Continuação de Lembranças... (11):
Cheguei em São Paulo e liguei pro Fabinho Mattarazo convidando-o a ir ao Hospital das Clínicas visitar nosso amigo que lá estava internado lá.
Ele foi me buscar na rodoviária, pois sou uma negação andando em São Paulo. Me perco até dentro de estação de Metrô.
Na entrada do Hospital encontramos vários familiares de nosso amigo e vimos a preocupação da mãe dele em como organizar tanta gente para apenas meia hora de visita. E como só podia entrar dois de cada vez, comentei com o Fábio que não ia dar prá gente ver nosso amigo, pois a família deveria ter prioridade, o que ele concordou imediatamente.
Nos despedimos dos familiares e deixamos um abraço com a mãe de nosso amigo para ser transmitido a ele.
Era duas horas da tarde. O próximo ônibus de volta prá Itapeva (já que prá praia eu não podia voltar mesmo), só sairia as 6. O que fazer até lá?
Fomos numa praça que tem dentro do Hospital das Clínicas e ficamos conversando. Vendo meu violão, o Fábio pediu prá eu tocar. Tirei-o da capa e começamos a cantar. Baixinho, pois estávamos "dentro" do Hospital.
De repente, escutamos um “psiuuu”. Parei de tocar. Olhamos ao redor e nada. Alguns segundos e outro “psiuu”. Ué? Mas agora não estávamos tocando mais. Porque a insistência nos “psiu´s”?
Escutei alguém chamar: “Pauloooo”. Olhei prá cima e duas enfermeiras que estavam na janela do terceiro andar acenavam prá gente com as duas mãos, com metade do corpo prá fora e numa empolgação que parecia que iam pular.
Eu ri e pensei: “de novo, não”.
Nisso, flagro o Fabinho fazendo sinal prá elas descerem. Olhei prá cima e as enfermeiras sumiram. Falei pro Fabio: “Você ta louco? Que você ta fazendo?”. Zuando, como sempre, ele me disse: “Fica frio, Benê!”.
Uma porta lateral do Hospital se abriu. Levantamos do banco e caminhamos em direção à ela, onde as duas enfermeiras pulavam e gruniam (incrível, mas eu achava que só existia isso em filmes).
Não agüentando esperar pelos nossos passos lentos (afinal, eu tava andando prá não chegar, com medo de perceberem que estavam sendo enganadas), elas se apressaram e vieram em nossa direção.
Corrigindo: em minha direção. Fui abraçado, apalpado, descabelado, beijado. Hoje entendo a necessidade de seguranças seguindo astros pop, pois se duas estavam fazendo aquele estrago comigo, imagina uma multidão?
Elas não se continham e me chamavam de Paulo Ricardo o tempo todo. Conseguindo acalmar as enfermeiras, o Fábio soltou a seguinte pérola:
- Queremos visitar um amigo nosso que está internado, mas a entrada do hospital está muito cheia e se o Paulo Ricardo for até lá vai causar tumulto. Não tem como a gente entrar por aqui sem ninguém ver ele?
Ele falou tão sério que até eu acreditei que o Paulo Ricardo estava ali conosco e o procurei ao redor, até dar conta que ele estava falando de mim. Elas me pegaram pela mão e puxaram pela porta. O Fabinho veio no vácuo.
Passamos pela enfermaria onde vimos cenas tristes e fortes, do cotidiano hospitalar, que choca pessoas que não estão habituadas. Seguimos por corredores até chegarmos a um elevador, sempre sendo puxado pelas mãos (suadas) delas.
O elevador chegou, vazio. Entramos. Senti um frio na espinha diante do medo de ser “estuprado” pelas enfermeiras. Dentro do elevador, mais abraços, beijos, apertões, apalpões.
E o Fábio rindo, rindo muito. Lembro até hoje da cara dele. Hilário.
Como pagamento, tive que tirar de minha mochila duas camisetas e autografar prá elas, enquanto nos deixavam na porta do quarto onde estava nosso amigo.
Lá dentro, enquanto meu amigo estava deitado no leito com os familiares ao seu redor eu tentava explicar o porquê o Fabinho estava, naquele momento, deitado no chão, rindo muito e com as mãos na barriga, numa posição quase fetal.
sábado, 9 de maio de 2009
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Ótima história... Como todas as outras...
ResponderExcluirVocê deveria escrever um livro... faria sucesso! xD
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirvou ser expulsa de casaaaaaaaaaaaa!!!!
Gargalheiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii em frente o monitor.. nem preciso dizer o resto..rsrsrsrsrsrsrs
TU EH FODAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA