quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lembranças... (8)


1982, "1º Minas in Concert": "Minas" era o nome da Escola que eu estudava (porque tinha curso de mineração - dai o nome). No palco, somente jovens estudantes da nossa escola, que com absoluta certeza, estavam pela primeira vez no palco.

O local, um antigo cinema, hoje danceteria. Lotado! Na platéia eu, o Norberto (ambos com 15 anos de idade) e mais duas meninas que não me lembro quem eram, sentadas entre a gente. Os integrantes das bandas que tocavam eram todos estudantes e amigos da nossa idade.

Ficamos tão fascinados vendo nossos amigos (da nossa idade) tocar e serem aplaudidos que até esquecemos que o real interesse em ter as meninas do nosso lado era tentar dar uns beijos. Estávamos hipnotizados, olhando atentamente pro palco.

O Norberto virou prá mim e falou: "Vamos montar uma banda?". Empolgado, já que o convite partia de meu melhor amigo, respondi: "Vamos", com as meninas olhando e achando que estávamos apenas nos exibindo para elas.

O Norberto perguntou o que eu tocava. Respondi: "Violão. Posso tocar guitarra! E você? O que toca?". Ele respondeu: "Nada. Mas vou aprender". Aquela resposta foi uma ducha de água fria. Desanimei. Continuamos a assistir as apresentações e nem me lembrei mais dessa conversa.

Alguns dias depois, o Norberto me contou que tinha se matriculado na aula de violão e que iria aprender a tocar com do lado canhoto, apesar de ser destro, por que seu ídolo, Paul McCartney, tocava assim (ele sim, era canhoteiro). Nessa época, éramos beatlemaníacos (ainda sou).

Bom, se ele seria o Paul eu teria que ser o John Lennon. Tive que “aprender” a gostar do John Lennon, afinal eu dividia com o Norberto a preferência pelo Paul McCartney nos Beatles. E isso não foi difícil, afinal Lennon era um gênio.

"Aprendendo a tocar? Hum... isso vai demorar". Novamente não dei bola.

Algumas semanas depois o Norberto veio em casa. Violão em punho. Tocou umas 10 ou 15 músicas (que eu não sabia tocar). Fez umas posições no violão que eu apanhava prá fazer (principalmente as pestanas). Dai bateu o aperto. Tinha que começar a treinar de novo. E levar o Norberto mais a sério.

Convidamos o Chico Rossi, que tocava violão comigo nas missas dominicais, e era nosso amigo, prá integrar a banda. A bateria ficou por conta do Luciano (Zoreia), que tocava na fanfarra do Dom Sílvio (e também na missa). Pronto! Estava formada a banda, em sua primeira versão.

Inexperientes, mais brincávamos nos ensaios do que ensaiava. Usávamos violões e caixas de papelão para simular uma bateria (após cada ensaio, íamos pedir caixas nas lojas. Acho que nós inauguramos a coleta seletiva de papelão em Itapeva).

Veio o 2º Minas in Concert. 1983. Nos inscrevemos. Os ensaios (com instrumentos de verdade - guitarra, baixo, bateria) seria no antigo Clube Operário. Ensaiamos 4 músicas em casa (com violão e caixa de papelão) e fomos pro Operário. Era nossa estréia com equipamentos de verdade.

Decepção total. Mais apanhamos dos instrumentos (por falta de intimidade) do que por falta de vocação. No dia seguinte, novo ensaio no Operário e novo vexame. Principalmente com o microfone (eu e o Norberto éramos o vocalista).

O organizador do evento, Prof. Geraldo (Gegê Vereador), nos chamou num canto e disse que ainda não estávamos preparados prá enfrentar o público, que deveríamos ensaiar mais um pouco, que tínhamos talento e blá blá blá...

Nâo sei o Chico e o Luciano, mas eu e o Norberto choramos na volta prá casa. Na semana seguinte fomos assistir o "Minas in Concert" super tristes, pois era prá gente estar ali, no palco.

Com o orgulho ferido, retomamos os ensaios. Sem baterista, pois o Luciano saiu. O Fernando Rofer, que também era da turma, veio assistir um ensaio numa tarde e começou a batucar. O Norberto parou de tocar, olhou feio prá ele e eu pensei: "Lá vai bronca!". Rapidamente o Fernando pediu desculpas e disse que ia ficar quieto. E o Norberto perguntou: "Quer ser nosso baterista". O Fernando, ainda assustado, respondeu que sim, gaguejando.

Ensaiamos vários meses direto. Nesse tempo, o Luiz Mário (meu primo) foi convidado prá ser o vocalista da banda. E veio a grande chance: O 1º Transmison, que seria realizado na CCE. E fomos convidados (na verdade, amolamos tanto o Quirino, organizador do evento, que ele acabou nos convidando).

Dessa vez, emprestamos guitarra de um, contra-baixo de outro e nos preparamos de verdade. Só o pobre do Fernando que continuava com sua bateria de caixas de papelão.

Chegou o grande dia. 06 de Maio de 1985. Ensaiamos o dia todo. Era um ensaio e um gole de suco de limão com um pouquinho de conhaque. Não sei quem falou que era bom prá voz e não deixava rouco. Rouco não ficamos mas, que o dia foi alegre, isso foi...

Durante o ensaio da tarde, combinamos de irmos com qualquer roupa, uma roupa simples, do dia a dia, pois a emoção era tanta e o momento tão grandioso que corria o risco de alguém aparecer de terno e gravata na noite.

Só que ninguém foi com a roupa do dia a dia. Fomos todos com a roupa de missa. Aquela “domingueira”, sabe? Nossa melhor roupa.

Enquanto aguardávamos atrás do palco, víamos a CCE enchendo de gente. Pessoas conhecidas, amigos da escola, paqueras. O nervosismo aumentando. Sobe o narrador no palco e anuncia a primeira banda.

Não lembro qual banda era. Nós seríamos a segunda a tocar, pois a terceira era uma banda famosa de Itapeva. Ela era simplesmente a melhor banda de rock de todos os tempos de Itapeva. Ela era formada pelo Fernando De La Rua (baixo), Quirino (vocal), Adriano (guitarra) e Rogério (bateria). Precisa dizer mais?

Ficamos felizes com a ordem de apresentação, pois iríamos abrir o show prá melhor banda de Itapeva. E uma banda abriria prá nós. Logo éramos a segunda melhor banda de Itapeva! (isso sem nunca ter tocado antes em público).

Atrás do palco agitação e nervosismo. Alguém trouxe uma garrafa de bebida (não lembro de que) e nos ofereceu. Disse que era prá relaxar e entrar mais tranqüilos no palco. Ninguém aceitou. Queríamos subir sóbrios e tocar sem “ajuda” de nada!

Chegou nossa vez. Todos subiram: Chico (baixo), Norberto (guitarra), Fernando (bateria) e Luiz Mário (vocal). A música: Revelação, do Fagner. Bem MPB. Eu, que não tocava e nem cantava nessa música, fiquei lá atrás do palco. Logo, a minha primeira vez demorou um pouco mais do que a dos outros integrantes.

Fim da música: aplausos. Tímidos. Era minha vez de subir no palco. Enquanto colocava a guitarra, um cara gritou (não vou dizer o nome dele, mas a imagem ainda hoje está em minha lembrança): “Saiam dai, meu!”.

Peguei a guitarra. Meus pés tremiam. Minhas mãos tremiam. Minha boca tremia. Eu tremia todo. Dei o primeiro acorde de “Lennon” (do Dalto) e o Luiz Mário puxou a música. Lá de cima eu via a galera cantando junto e dançando (essa música era sucesso nas rádios e nos programas do Chacrinha e do Bolinha).

Terminada a música, meu coração disparou de vez. Era hora de EU cantar “Yesterday”. Toquei e cantei. Acho que até hoje eu ouço o côro das pessoas cantando comigo. Parecia que o tempo tinha parado. Eu que estava ansioso, nervoso, trêmulo... agora estava delirando, tendo orgasmos siderais e torcendo prá música não terminar jamais.

Nossa última música foi outra dos Beatles (ta na cara nosso amor por eles, né?): “All My Loving”. Ai a galera veio abaixo. “Roquinho” dos anos 60, dos bons, bem cantado e tocado. De cima do palco, eu via gente dançando, cantando junto. Era a consagração total. A nossa consagração, um ano depois.

Descemos do palco como crianças na saída da escola. A vontade era dar cambalhotas, gritar, pular. Afinal, tínhamos enfrentado o público e eles nos aprovaram.

Entramos no meio do povo. Eram elogios e sorrisos de amigos, colegas e conhecidos. Pessoas que nem sabia que tínhamos uma banda. E nós não cabíamos de tanta felicidade.

Isso foi dia 06 de maio de 1984. Há exatos 25 anos. Ainda tenho o cartaz do show guardado. E apenas uma foto. Mas nem precisava pois em minha memória relembro cada minuto como se fosse na semana passada.

A banda seguiu em frente. O Chico e o Luiz Mário saíram. Sobraram eu, o Norberto e o Fernando. Agora, eu e o Norberto revezávamos no vocal. E a cada apresentação, chamávamos alguém prá “participar” da banda, pois a banda, na verdade, era só nós três.

Tocamos em vários lugares: Escolas, Danceterias (alguns, verdadeiros inferninhos no melhor estilo risca-faca), Itapeva Clube. Onde nos convidavam.

Por força do destino cada um foi prá um lado e o sonho de seguir carreira artística acabou, mas a amizade não. O Norberto foi estudar em Santos. O Fernando em Sorocaba. E eu em Ponta Grossa-PR.

Por falar em Ponta Grossa, lá eu continuei fazendo minhas apresentações no teatro da Faculdade. No início sozinho. Depois montei uma banda. Mas isso é uma outra história...

3 comentários:

  1. ahhhh! sou suspeita a dizer que essa é mais uma história que eu adoro..rs..Mas é gostoso, ver, ouvir, ler,tudo que venha da sua "banda", é possível ver a emoção, a paixão, que vc tinha por tocar, cantar...vendo as fotos no orkut, lendo suas histórias, eu viajo junto...rs,comoo eu queria voltar no tempo só pra ouvir, ver vc, ver essa alegria aii que vc tem ao contar, mas de outra forma ali concreta...Simplesmente adoreii a sua história, desculpe a imensa curiosidade (qdo vc ainda estava editando), é que adorooooo mesmo suas histórias, e qdo é algo da "banda" aaahh ai mesmo pode saber que elas sempreee são ótimas!! Sempre digo a vc, sou sua fã..e quero autografo viu?
    Amo vc sempre!

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  2. Aaah Neto, que fofoo... Eu já sabia que vc tinha uma banda, mas não sabia como tinha sido a primeira apresentação. E... Oh, história linda. Você contou com tanta emoção aí que eu me emocionei aqui também. Como a Gabriela disse, eu qeria voltar no tempo (antes de eu nascer) pra te ver tocar e cantar com toda emoção descrita aí. BeeijOs. Te adoro

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  3. simplesmente sou tua fã....
    não pela tua música, mas por vc!!! Te amo meu irmão.. é mal de família ser talentoso!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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