sábado, 9 de maio de 2009

Lembranças... (11)

Houve uma época que diziam que eu era parecido com o Paulo Ricardo, do RPM. Muito embora fosse o auge do RPM, não dei muita bola.

Eu era mais empolgado com minha banda de rock do que com semelhanças que pudesse ter com alguém. Não queria ser sósia. Queria ser astro por mim mesmo.

Férias e minha família foi prá Mongaguá, uma praia no litoral paulista, onde há uma Colônia de Férias onde sempre íamos. Lá fui com meu inseparável violão.

Como eu estava namorando e apaixonado, fui a contragosto, pois queria ficar ao lado de minha amada. Lá, passava meu tempo na sombra de uma árvore que havia no estacionamento da Colônia, tocando violão. Acho até que voltei mais branco do que fui.

Numa tarde, duas meninas se aproximaram. Tinham entre 8 e 10 anos de idade. Notei que ficaram olhando e as chamei prá sentar no banco comigo, que eu tocaria prá elas.

Após duas ou três musicas, eles pediram prá tocar “Olhar 43”, do RPM. Toquei. Depois, “Loiras Geladas”. Também toquei. De repente, uma deles me chamou de “seu Paulo”. Ri por dentro e toquei todas as músicas do RPM. Elas adoraram, ficaram mais intimas, perderam a vergonha e passaram a me chamavam simplesmente de “Paulo Ricardo”.

A noite, quando eu saia do refeitório, estavam minhas duas amiguinhas na porta com uma mulher, que parecia ser mãe delas. Ao passar por elas, a mulher me chamou: “Seu Paulo”.

Gelei. Com certeza ia levar uma bronca daquelas por ter iludido as pobres criancinhas me fazendo passar por um cantor famoso.

Meio de lado, acho que me preparando prá correr, olhei prá ela, que me disse: “Pode me dar um autógrafo?”.

Simplesmente não acreditei. Até as crianças, tudo bem. Mas a mãe delas também? E eu nem era muito parecido assim. Fazendo charme de artista, falei que depois eu daria. E ela perguntou se eu iria tocar a noite pras meninas. Não respondi e sai de lá antes que eu risse (prá ela deve ter parecido mais charme de artista).

A noite, no mesmo banco, estava eu com meu violão quando chegaram as crianças, a mãe e duas tias. Sentaram a minha frente e começaram a pedir músicas. Do RPM.

Toquei. Toquei de novo. Tornei a tocar, afinal eles tinham apenas um disco lançado. Quando disse que ia embora, a mãe das meninas me cobrou o autógrafo. Agora não tinha jeito. Tinha que dar.

Ela me estendeu um pedaço de papel e uma caneta e eu perguntei prá quem eu deveria dedicar, imaginando que ela diria os nomes das filhas. “Faz prá mim mesmo”. Acho que a mulher se chamava Sônia, não sei ao certo.

E mandei um: “Para Sônia, com beijos do Paulo Ricardo”, cuja assinatura ficou meio indecifrável.

Fui dormir rindo. Aquilo parecia brincadeira. Tinha minhas dúvidas se era eu que estava enganando elas ou elas que me enganavam.

No dia seguinte, perdi o café da manhã, acordei tarde. Acordei, não. Fui acordado. Minha irmã, brava, me chacoalhava na cama, dizendo que quase apanhara de uma mulher que dizia ter sido enganada por um tal de Paulo Ricardo.

Ainda sonolento escutei ela dizer que a mulher estava me esperando lá embaixo e que estava muito brava. Senti uma pontinha de maldade no olhar dela enquanto dizia que eu ia apanhar. Acho até que torcia prá isso

Olhei pela janela e lá estava a mulher, andando de um lado pro outro. Nem lavei o rosto. Joguei minhas coisas dentro da mochila, peguei meu violão e falei prá minha irmã avisar minha mãe que eu estava indo prá São Paulo, visitar um amigo que estava internado no Hospital das Clinicas.

E lá fui eu, escapando pelos fundos da Colônia, agachadinho, temendo ser linchado por uma ex-fã nervosa.

Em São Paulo, no Hospital das Clínicas, fui novamente confundido com o astro pop, o que rendeu uma historia interessante, que vou postar daqui a pouco...

2 comentários:

  1. cara...
    que isso, podia te aproveitado a fama para pegar geral no sitio
    huahuahua
    sempre vc pra me fazer rir com essas hisórias

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