sábado, 18 de setembro de 2010

Pensando... (28)

Parabéns Itapeva - 241 anos

Eu não nasci em Itapeva. Meus pais moravam em São Roque-SP e, como haviam perdido uma filha há 7 anos, possivelmente em razão do parto, decidiram que eu iria nascer em São Paulo, no Hospital do Servidor Público Estadual.

Ainda bem, porque o meu parto também foi problemático. Passei da hora de nascer. Dias até. Minha mãe nervosa, eu roxo. Aliás, se o Collor nasceu com “aquilo” roxo (pra designar que é “homem-macho”), eu nasci inteiro roxo. Ganhei!

Meses depois, meus pais voltaram a residir em Itapeva. E em 1969, em comemoração ao bi-centenário de fundação* de Itapeva, várias festividades foram realizadas, entre as quais, a escolha do bebê mais bonito da cidade, sendo que o vencedor seria o Bebê Bi-Centenário.

Em setembro de 1969 tive minha primeira alegria em Itapeva, com pouco menos de 2 anos de idade, ao ser coroado Bebê Bi-Centenário de Itapeva (ao lado, foto com a faixa). E agora tenho a incumbência de passar a faixa pro Bebê Tri-Centenário, em 2069. Olha que “responsa”, pois estarei com quase 102 anos de vida.

Lembro que com 5 anos de idade eu tinha uma caixinha de engraxate e todo final de tarde ia na Praça Anchieta engraxar sapatos e ganhar uns trocados pra comprar figurinhas.

Em 1972 minha mãe assumiu a direção da Escola Estadual “Profª Ambrosina de Oliveira Matos”, no Distrito de Araçaíba, pertencente à Apiaí-SP. Meu pai trabalhava no jornal “Tribuna Sul Paulista”, que anos mais tarde veio a comprar. Por essa razão, íamos toda segunda-feira de manha pra Araçaíba (menos meu pai) e voltávamos na sexta à tarde.

Eram 80 quilômetros de estrada de terra, cheia de buracos, curvas, perigos, e minha mãe tinha acabado de tirar sua Habilitação. Basta uma chuvinha e lá ficávamos atolados, até que um trator viesse nos rebocar. E eu só tinha 5 anos de idade, mas tudo era festa.

Durante a semana em Araçaíba, finais de semana em Itapeva. E nessa idade comecei a desenvolver meu amor pela cidade. Vir pra Itapeva era como passar o final de semana na casa dos avós. Aqui tinha tudo que Araçaíba não tinha, desde eletricidade e televisão (acreditem!), até primos pra jogar futebol e piscina.

Em Araçaíba não tinha chuveiro elétrico, os banhos eram de bacia com água esquentada na chaleira do fogão à lenha. Televisão não pegava. E a maioria das casas que moramos, o banheiro era uma fossa fora da casa, apesar das casas serem bem confortáveis.

Em 1979 minha mãe conseguiu transferência para Itapeva. Despedimos de Araçaíba, lugar tranqüilo, que ainda hoje me traz lindas recordações e um aperto no coração, e voltamos morar com meu pai em Itapeva. Fui estudar na escola “Profª Zulmira de Oliveira”.

Durante a semana eu entregava jornal, para o jornal do meu pai. Na época, morria de vergonha quando encontrava alguma paquerinha na rua, e eu lá com aquela sacola de jornais. Várias vezes escondi atrás de carros, dei a volta em quarteirões, joguei a sacola de lado, só pra não passar a vergonha de ser visto. Hoje tenho orgulho de ter sido entregador de jornal tanto quanto engraxate.

Do “Zulmira” fui pro Minas, onde fiz o curso Técnico em Mineração e, por problemas com a direção da escola (um dia eu conto porque fui expulso de lá), terminei o segundo grau no “Otávio Ferrari”.

De 1979 a 1985 morei somente em Itapeva. Nessa época eu joguei voleibol, defendendo as escolas que estudava (fomos 3º. Colocado em 2 campeonatos estaduais) e a seleção da cidade, tive minha banda de rock (que tocava em qualquer lugar que nos chamasse), tive minhas fases malucas de ser punk, gótico, dark e new wave, fiz o exército e aprontei muito, apesar de quase ter ido estudar num Seminário e virado Padre.

Fim do Segundo Grau. Aquela época, Itapeva não tinha cursinhos pré-vestibulares. O jeito foi morar em Sorocaba-SP com alguns amigos, na pensão da Dona Maria, pra cursar o Anglo. Fiquei 6 meses em Sorocaba mas todo final de semana eu vinha para Itapeva. A história se repetia, tal qual quando morei em Araçaíba. A diferença é que dessa vez eu viajava sozinho e de ônibus.

Passei na Universidade Estadual de Ponta Grossa (meu primeiro vestibular). Fui morar na Pensão Ferigotti, onde fiz vários amigos que depois dividiram república comigo. Durante a semana, Ponta Grossa. Finais de Semana e férias, Itapeva. Sem faltar um sequer. Novamente se repetia a história. Um pé em Itapeva e outro em alguma cidade.

Apesar de que, na época, não era apenas amor por Itapeva. Também tinha uma namorada, cujo namoro venceu os 5 anos da minha faculdade (depois mais 3 pós-formatura e mais 4 de casamento).

Formado, recebi propostas para trabalhar em Curitiba e São Paulo. Mas optei voltar pra Itapeva, mesmo sabendo que não havia muito campo pra minha profissão (Formei em Análise de Sistemas, em 1990).

Abandonei minha profissão e fui trabalhar com meu pai no jornal. Em 1997 resolvi fazer Direito, na FKB de Itapetininga-SP. Viagens toda noite, inclusive aos Sábados de manhã. Mas continuava morando em Itapeva.

Depois de formado, novas propostas de trabalho fora de Itapeva. Algumas até tentadoras. Mas algo me segurava, me prendia, não me deixava ir embora.

Hoje, fazendo um resumo da minha vida, vejo que morei em várias cidades, mas só durante a semana, pois finais de semana sempre estava aqui. Sempre fui e voltei. Nunca abandonei Itapeva.

E devo tudo que tenho, tudo que vivi, tudo que aprendi, todas minhas alegrias, conquistas, desafios, amizades, etc, à essa maravilhosa cidade que está encravada no sudoeste paulista e no centro do meu coração.

Se algo me irrita, é quando ouço pessoas reclamando da cidade. Digo sempre que se a cidade não está à altura da pessoa, a rodoviária é a saída. Não gosto que reclamem de Itapeva. Gosto que façam por Itapeva. Que trabalhem por Itapeva. Que façam Itapeva crescer, progredir e ser reconhecida nacionalmente.

Pois Itapeva é uma cidade que acolhe todo mundo, de braços sempre abertos, que dá oportunidades, que é agradável de viver, que ainda preservar o ar de cidade pequena e do interior, onde quase todo mundo se conhece, se cumprimenta na rua. Onde não precisa de carro pra ir de um lugar para outro, já que tudo é perto. Onde o clima é agradável, nem tão frio e nem tão quente. Onde as pessoas são educadas e, principalmente, bonitas.

Ah! Pessoas bonitas. Como tem pessoas bonitas em Itapeva. Incrível isso!

Amo Itapeva. Amo muito mesmo.

Sempre digo que o meu maior sonho é um dia receber (e merecer) o título de Cidadão Itapevense. Mas sei que antes, e para merecer tal honraria, devo retribuir muito do que Itapeva me deu e me proporcionou.

E quando esse dia chegar, serei um homem realizado, por deixar de ser um filho adotivo e ser filho legítimo de minha querida Itapeva!

Parabéns, Itapeva. Parabéns pelos seus 241 anos de fundação*.


NR: *Para quem não sabe, Itapeva é uma das poucas cidades do Brasil que foi fundada e não emancipada.
.
..
...

Nenhum comentário:

Postar um comentário