som e mandei desligar o contra-baixo. “Você tá louco? Tocar sem baixo?”, ele me disse. Eu respondi: “Desligue já”.
Voltei pro Fabio e pro baterista e avisei que iríamos tocar sem baixo e eles deviam prestar atenção em minha perna direita, pois era como eu faria a marcação do tempo das músicas. O Ronald? Ah é... ele tava na beira do palco dando tchauzinhos e mandando beijinhos, enquanto esperava a próxima música.
A segunda música era “Até Quando Esperar”, do Plebe Rude. E iniciava com um solo de contra-baixo. Olhei prá banda. Contei um... dois... três... e... lá foi o Ronald fazer o solo inicial da musica.
Ele fazia careta enquanto solava. Mexia os ombros. Ficava na ponta do pé e arcava o corpo prá trás. Andava pelo palco.
Vocês devem estar perguntando: “Mas o baixo não estava desligado?”.
Estava. Eu que fiz o solo na guitarra.
E acreditem. Ele não percebeu. Passou o show inteiro pulando igual perereca no cio pelo palco, andando, correndo, subindo em caixas de som, batendo palmas, fazendo sinais (principalmente aqueles de rock´n roll). E levantando o publico que não parava de vibrar (com ele).
Até hoje ele não sabe que naquela noite, como baixista, ele se saiu um ótimo dançarino.
Nem ele e nem o público, pois durante semanas ele foi o mais elogiado e cumprimentado por quem esteve na inauguração.
Tocar na inauguração de uma danceteria em Ponta Grossa? Nossa! Seria o máximo.
Na hora nem perguntei se iria ganhar prá isso. O prazer de tocar já era meu cachê (na verdade, nunca ganhei nada prá tocar).
Liguei pro Norberto e pro Fernando. Um morava em Santos e outro em Sorocaba. Já tínhamos uma banda com repertório pronto. Nem precisava ensaiar. Era chegar e tocar.
Não sei porque, mas eles não poderiam vir. Talvez a distância ou outros compromissos assumidos.
E agora? A exigência era clara: tinha que ser banda. Comentei com meus amigos e eles sugeriram montar uma. Falei que era difícil, pois faltavam poucos dias e não conhecia ninguém que fosse músico.
O Fábio falou que tocava piano, logo poderia tocar teclado. O Ronald (apelido “Pitecus”, por causa do cabelo arrepiado) disse que tinha um contra-baixo e sabia tocar. Meus olhos brilharam, afinal eu tocaria guitarra e baterista já tínhamos (o pobre coitado que sempre me seguia). Pronto! Problema resolvido!
Ou não...
Marcamos nosso primeiro ensaio num barracão nos fundos da mineradora de talco da família do Fábio. Mineradora + talco = poeira sem fim. Era tanto pó de talco que se a gente tomasse água e cuspisse, sairia um tijolo da boca.
Mostrei as músicas prá eles. Dez ou doze, não me recordo. Todos conheciam. Até o baterista, pasmem! Acho que ele resolveu se atualizar um pouco ou aprendeu a mentir.
Primeira música. Desastre total. O Ronald parecia que brigava com o baixo. Acho que nunca foram apresentados um pro outro. O Fábio, coitado, ficava parado, olhando pro teclado. Parecia ter medo de encostar nele.
O que parecia solução, tornou-se problema. Tive que ajudar o Fábio a “tirar’ as musicas no teclado. Pro Ronald, eu "desenhei" a seqüência de acordes num papel. E assim se passaram os dias, se aproximando o da grande inauguração.
E a banda não tava boa. Tava capenga. Desencontrada. O Fábio até que pegou legal o teclado. Mas o Ronald e seu baixo... Meu Deus. Parecia que ao invés de melhorar, ele piorava a cada ensaio.
Dentre os inúmeros defeitos que tenho, um deles é não saber magoar meus amigos. Eu não poderia simplesmente tirar o Ronald da banda. Ainda mais porque ele era o que mais fazia propaganda na faculdade, convidava as pessoas prá irem nos ver. Ele deixava claro nos convites: "eu vou tocar baixo". Como tirá-lo agora?
Insisti com ele. Com receio, mas insisti. Chegou o dia. As 11 horas estavamos na porta da danceteria. “Espalhafato” era o nome (soube que ela pegou fogo alguns meses depois da inauguração). Filas enormes, carros, pessoas, barulho, agitação total.
Tremi. Gelei. Achei que iria poucas pessoas, principalmente meus amigos de faculdade. Achei também que a danceteria seria pequena, simples. Que nada! Era uma danceteria monstro. Enorme. Cheia de ambientes. Meu Deus!
Entramos e fomos arrumar os instrumentos no palco. E a casa enchendo. O Ronald, toda hora ia prá beirada do palco conversar com alguma conhecida. Ele tava super calmo. Calmo até demais. Isso me preocupava.
Casa cheia. Fomos pro camarim. Repassei as músicas com o pessoal, lembrei detalhes, dei dicas, expliquei, suei, tremi e fui ao banheiro de 5 em 5 minutos (acho que meu sistema nervoso central deve ser ligado diretamente na bexiga e nos rins).
Subimos no palco. Primeira música: “Sim, São Paulo”. Iniciava num dedilhado de guitarra e enquanto eu cantava. Linda música. Na segunda parte, a banda toda entrava e a música encorpava, tomava cara de rock. Ótima prá iniciar um show.
Dedilhei, cantei e o povo olhando. Minha banda esperando prá tocar. Pronto! Todo mundo comigo. Entrou a bateria quebrando tudo. O cara era muito bom. O Fábio, no teclado, fez a música ganhar corpo. E o contra-baixo... Ah! O contra-baixo...
Jesus apaga a luz (e tira o Ronald daqui). Ele começou a pular, dançar, mexer a cabeça, fazer caretas no melhor estilo Kiss. E se esqueceu de tocar! E quando encontrava as cordas do baixo, o desastre piorava.
Na hora me lembrei do personagem de desenhos animados, Pepe Legal, que era um super herói que atingia os bandidos com seu violão enquanto dizia: “cabooong!”. Ahhh, que vontade que deu...
Foi a música inteira e meus ouvidos doendo com o desencontro total do contra-baixo. O povo nem percebeu, pois estava todo mundo dançava, animados com a performance do Ronald, que parecia estar empolgando a galera mais que a própria música.
Terminada a primeira música, olhei pro Fabio e pro baterista (ainda não consegui lembrar o nome dele) e eles estavam brancos e fazendo sinal com a cabeça em direção ao Ronald. Entendi que eles perceberam o mesmo que eu.
A mesa de som era do lado do palco. Fui até o operador de som e mandei desligar o contra-baixo. “Você tá louco? Tocar sem baixo?”, ele me disse. Eu respondi: “Desligue já”.
Voltei pro Fabio e pro baterista e avisei que iríamos tocar sem baixo e eles deviam prestar atenção em minha perna direita, pois era como eu faria a marcação do tempo das músicas. O Ronald? Ah é... ele tava na beira do palco dando tchauzinhos e mandando beijinhos, enquanto esperava a próxima música.
A segunda música era “Até Quando Esperar”, do Plebe Rude. E iniciava com um solo de contra-baixo. Olhei prá banda. Contei um... dois... três... e... lá foi o Ronald fazer o solo inicial da musica.
Ele fazia careta enquanto solava. Mexia os ombros. Ficava na ponta do pé e arcava o corpo prá trás. Andava pelo palco.
Vocês devem estar perguntando: “Mas o baixo não estava desligado?”.
Estava. Eu que fiz o solo na guitarra.
E acreditem. Ele não percebeu. Passou o show inteiro pulando igual perereca no cio pelo palco, andando, correndo, subindo em caixas de som, batendo palmas, fazendo sinais (principalmente aqueles de rock´n roll). E levantando o publico que não parava de vibrar (com ele).
Até hoje ele não sabe que naquela noite, como baixista, ele se saiu um ótimo dançarino.
Nem ele e nem o público, pois durante semanas ele foi o mais elogiado e cumprimentado por quem esteve na inauguração.
Lembranças... (9)

No tópico anterior eu contei a história da minha primeira vez num palco com a minha banda. Em 1986 eu fui fazer Análise de Sistemas na Faculdade Estadual de Ponta Grossa. Acreditem: já existia computadores naquela época.
Minhas aulas eram a tarde e depois das aulas a galera ficava no pátio da Universidade vendo as universitárias e jogando conversa fora até mandarem-nos embora.
Numa dessas noites eu ouvi sons de música ao vivo. E não era música de igreja. Era rock mesmo.
Perguntei de onde vinha aquilo e me contaram que era do anfiteatro da Faculdade. Fomos até lá. Um palco, uma banda tocando (meio desafinada, meio desencontrada) e umas poucas pessoas assistindo nas cadeiras estofadas e confortáveis do auditório (eram tão confortáveis que as vezes eu matava aula e ia dormir lá).
Perguntei pro bedel que estava na porta o que estava acontecendo e ele me explicou que toda terça-feira a noite havia “Palco Livre’ no Anfiteatro. Bastava se inscrever e tocar, cantar, dançar, declamar poesia, peça teatral, o que quisesse. Menos fazer strip tease. De início ri. Mas com o passar do tempo, vi cada maluco e cada coisa naquela faculdade que hoje entendo a proibição expressa do bedel.
Enquanto eu assistia, subiu um carinha com violão e cantou. Fraquinho, coitado. Uma banda de rock veio depois dele. Muito boa. Cantavam músicas de autoria própria somente. Umas meninas dançaram depois. E novamente subiu o carinha do violão.
Curioso que ele cantava mal, muito mal, mas tocava bem. E parecia que tinha algum tipo de “problema”, retardo mental, deficiência motora, não sei ao certo. Os amigos dele ficavam na platéia incentivando, aplaudindo, gritando e cantando junto. Isso o fazia acreditar que estava agradando e continuava. E o resto da platéia ia no embalo, até eu aplaudi e cantei. Era divertido “enganar” o carinha.
Meus amigos falaram prá eu subir no palco, afinal eu vivia contando que tinha uma banda de rock em Itapeva. Maldita mania de querer me aparecer pros outros. Pós-adolescência é fogo.
O imenso auditório do anfiteatro estava quase vazio. Nas primeira fileiras, uns 5 ou 6 amigos. No resto do auditório, mais umas 10 ou 15 pessoas. “Ah! Pouca gente mesmo. Se fizer feio, não tem problema”, pensei.
Subi no palco e perguntei ao baterista da banda que havia tocado, se ele podia me acompanhar. Cantarolei a música prá ele, pois ele não a conhecia. Ele topou. Lá fomos nós.
A música era "All My Loving", dos Beatles (claro, né?). Nervoso no começo, fui me soltando e meus amigos ali na primeira fila, começaram a bater palmas e cantar junto.
De início fiquei desconfiado. Seria eu o “carinha do violão” deles? Será que estavam me sacaneando também?
Terminei a música e meus amigos pediram outra. Amigos são uma beleza. Olhei pro bedel que atendia o palco e ele fez sinal com as mãos prá eu continuar.
Falei pro baterista o nome da música: “Camila, Camila”. Ele não conhecia também, mas falou: “vai que eu sigo você”. Baterista bom esse, mas alienado.
Agora sim, senti que agradei. Meus amigos saíram das poltronas e ficaram bem na frente do palco dançando e cantando. As outras pessoas também vieram prá perto. E foi entrando gente no auditório.
Nem olhei pro bedel quando terminei a música. E esqueci do baterista. Emendei a terceira música. Acho que era “Bichos Escrotos” dos Titãs. Dali seguiu-se quase o disco “Cabeça Dinossauro” (Titãs) inteiro.
Iniciava ali minha carreira solo. O palco era o lugar onde eu mais me encontrava. Onde eu mais me sentia em casa. Onde eu tinha “orgasmos siderais”. Passava a semana toda escolhendo músicas prá tocar na terça. E o baterista sempre me acompanhando.
E meus amigos sempre lá, na primeira fila, sugerindo músicas, pedindo bis, dançando... Passaram-se meses sem que eu falhasse uma terça-feira sequer. Até que fiquei meio famoso na faculdade.
Uma terça-feira, na saída do Anfiteatro, um cara veio me convidar prá tocar numa danceteria que ia ser inaugurada na cidade. A única exigência era que eu levasse a minha banda e não tocasse sozinho (olha eu esquecendo do baterista de novo).
Ai começa outra historia...
Minhas aulas eram a tarde e depois das aulas a galera ficava no pátio da Universidade vendo as universitárias e jogando conversa fora até mandarem-nos embora.
Numa dessas noites eu ouvi sons de música ao vivo. E não era música de igreja. Era rock mesmo.
Perguntei de onde vinha aquilo e me contaram que era do anfiteatro da Faculdade. Fomos até lá. Um palco, uma banda tocando (meio desafinada, meio desencontrada) e umas poucas pessoas assistindo nas cadeiras estofadas e confortáveis do auditório (eram tão confortáveis que as vezes eu matava aula e ia dormir lá).
Perguntei pro bedel que estava na porta o que estava acontecendo e ele me explicou que toda terça-feira a noite havia “Palco Livre’ no Anfiteatro. Bastava se inscrever e tocar, cantar, dançar, declamar poesia, peça teatral, o que quisesse. Menos fazer strip tease. De início ri. Mas com o passar do tempo, vi cada maluco e cada coisa naquela faculdade que hoje entendo a proibição expressa do bedel.
Enquanto eu assistia, subiu um carinha com violão e cantou. Fraquinho, coitado. Uma banda de rock veio depois dele. Muito boa. Cantavam músicas de autoria própria somente. Umas meninas dançaram depois. E novamente subiu o carinha do violão.
Curioso que ele cantava mal, muito mal, mas tocava bem. E parecia que tinha algum tipo de “problema”, retardo mental, deficiência motora, não sei ao certo. Os amigos dele ficavam na platéia incentivando, aplaudindo, gritando e cantando junto. Isso o fazia acreditar que estava agradando e continuava. E o resto da platéia ia no embalo, até eu aplaudi e cantei. Era divertido “enganar” o carinha.
Meus amigos falaram prá eu subir no palco, afinal eu vivia contando que tinha uma banda de rock em Itapeva. Maldita mania de querer me aparecer pros outros. Pós-adolescência é fogo.
O imenso auditório do anfiteatro estava quase vazio. Nas primeira fileiras, uns 5 ou 6 amigos. No resto do auditório, mais umas 10 ou 15 pessoas. “Ah! Pouca gente mesmo. Se fizer feio, não tem problema”, pensei.
Subi no palco e perguntei ao baterista da banda que havia tocado, se ele podia me acompanhar. Cantarolei a música prá ele, pois ele não a conhecia. Ele topou. Lá fomos nós.
