Talvez essas duas historas que aconteceram comigo expliquem o porquê de eu não me dar bem com cavalos (animais equinos - sem trema) e, também, de não gostar de rodeios e festas de peão. Vamos à elas.
Minha primeira aventura com esse animal deu-se durante as férias escolares, há muito tempo, na vizinha cidade de Itararé. Por termos parentes em comum naquele local, eu e meus primos (entre 6 e 7 no total), viajavamos Para a casa de nossa avó.
Cidade pequena, vazia, pouca coisa a se fazer e nós, com idade entre 9 e 12 anos e disposição a mil, sempre procurávamos algo a fazer. Nossa diversão se dava, diariamente, nos fundos de uma serraria, onde havia montanhas de "sepilho" (restos de madeira, quase em pó), onde faziamos cavernas, cabaninhas ou desciamos rolando lá do alto.
Essa última modalidade sempre nos causava vários arranhões, que devido à ausência de nossos pais, que ficavam em nossas cidades de origem, não trazia problemas nem proibições para, no dia seguinte, voltarmos ao nosso "parque de diversões".
Num certo dia, ouvimos uma de nossas tias comentar que um tio distante ia vender uma chácara que possuia nos arredores da cidade. Meu primo mais velho se interessou e, como quem não quer nada, questionou onde ficava e como chegaria lá. Pronto! Estava lançado o desafio: procurar a chácara do Tio Ídio (nosso tio-avô, que veio junto com seu irmão, nosso avô Armódio Abdallah, do Líbano).
No dia seguinte saímos a procura da chácara. Até que não foi dificil encontrá-la, após horas de caminhada sob um sol escaldante. No local, nada mais que uma casinha velha e só. Decepção total. Horas de caminhada prá... nada?
Um dos meus primos avistou, ao longe e dentro da propriedade, um cavalo. Na realidade, um verdadeiro pangaré. Caído o coitado. Velhinho. Expressão (?) de cansado. Acho que estava usufruindo da chácara mais como asilo do que como propriedade.
Lá foi meu primo, um destemido caubói da cidade, se aventurar em montar o pangaré. Colocou (não sei como) uma corda na boca do animal, trouxe-o prá perto de um barranco, subiu em seu dorso e saiu gritando "aiooowww silver" (expressão muito utilizada por Zorro, nos desenhos animados da época).
Os demais primos (inclusive eu... pobrezinho), nos enfileiramos próximo ao barranco prá esperar nossa vez. Ele trouxe o animal, desceu e o próximo subiu. Detalhe: o cavalo estava sem sela ou sei lá como se chama aquele "troninho" que colocam em cima dele prá gente sentar. Um a um foi dando uma volta e gritando, rindo, divertindo. Até que chegou minha vez.
Importante me apresentar: aos 9 anos de idade eu era baixinho, gordinho (na verdade, bem gordinho), com roupinhas que combinavam ( especialmente compradas pela mãe-coruja que se orgulhava de apresentar o filho fofinho sempre arrumadinho), meias brancas até próximo do joelho e sapatinho (acreditem, minha mãe me fazia usar sapatinhos de amarrar, quando não era bota ortopédica, com aqueles conjuntinhos mirins).
Subi no barranco e puxaram o cavalo prá perto do mesmo. Segurei em sua crina e tentei esticar lateralmente a perna esquerda para alcançar seu lombo. O problema de gordinho mirim é sua mobilidade e alongamento. No meu caso, a falta dela. Cada esticada de perna era um chute lateral na barriga do cavalo, que se afastava do barranco. Puxado prá próximo pelos primos, lá ia eu tentar novamente e chutar o cavalo.
Até que, após várias tentativas, consegui! Meu pé (e somente ele) estava nas costas do cavalo. Gritaria geral. Vitória. Havia conseguido. Ou não...
Os gritos de meus primos, ao que parece, assustaram o desconfiado animal que estava há vários minutos sendo chutado e começou a deslocar-se lateralmente para longe do barranco. E eu com um pé no barranco e o outro em suas costas, sendo testado em meu alongamento de pernas. Descobri que fazer "spacatto" é doloroso.
Começou o questionamento dos primos. Uns gritavam prá eu "pular" com a outra perna prá cima do cavalo. Outros, prá eu puxar a perna de cima dele. Não sei se pela idade ou pela inusitada situação, acabei por não fazer nem um e nem outro. Até que escutei os fundos de meu shorts verde (que combinava com minha camiseta verde) abrir-se de ponta a ponta, num barulho de rasgar que assustou de vez o cavalo, fazendo-o andar num misto de lado e prá frente, fazendo eu ver o mundo de ponta cabeça numa queda que demorou horas até atingir o chão.
Meus primos até que seguraram a risada e vieram me acudir, todo estirado no chão e iniciando uma cara de choro. Não lembro se doeu costas, pernas ou braços. Mas lembro que andar pelas ruas da cidade, durante o trajeto de volta, com um shorts dividido ao meio, que deixava a mostra uma cuequinha com personagens de Walt Disney, me matou de vergonha.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
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aaaiiii Neto..eu lendo a historia e rindo..kkkkkkkkkk...
ResponderExcluirlogo logo..os vizinhos vão chamar o resgate..ambulância.de tanto que eu ri..aqui..kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
bjuss
uahsuahsuahsuhsuhush. Aiiin, quero ver você me contando isso pessoalmente... porque se eu qse morro de rir na frente do pc, imagina sóó com vc contando... uedhuehduehduehdueh; Te adoro. BeeijOs
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkkkkkkk'..pensee a cena neeé !!
ResponderExcluirAcredito que você ainda use as cuequinhas de personagens infantis
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkk