terça-feira, 28 de abril de 2009
Lembranças... (8)
Ainda na época da faculdade de Direito, tínhamos aulas sábado de manhã. Tínhamos um grande amigo nosso que morava em Itararé e estudava na mesma sala da gente. Seu nome: Marcão Quati.
Aos sábados, quase sempre ele ia de carro prá FKB. E como Itapeva era caminho de volta prá Itararé, pegávamos uma carona em seu luxuoso carro.
Numa dessas caronas, viemos em quatro pessoas. O Marcão dirigindo, eu e mais dois colegas de sala que também moravam em Itapeva.
Quatro homens juntos não dava outra, senão um concurso de vantagens. Um dos meus amigos é o que eu apresentei abaixo: espertalhão, malandro e não gostava de ficar por baixo em suas histórias, sempre aumentando os feitos de maneira inacreditável.
Durante a viagem, um a um ia contando uma história. Todos riam. Alguns duvidavam. Mas o campeão era sempre esse meu amigo. Ele contou apenas três histórias, que bastaram prá tirar o Marcão do sério.
A primeira história foi quando falávamos de consumo de combustível dos veículos. O Marcão disse que o carro, importado e zero, fazia 17 quilômetros por litro. Eu que não tinha carro e meu amigo ao meu lado, ficamos quieto. O espertalhão disse que o carro do dele tinha saído da oficina de um amigo, mestre em mecânica, e que agora fazia mais de 30 quilômetros por litro. E o motor ainda era turbo.
O Marcão dirigindo, só olhou pro banco ao lado, do passageiro, onde nosso amigo estava e balançou a cabeça negativamente como que reprovando tal mentira. No banco de trás, eu e meu amigo rimos quase em silêncio.
Combinei com ele de darmos "corda" ao nosso amigo da frente, contando algumas histórias "forçadas", prá ele embarcar. E deu certo. Ele se animou e contou que o aparelho de video dele, na opção EP, gravava 12 horas de programação da TV.
O Marcão falou que, mesmo na posição EP, o máximo de gravação seria 4 horas. Nosso amigo, insistiu, dizendo que o aparelho tinha vindo dos Estados Unidos, que ainda não tinha no Brasil, era modelo novo, etc e tal.
Resignado, o Marcão tentou explicar que o aparelho podia ser novo, mas as fitas só permitiam 4 horas de gravação, independente do aparelho. Nosso amigo insistiu na veracidade da história e se ofereceu prá provar o que falava. O Marcão novamente balançou a cabeça e suspirou.
No banco de trás, eu e meu amigo ríamos horrores, já que nosso plano estava dando certo.
Novo assunto: acidentes de carro.
Meu amigo no banco de trás contou que uma vez capotou o carro numa estrada mas todos sairam ilesos. O carro deu perda total.
Eu, que nunca bati carro na vida, inventei uma historia semelhante, carregando nos detalhes e na desgraça. Mas todos saíram ilesos, graças a Deus.
No banco da frente, esperando a sua vez, nosso amigo bufava de pressa prá contar a dele. E chegou sua vez:
- Uma vez eu tava dirigindo meu carro e numa curva "si" perdi, capotei e fui jogado prá fora. Assim que cai no chão, balancei a cabeça, virei e vi o carro capotando. Corri até ele, estiquei o braço e consegui tirar o meu irmão que tava no banco da frente. O carro continuou capotando e corri de novo e tirei a minha cunhada que estava no banco de trás.
Parou e fez um breve comentário: "Sorte que o carro era quatro portas e os vidros estavam abertos, senão...".
O Marcão já se contorcia ao volante. E ele continuou:
- Depois de tirar minha cunhada, corri atrás do carro e enquanto ele capotava, tirei a minha namorada pelo outro lado. Dae vimos o carro capotar pela ribanceira.
Enquanto ele terminava a história dizendo que ninguém havia se ferido e nós dois no banco de tras gargalhávamos, o Marcão parou o carro e ordenou: "Desce! Já! Anda... desce do carro. Não aguento mais".
Minha barriga doia e meu colega de banco chorava de escorrer lágrimas. Nosso amigo da frente ria, achando que era brincadeira, e o Marcão insistia: "Vamos, to mandando. Desce!"
Achando tratar-se de brincadeira, ele desceu do carro e o carro saiu cantando os pneus enquanto olhávamos pelo vidro trazeiro.
Nervoso, Marcão não parava de repetir: "Até Itapeva eu não aguento. Ele que agradeça de eu ter parado o carro, porque quase joguei ele fora."
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Bom, eu fui um dos caronas! Mas não sou, o que foi expulso!Eu estava ajudando o nosso amigo , como diz o Neto, "espertalhão" a aumentar ainda mais suas conhecidas mentiras.Com certeza foi um do episódios mais comicos da minha vida, chorava de tanto dar risada no carro e de notar que aquilo incomodava o Marcão demais! Não deu outra, ele realmente expulsou o nosso amigo do carro!
ResponderExcluirSaudades do nosso amigo Marcão Quati!!!
Neto só tenho a agradecer de você ter me ajudado a relembrar e me fazer rir de tudo isso novamente
abraço
Junior Lobo
Bela história! Agora discussão sobre gravações de vídeo em EP e etc...faz tempo o ocorrido! a moçada de hoje nem entender vai. Abcs!
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