Pensando... (19)
(publicado em 20/11/2009)
O tópico anterior me deixou pensativo: porque acham que sou uma fortaleza ou um sem-sentimentos ou um total sem-problemas?
Todo mundo que me cerca acredita que sou um sorriso só e que minha vida é um mar de rosas. Que não sofro por amor, que não tenho problemas financeiros, que tenho a saúde perfeita, que tudo na minha vida teima em dar certo irritantemente...
Que bom se “sesse” assim, diria um amigo meu. Mas, infelizmente (pra mim), não é dessa forma que minha vida acontece.
Decepcionado(a)? Acredito que muitos que lêem meu blog estão sim.
Várias frases marcam a vida da gente, principalmente as ouvidas na infância. E uma delas foi dita pelo meu pai, uma vez em que eu estava muito bravo por não ter sido compreendido numa atitude.
Ele me disse: “o bom bezerro é o que não berra!”.
Pois bem, aprendi a não berrar. Aprendi a ter meus atos questionados e muitas vezes criticados, mas não berrei. Aprendi a sofrer por amor, mas não berrei. Aprendi a tirar da minha boca e dar à alguém, mesmo estando com fome, mas não berrei. Aprendi a ver amores indo e não berrei.
Dizem que de boa intenção o inferno ta cheio, ou seja, muitas vezes temos as melhores das intenções quando fazemos algo, mas o fim é desastroso. E daí, surge as críticas, os entendimentos errados e sou taxado como ruim, sem coração, coração de pedra.
Mas deixo seguir, como diz a música: “deixe estar”. Não berro, pois sempre quis ser um bom bezerro. Talvez isso explique o fato de sempre que me perguntam se estou bem, respondo sorrindo que sim.
Acreditem, nem sempre é verdade isso.
Por me acharem uma fortaleza, muitas pessoas desfilam um rosário de problemas, pedem ajuda e conselhos. Eu os dou. Talvez até isso me ajude a esquecer dos meus.
Mas o duro é quando estou sozinho no meu quarto. Quando a cabeça repousa no travesseiro ou quando acordo de manhã. Esses são os piores horários. Talvez isso explique a minha eterna luta contra o sono. Sempre digo que não gosto de dormir. Deve estar ai a explicação pra isso.
Como já disse num dos meus posts, há alguns anos passei por sérias dificuldades financeiras. Não tinha o que comer além da luz e água estarem cortadas em pleno inverno. E nem meus amigos mais íntimos souberam ou desconfiaram. Passei por isso sorrindo, ajudando muitos deles e nunca berrei. Eles nem desconfiam que estava passando por um dos piores momentos da minha vida.
Já perdi alguém. Algumas vezes, perdi pro bem dela mesmo. Por me conhecer e saber que não sou futuro pra ninguém. Ainda penso nisso. Mas não berro. E não vou berrar.
Tento passar que tudo está maravilhoso. Saio com amigos, bebo, sorrio e rio. Tento fazer meus olhos brilharem. Mas é tudo falso. Talvez eu seja falso. Acho que minha vida é falsa.
Vivo num sonho de fadas. Tal qual o Michael Jackson vivia no mundo de Peter Pan, negando-se a crescer, eu vivo negando existir problemas e dores em minha vida.
Mas isso cansa. Cansa demais. Isso corrói por dentro. Me faz sofrer e chorar. Choro esse que, ultimamente, tem sido muito constante. Diria que até diário, ou noturno. Acordo com meus olhos inchados e grudados, em razão das lágrimas noturnas. Meus lençóis nem sempre estão cobrindo meu colchão e meus travesseiros geralmente amanhecem fora da cama.
É, tenho tido lutas homéricas contra monstros que me atormentam durante o dia e me aguardam à noite para me assombrar e perseguir.
Acordo cansado, suado, exausto e triste. Odeio o sono. Não gosto de dormir.
Mas durante o dia, meu sorriso volta para meus amigos que nada desconfiam. E assim tem que ser. Que pensem que sou essa fortaleza, que não tenho problemas e que meu coração está perfeito, pois à eles devo minha vida e eles não devem ser apresentados aos monstros que eu cultivei durante toda a minha vida e que ultimamente parece que voltaram mais fortes que nunca.
Sei que os que lerem este blog virão me perguntar o que está acontecendo e como podem me ajudar. Mas sei que não falarei, pois me sinto fraco expondo meus sentimentos e abrindo meu coração.
Realmente, o bom bezerro é o que não berra. E eu não berrava... até inventarem esse tal de blog.
(publicado em 20/11/2009)
O tópico anterior me deixou pensativo: porque acham que sou uma fortaleza ou um sem-sentimentos ou um total sem-problemas?
Todo mundo que me cerca acredita que sou um sorriso só e que minha vida é um mar de rosas. Que não sofro por amor, que não tenho problemas financeiros, que tenho a saúde perfeita, que tudo na minha vida teima em dar certo irritantemente...
Que bom se “sesse” assim, diria um amigo meu. Mas, infelizmente (pra mim), não é dessa forma que minha vida acontece.
Decepcionado(a)? Acredito que muitos que lêem meu blog estão sim.
Várias frases marcam a vida da gente, principalmente as ouvidas na infância. E uma delas foi dita pelo meu pai, uma vez em que eu estava muito bravo por não ter sido compreendido numa atitude.
Ele me disse: “o bom bezerro é o que não berra!”.
Pois bem, aprendi a não berrar. Aprendi a ter meus atos questionados e muitas vezes criticados, mas não berrei. Aprendi a sofrer por amor, mas não berrei. Aprendi a tirar da minha boca e dar à alguém, mesmo estando com fome, mas não berrei. Aprendi a ver amores indo e não berrei.
Dizem que de boa intenção o inferno ta cheio, ou seja, muitas vezes temos as melhores das intenções quando fazemos algo, mas o fim é desastroso. E daí, surge as críticas, os entendimentos errados e sou taxado como ruim, sem coração, coração de pedra.
Mas deixo seguir, como diz a música: “deixe estar”. Não berro, pois sempre quis ser um bom bezerro. Talvez isso explique o fato de sempre que me perguntam se estou bem, respondo sorrindo que sim.
Acreditem, nem sempre é verdade isso.
Por me acharem uma fortaleza, muitas pessoas desfilam um rosário de problemas, pedem ajuda e conselhos. Eu os dou. Talvez até isso me ajude a esquecer dos meus.
Mas o duro é quando estou sozinho no meu quarto. Quando a cabeça repousa no travesseiro ou quando acordo de manhã. Esses são os piores horários. Talvez isso explique a minha eterna luta contra o sono. Sempre digo que não gosto de dormir. Deve estar ai a explicação pra isso.
Como já disse num dos meus posts, há alguns anos passei por sérias dificuldades financeiras. Não tinha o que comer além da luz e água estarem cortadas em pleno inverno. E nem meus amigos mais íntimos souberam ou desconfiaram. Passei por isso sorrindo, ajudando muitos deles e nunca berrei. Eles nem desconfiam que estava passando por um dos piores momentos da minha vida.
Já perdi alguém. Algumas vezes, perdi pro bem dela mesmo. Por me conhecer e saber que não sou futuro pra ninguém. Ainda penso nisso. Mas não berro. E não vou berrar.
Tento passar que tudo está maravilhoso. Saio com amigos, bebo, sorrio e rio. Tento fazer meus olhos brilharem. Mas é tudo falso. Talvez eu seja falso. Acho que minha vida é falsa.
Vivo num sonho de fadas. Tal qual o Michael Jackson vivia no mundo de Peter Pan, negando-se a crescer, eu vivo negando existir problemas e dores em minha vida.
Mas isso cansa. Cansa demais. Isso corrói por dentro. Me faz sofrer e chorar. Choro esse que, ultimamente, tem sido muito constante. Diria que até diário, ou noturno. Acordo com meus olhos inchados e grudados, em razão das lágrimas noturnas. Meus lençóis nem sempre estão cobrindo meu colchão e meus travesseiros geralmente amanhecem fora da cama.
É, tenho tido lutas homéricas contra monstros que me atormentam durante o dia e me aguardam à noite para me assombrar e perseguir.
Acordo cansado, suado, exausto e triste. Odeio o sono. Não gosto de dormir.
Mas durante o dia, meu sorriso volta para meus amigos que nada desconfiam. E assim tem que ser. Que pensem que sou essa fortaleza, que não tenho problemas e que meu coração está perfeito, pois à eles devo minha vida e eles não devem ser apresentados aos monstros que eu cultivei durante toda a minha vida e que ultimamente parece que voltaram mais fortes que nunca.
Sei que os que lerem este blog virão me perguntar o que está acontecendo e como podem me ajudar. Mas sei que não falarei, pois me sinto fraco expondo meus sentimentos e abrindo meu coração.
Realmente, o bom bezerro é o que não berra. E eu não berrava... até inventarem esse tal de blog.
Nenhum comentário:
Postar um comentário