A música era "All My Loving", dos Beatles (claro, né?). Nervoso no começo, fui me soltando e meus amigos ali na primeira fila, começaram a bater palmas e cantar junto.
De início fiquei desconfiado. Seria eu o “carinha do violão” deles? Será que estavam me sacaneando também?
Terminei a música e meus amigos pediram outra. Amigos são uma beleza. Olhei pro bedel que atendia o palco e ele fez sinal com as mãos prá eu continuar.
Falei pro baterista o nome da música: “Camila, Camila”. Ele não conhecia também, mas falou: “vai que eu sigo você”. Baterista bom esse, mas alienado.
Agora sim, senti que agradei. Meus amigos saíram das poltronas e ficaram bem na frente do palco dançando e cantando. As outras pessoas também vieram prá perto. E foi entrando gente no auditório.
Nem olhei pro bedel quando terminei a música. E esqueci do baterista. Emendei a terceira música. Acho que era “Bichos Escrotos” dos Titãs. Dali seguiu-se quase o disco “Cabeça Dinossauro” (Titãs) inteiro.
Iniciava ali minha carreira solo. O palco era o lugar onde eu mais me encontrava. Onde eu mais me sentia em casa. Onde eu tinha “orgasmos siderais”. Passava a semana toda escolhendo músicas prá tocar na terça. E o baterista sempre me acompanhando.
E meus amigos sempre lá, na primeira fila, sugerindo músicas, pedindo bis, dançando... Passaram-se meses sem que eu falhasse uma terça-feira sequer. Até que fiquei meio famoso na faculdade.
Uma terça-feira, na saída do Anfiteatro, um cara veio me convidar prá tocar numa danceteria que ia ser inaugurada na cidade. A única exigência era que eu levasse a minha banda e não tocasse sozinho (olha eu esquecendo do baterista de novo).
Ai começa outra historia...
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Lembranças... (8)

1982, "1º Minas in Concert": "Minas" era o nome da Escola que eu estudava (porque tinha curso de mineração - dai o nome). No palco, somente jovens estudantes da nossa escola, que com absoluta certeza, estavam pela primeira vez no palco.
O local, um antigo cinema, hoje danceteria. Lotado! Na platéia eu, o Norberto (ambos com 15 anos de idade) e mais duas meninas que não me lembro quem eram, sentadas entre a gente. Os integrantes das bandas que tocavam eram todos estudantes e amigos da nossa idade.
Ficamos tão fascinados vendo nossos amigos (da nossa idade) tocar e serem aplaudidos que até esquecemos que o real interesse em ter as meninas do nosso lado era tentar dar uns beijos. Estávamos hipnotizados, olhando atentamente pro palco.
O Norberto virou prá mim e falou: "Vamos montar uma banda?". Empolgado, já que o convite partia de meu melhor amigo, respondi: "Vamos", com as meninas olhando e achando que estávamos apenas nos exibindo para elas.
O Norberto perguntou o que eu tocava. Respondi: "Violão. Posso tocar guitarra! E você? O que toca?". Ele respondeu: "Nada. Mas vou aprender". Aquela resposta foi uma ducha de água fria. Desanimei. Continuamos a assistir as apresentações e nem me lembrei mais dessa conversa.
Alguns dias depois, o Norberto me contou que tinha se matriculado na aula de violão e que iria aprender a tocar com do lado canhoto, apesar de ser destro, por que seu ídolo, Paul McCartney, tocava assim (ele sim, era canhoteiro). Nessa época, éramos beatlemaníacos (ainda sou).
Bom, se ele seria o Paul eu teria que ser o John Lennon. Tive que “aprender” a gostar do John Lennon, afinal eu dividia com o Norberto a preferência pelo Paul McCartney nos Beatles. E isso não foi difícil, afinal Lennon era um gênio.
"Aprendendo a tocar? Hum... isso vai demorar". Novamente não dei bola.
Algumas semanas depois o Norberto veio em casa. Violão em punho. Tocou umas 10 ou 15 músicas (que eu não sabia tocar). Fez umas posições no violão que eu apanhava prá fazer (principalmente as pestanas). Dai bateu o aperto. Tinha que começar a treinar de novo. E levar o Norberto mais a sério.
Convidamos o Chico Rossi, que tocava violão comigo nas missas dominicais, e era nosso amigo, prá integrar a banda. A bateria ficou por conta do Luciano (Zoreia), que tocava na fanfarra do Dom Sílvio (e também na missa). Pronto! Estava formada a banda, em sua primeira versão.
Inexperientes, mais brincávamos nos ensaios do que ensaiava. Usávamos violões e caixas de papelão para simular uma bateria (após cada ensaio, íamos pedir caixas nas lojas. Acho que nós inauguramos a coleta seletiva de papelão em Itapeva).
Veio o 2º Minas in Concert. 1983. Nos inscrevemos. Os ensaios (com instrumentos de verdade - guitarra, baixo, bateria) seria no antigo Clube Operário. Ensaiamos 4 músicas em casa (com violão e caixa de papelão) e fomos pro Operário. Era nossa estréia com equipamentos de verdade.
Decepção total. Mais apanhamos dos instrumentos (por falta de intimidade) do que por falta de vocação. No dia seguinte, novo ensaio no Operário e novo vexame. Principalmente com o microfone (eu e o Norberto éramos o vocalista).
O organizador do evento, Prof. Geraldo (Gegê Vereador), nos chamou num canto e disse que ainda não estávamos preparados prá enfrentar o público, que deveríamos ensaiar mais um pouco, que tínhamos talento e blá blá blá...
Nâo sei o Chico e o Luciano, mas eu e o Norberto choramos na volta prá casa. Na semana seguinte fomos assistir o "Minas in Concert" super tristes, pois era prá gente estar ali, no palco.
Com o orgulho ferido, retomamos os ensaios. Sem baterista, pois o Luciano saiu. O Fernando Rofer, que também era da turma, veio assistir um ensaio numa tarde e começou a batucar. O Norberto parou de tocar, olhou feio prá ele e eu pensei: "Lá vai bronca!". Rapidamente o Fernando pediu desculpas e disse que ia ficar quieto. E o Norberto perguntou: "Quer ser nosso baterista". O Fernando, ainda assustado, respondeu que sim, gaguejando.
Ensaiamos vários meses direto. Nesse tempo, o Luiz Mário (meu primo) foi convidado prá ser o vocalista da banda. E veio a grande chance: O 1º Transmison, que seria realizado na CCE. E fomos convidados (na verdade, amolamos tanto o Quirino, organizador do evento, que ele acabou nos convidando).
Dessa vez, emprestamos guitarra de um, contra-baixo de outro e nos preparamos de verdade. Só o pobre do Fernando que continuava com sua bateria de caixas de papelão.
Chegou o grande dia. 06 de Maio de 1985. Ensaiamos o dia todo. Era um ensaio e um gole de suco de limão com um pouquinho de conhaque. Não sei quem falou que era bom prá voz e não deixava rouco. Rouco não ficamos mas, que o dia foi alegre, isso foi...
Durante o ensaio da tarde, combinamos de irmos com qualquer roupa, uma roupa simples, do dia a dia, pois a emoção era tanta e o momento tão grandioso que corria o risco de alguém aparecer de terno e gravata na noite.
Só que ninguém foi com a roupa do dia a dia. Fomos todos com a roupa de missa. Aquela “domingueira”, sabe? Nossa melhor roupa.
Enquanto aguardávamos atrás do palco, víamos a CCE enchendo de gente. Pessoas conhecidas, amigos da escola, paqueras. O nervosismo aumentando. Sobe o narrador no palco e anuncia a primeira banda.
Não lembro qual banda era. Nós seríamos a segunda a tocar, pois a terceira era uma banda famosa de Itapeva. Ela era simplesmente a melhor banda de rock de todos os tempos de Itapeva. Ela era formada pelo Fernando De La Rua (baixo), Quirino (vocal), Adriano (guitarra) e Rogério (bateria). Precisa dizer mais?
Ficamos felizes com a ordem de apresentação, pois iríamos abrir o show prá melhor banda de Itapeva. E uma banda abriria prá nós. Logo éramos a segunda melhor banda de Itapeva! (isso sem nunca ter tocado antes em público).
Atrás do palco agitação e nervosismo. Alguém trouxe uma garrafa de bebida (não lembro de que) e nos ofereceu. Disse que era prá relaxar e entrar mais tranqüilos no palco. Ninguém aceitou. Queríamos subir sóbrios e tocar sem “ajuda” de nada!
Chegou nossa vez. Todos subiram: Chico (baixo), Norberto (guitarra), Fernando (bateria) e Luiz Mário (vocal). A música: Revelação, do Fagner. Bem MPB. Eu, que não tocava e nem cantava nessa música, fiquei lá atrás do palco. Logo, a minha primeira vez demorou um pouco mais do que a dos outros integrantes.
Fim da música: aplausos. Tímidos. Era minha vez de subir no palco. Enquanto colocava a guitarra, um cara gritou (não vou dizer o nome dele, mas a imagem ainda hoje está em minha lembrança): “Saiam dai, meu!”.
Peguei a guitarra. Meus pés tremiam. Minhas mãos tremiam. Minha boca tremia. Eu tremia todo. Dei o primeiro acorde de “Lennon” (do Dalto) e o Luiz Mário puxou a música. Lá de cima eu via a galera cantando junto e dançando (essa música era sucesso nas rádios e nos programas do Chacrinha e do Bolinha).
Terminada a música, meu coração disparou de vez. Era hora de EU cantar “Yesterday”. Toquei e cantei. Acho que até hoje eu ouço o côro das pessoas cantando comigo. Parecia que o tempo tinha parado. Eu que estava ansioso, nervoso, trêmulo... agora estava delirando, tendo orgasmos siderais e torcendo prá música não terminar jamais.
Nossa última música foi outra dos Beatles (ta na cara nosso amor por eles, né?): “All My Loving”. Ai a galera veio abaixo. “Roquinho” dos anos 60, dos bons, bem cantado e tocado. De cima do palco, eu via gente dançando, cantando junto. Era a consagração total. A nossa consagração, um ano depois.
Descemos do palco como crianças na saída da escola. A vontade era dar cambalhotas, gritar, pular. Afinal, tínhamos enfrentado o público e eles nos aprovaram.
Entramos no meio do povo. Eram elogios e sorrisos de amigos, colegas e conhecidos. Pessoas que nem sabia que tínhamos uma banda. E nós não cabíamos de tanta felicidade.
Isso foi dia 06 de maio de 1984. Há exatos 25 anos. Ainda tenho o cartaz do show guardado. E apenas uma foto. Mas nem precisava pois em minha memória relembro cada minuto como se fosse na semana passada.
A banda seguiu em frente. O Chico e o Luiz Mário saíram. Sobraram eu, o Norberto e o Fernando. Agora, eu e o Norberto revezávamos no vocal. E a cada apresentação, chamávamos alguém prá “participar” da banda, pois a banda, na verdade, era só nós três.
Tocamos em vários lugares: Escolas, Danceterias (alguns, verdadeiros inferninhos no melhor estilo risca-faca), Itapeva Clube. Onde nos convidavam.
Por força do destino cada um foi prá um lado e o sonho de seguir carreira artística acabou, mas a amizade não. O Norberto foi estudar em Santos. O Fernando em Sorocaba. E eu em Ponta Grossa-PR.
Por falar em Ponta Grossa, lá eu continuei fazendo minhas apresentações no teatro da Faculdade. No início sozinho. Depois montei uma banda. Mas isso é uma outra história...
O local, um antigo cinema, hoje danceteria. Lotado! Na platéia eu, o Norberto (ambos com 15 anos de idade) e mais duas meninas que não me lembro quem eram, sentadas entre a gente. Os integrantes das bandas que tocavam eram todos estudantes e amigos da nossa idade.
Ficamos tão fascinados vendo nossos amigos (da nossa idade) tocar e serem aplaudidos que até esquecemos que o real interesse em ter as meninas do nosso lado era tentar dar uns beijos. Estávamos hipnotizados, olhando atentamente pro palco.
O Norberto virou prá mim e falou: "Vamos montar uma banda?". Empolgado, já que o convite partia de meu melhor amigo, respondi: "Vamos", com as meninas olhando e achando que estávamos apenas nos exibindo para elas.
O Norberto perguntou o que eu tocava. Respondi: "Violão. Posso tocar guitarra! E você? O que toca?". Ele respondeu: "Nada. Mas vou aprender". Aquela resposta foi uma ducha de água fria. Desanimei. Continuamos a assistir as apresentações e nem me lembrei mais dessa conversa.
Alguns dias depois, o Norberto me contou que tinha se matriculado na aula de violão e que iria aprender a tocar com do lado canhoto, apesar de ser destro, por que seu ídolo, Paul McCartney, tocava assim (ele sim, era canhoteiro). Nessa época, éramos beatlemaníacos (ainda sou).
Bom, se ele seria o Paul eu teria que ser o John Lennon. Tive que “aprender” a gostar do John Lennon, afinal eu dividia com o Norberto a preferência pelo Paul McCartney nos Beatles. E isso não foi difícil, afinal Lennon era um gênio.
"Aprendendo a tocar? Hum... isso vai demorar". Novamente não dei bola.
Algumas semanas depois o Norberto veio em casa. Violão em punho. Tocou umas 10 ou 15 músicas (que eu não sabia tocar). Fez umas posições no violão que eu apanhava prá fazer (principalmente as pestanas). Dai bateu o aperto. Tinha que começar a treinar de novo. E levar o Norberto mais a sério.
Convidamos o Chico Rossi, que tocava violão comigo nas missas dominicais, e era nosso amigo, prá integrar a banda. A bateria ficou por conta do Luciano (Zoreia), que tocava na fanfarra do Dom Sílvio (e também na missa). Pronto! Estava formada a banda, em sua primeira versão.
Inexperientes, mais brincávamos nos ensaios do que ensaiava. Usávamos violões e caixas de papelão para simular uma bateria (após cada ensaio, íamos pedir caixas nas lojas. Acho que nós inauguramos a coleta seletiva de papelão em Itapeva).
Veio o 2º Minas in Concert. 1983. Nos inscrevemos. Os ensaios (com instrumentos de verdade - guitarra, baixo, bateria) seria no antigo Clube Operário. Ensaiamos 4 músicas em casa (com violão e caixa de papelão) e fomos pro Operário. Era nossa estréia com equipamentos de verdade.
Decepção total. Mais apanhamos dos instrumentos (por falta de intimidade) do que por falta de vocação. No dia seguinte, novo ensaio no Operário e novo vexame. Principalmente com o microfone (eu e o Norberto éramos o vocalista).
O organizador do evento, Prof. Geraldo (Gegê Vereador), nos chamou num canto e disse que ainda não estávamos preparados prá enfrentar o público, que deveríamos ensaiar mais um pouco, que tínhamos talento e blá blá blá...
Nâo sei o Chico e o Luciano, mas eu e o Norberto choramos na volta prá casa. Na semana seguinte fomos assistir o "Minas in Concert" super tristes, pois era prá gente estar ali, no palco.
Com o orgulho ferido, retomamos os ensaios. Sem baterista, pois o Luciano saiu. O Fernando Rofer, que também era da turma, veio assistir um ensaio numa tarde e começou a batucar. O Norberto parou de tocar, olhou feio prá ele e eu pensei: "Lá vai bronca!". Rapidamente o Fernando pediu desculpas e disse que ia ficar quieto. E o Norberto perguntou: "Quer ser nosso baterista". O Fernando, ainda assustado, respondeu que sim, gaguejando.
Ensaiamos vários meses direto. Nesse tempo, o Luiz Mário (meu primo) foi convidado prá ser o vocalista da banda. E veio a grande chance: O 1º Transmison, que seria realizado na CCE. E fomos convidados (na verdade, amolamos tanto o Quirino, organizador do evento, que ele acabou nos convidando).
Dessa vez, emprestamos guitarra de um, contra-baixo de outro e nos preparamos de verdade. Só o pobre do Fernando que continuava com sua bateria de caixas de papelão.
Chegou o grande dia. 06 de Maio de 1985. Ensaiamos o dia todo. Era um ensaio e um gole de suco de limão com um pouquinho de conhaque. Não sei quem falou que era bom prá voz e não deixava rouco. Rouco não ficamos mas, que o dia foi alegre, isso foi...
Durante o ensaio da tarde, combinamos de irmos com qualquer roupa, uma roupa simples, do dia a dia, pois a emoção era tanta e o momento tão grandioso que corria o risco de alguém aparecer de terno e gravata na noite.
Só que ninguém foi com a roupa do dia a dia. Fomos todos com a roupa de missa. Aquela “domingueira”, sabe? Nossa melhor roupa.
Enquanto aguardávamos atrás do palco, víamos a CCE enchendo de gente. Pessoas conhecidas, amigos da escola, paqueras. O nervosismo aumentando. Sobe o narrador no palco e anuncia a primeira banda.
Não lembro qual banda era. Nós seríamos a segunda a tocar, pois a terceira era uma banda famosa de Itapeva. Ela era simplesmente a melhor banda de rock de todos os tempos de Itapeva. Ela era formada pelo Fernando De La Rua (baixo), Quirino (vocal), Adriano (guitarra) e Rogério (bateria). Precisa dizer mais?
Ficamos felizes com a ordem de apresentação, pois iríamos abrir o show prá melhor banda de Itapeva. E uma banda abriria prá nós. Logo éramos a segunda melhor banda de Itapeva! (isso sem nunca ter tocado antes em público).
Atrás do palco agitação e nervosismo. Alguém trouxe uma garrafa de bebida (não lembro de que) e nos ofereceu. Disse que era prá relaxar e entrar mais tranqüilos no palco. Ninguém aceitou. Queríamos subir sóbrios e tocar sem “ajuda” de nada!
Chegou nossa vez. Todos subiram: Chico (baixo), Norberto (guitarra), Fernando (bateria) e Luiz Mário (vocal). A música: Revelação, do Fagner. Bem MPB. Eu, que não tocava e nem cantava nessa música, fiquei lá atrás do palco. Logo, a minha primeira vez demorou um pouco mais do que a dos outros integrantes.
Fim da música: aplausos. Tímidos. Era minha vez de subir no palco. Enquanto colocava a guitarra, um cara gritou (não vou dizer o nome dele, mas a imagem ainda hoje está em minha lembrança): “Saiam dai, meu!”.
Peguei a guitarra. Meus pés tremiam. Minhas mãos tremiam. Minha boca tremia. Eu tremia todo. Dei o primeiro acorde de “Lennon” (do Dalto) e o Luiz Mário puxou a música. Lá de cima eu via a galera cantando junto e dançando (essa música era sucesso nas rádios e nos programas do Chacrinha e do Bolinha).
Terminada a música, meu coração disparou de vez. Era hora de EU cantar “Yesterday”. Toquei e cantei. Acho que até hoje eu ouço o côro das pessoas cantando comigo. Parecia que o tempo tinha parado. Eu que estava ansioso, nervoso, trêmulo... agora estava delirando, tendo orgasmos siderais e torcendo prá música não terminar jamais.
Nossa última música foi outra dos Beatles (ta na cara nosso amor por eles, né?): “All My Loving”. Ai a galera veio abaixo. “Roquinho” dos anos 60, dos bons, bem cantado e tocado. De cima do palco, eu via gente dançando, cantando junto. Era a consagração total. A nossa consagração, um ano depois.
Descemos do palco como crianças na saída da escola. A vontade era dar cambalhotas, gritar, pular. Afinal, tínhamos enfrentado o público e eles nos aprovaram.
Entramos no meio do povo. Eram elogios e sorrisos de amigos, colegas e conhecidos. Pessoas que nem sabia que tínhamos uma banda. E nós não cabíamos de tanta felicidade.
Isso foi dia 06 de maio de 1984. Há exatos 25 anos. Ainda tenho o cartaz do show guardado. E apenas uma foto. Mas nem precisava pois em minha memória relembro cada minuto como se fosse na semana passada.
A banda seguiu em frente. O Chico e o Luiz Mário saíram. Sobraram eu, o Norberto e o Fernando. Agora, eu e o Norberto revezávamos no vocal. E a cada apresentação, chamávamos alguém prá “participar” da banda, pois a banda, na verdade, era só nós três.
Tocamos em vários lugares: Escolas, Danceterias (alguns, verdadeiros inferninhos no melhor estilo risca-faca), Itapeva Clube. Onde nos convidavam.
Por força do destino cada um foi prá um lado e o sonho de seguir carreira artística acabou, mas a amizade não. O Norberto foi estudar em Santos. O Fernando em Sorocaba. E eu em Ponta Grossa-PR.
Por falar em Ponta Grossa, lá eu continuei fazendo minhas apresentações no teatro da Faculdade. No início sozinho. Depois montei uma banda. Mas isso é uma outra história...
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Piada (3)
SENSIBILIDADE MASCULINA
Um homem estava em coma há algum tempo.
Sua esposa ficava à cabeceira dele dia e noite, até que um dia o homem acorda, faz um sinal para que a mulher se aproxime e sussurra-lhe:
-Durante todos estes anos você esteve ao meu lado. Quando me licenciei, você ficou comigo.Quando a minha empresa faliu, só você ficou lá e me apoiou. Quando perdemos a casa você ficou perto de mim. E desde que fiquei com todos estes problemas de saúde, você nunca me abandonou... Sabe de uma coisa?
Os olhos da mulher encheram-se de lágrimas:
-Diz, amor ...
- Acho que você me dá muitooo azar!!!
Um homem estava em coma há algum tempo.
Sua esposa ficava à cabeceira dele dia e noite, até que um dia o homem acorda, faz um sinal para que a mulher se aproxime e sussurra-lhe:
-Durante todos estes anos você esteve ao meu lado. Quando me licenciei, você ficou comigo.Quando a minha empresa faliu, só você ficou lá e me apoiou. Quando perdemos a casa você ficou perto de mim. E desde que fiquei com todos estes problemas de saúde, você nunca me abandonou... Sabe de uma coisa?
Os olhos da mulher encheram-se de lágrimas:
-Diz, amor ...
- Acho que você me dá muitooo azar!!!
sábado, 2 de maio de 2009
Piada (2)
O amigo chega pro Carsduardo e fala:
- Carsduardo, sua muié tá te traino co Arcide.
- Magina !!! Ela num trai eu não. Cê tá inganado, sô.
- Carsduardo !!! Toda veiz que ocê sai pra trabaiá, o Arcide vai pra sua casa e prega ferro nela.
- Duvido !!! Ele num teria corage.
- Mais teve !!! Pode cunfiri.
Indignado com o que o amigo diz, Carsduardo finge que sai de casa, sesconde dentro do guarda-roupa e fica olhando pela fresta da porta.
Logo vê sua mulher levando o Arcide para dentro do quarto pra começar a sacanage.
Mais tarde, ele encontra com o amigo, que lhe pergunta o que houve.
E então, o Carsduardo relata cabisbaixo:
- Foi terrive di vê !!!... Eles entraru nu quarto, ela tirou a brusa... E os peito caiu... Tirou a carcinha... E a barriga e a bunda dispencaro... Tirou as meia... E apariceu aquelas varizaiada toda, as perna tudo cabiluda. E eu dentro do guarda-roupa cas mão no rosto, pensava: Ai... Qui vergonha que tô do Arcide!!!
PS: Lú, lembra da época do Paltalk e as histórias? Qualquer semelhança é mera coincidência...
- Carsduardo, sua muié tá te traino co Arcide.
- Magina !!! Ela num trai eu não. Cê tá inganado, sô.
- Carsduardo !!! Toda veiz que ocê sai pra trabaiá, o Arcide vai pra sua casa e prega ferro nela.
- Duvido !!! Ele num teria corage.
- Mais teve !!! Pode cunfiri.
Indignado com o que o amigo diz, Carsduardo finge que sai de casa, sesconde dentro do guarda-roupa e fica olhando pela fresta da porta.
Logo vê sua mulher levando o Arcide para dentro do quarto pra começar a sacanage.
Mais tarde, ele encontra com o amigo, que lhe pergunta o que houve.
E então, o Carsduardo relata cabisbaixo:
- Foi terrive di vê !!!... Eles entraru nu quarto, ela tirou a brusa... E os peito caiu... Tirou a carcinha... E a barriga e a bunda dispencaro... Tirou as meia... E apariceu aquelas varizaiada toda, as perna tudo cabiluda. E eu dentro do guarda-roupa cas mão no rosto, pensava: Ai... Qui vergonha que tô do Arcide!!!
PS: Lú, lembra da época do Paltalk e as histórias? Qualquer semelhança é mera coincidência...
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