terça-feira, 28 de abril de 2009
Lembranças... (8)
Ainda na época da faculdade de Direito, tínhamos aulas sábado de manhã. Tínhamos um grande amigo nosso que morava em Itararé e estudava na mesma sala da gente. Seu nome: Marcão Quati.
Aos sábados, quase sempre ele ia de carro prá FKB. E como Itapeva era caminho de volta prá Itararé, pegávamos uma carona em seu luxuoso carro.
Numa dessas caronas, viemos em quatro pessoas. O Marcão dirigindo, eu e mais dois colegas de sala que também moravam em Itapeva.
Quatro homens juntos não dava outra, senão um concurso de vantagens. Um dos meus amigos é o que eu apresentei abaixo: espertalhão, malandro e não gostava de ficar por baixo em suas histórias, sempre aumentando os feitos de maneira inacreditável.
Durante a viagem, um a um ia contando uma história. Todos riam. Alguns duvidavam. Mas o campeão era sempre esse meu amigo. Ele contou apenas três histórias, que bastaram prá tirar o Marcão do sério.
A primeira história foi quando falávamos de consumo de combustível dos veículos. O Marcão disse que o carro, importado e zero, fazia 17 quilômetros por litro. Eu que não tinha carro e meu amigo ao meu lado, ficamos quieto. O espertalhão disse que o carro do dele tinha saído da oficina de um amigo, mestre em mecânica, e que agora fazia mais de 30 quilômetros por litro. E o motor ainda era turbo.
O Marcão dirigindo, só olhou pro banco ao lado, do passageiro, onde nosso amigo estava e balançou a cabeça negativamente como que reprovando tal mentira. No banco de trás, eu e meu amigo rimos quase em silêncio.
Combinei com ele de darmos "corda" ao nosso amigo da frente, contando algumas histórias "forçadas", prá ele embarcar. E deu certo. Ele se animou e contou que o aparelho de video dele, na opção EP, gravava 12 horas de programação da TV.
O Marcão falou que, mesmo na posição EP, o máximo de gravação seria 4 horas. Nosso amigo, insistiu, dizendo que o aparelho tinha vindo dos Estados Unidos, que ainda não tinha no Brasil, era modelo novo, etc e tal.
Resignado, o Marcão tentou explicar que o aparelho podia ser novo, mas as fitas só permitiam 4 horas de gravação, independente do aparelho. Nosso amigo insistiu na veracidade da história e se ofereceu prá provar o que falava. O Marcão novamente balançou a cabeça e suspirou.
No banco de trás, eu e meu amigo ríamos horrores, já que nosso plano estava dando certo.
Novo assunto: acidentes de carro.
Meu amigo no banco de trás contou que uma vez capotou o carro numa estrada mas todos sairam ilesos. O carro deu perda total.
Eu, que nunca bati carro na vida, inventei uma historia semelhante, carregando nos detalhes e na desgraça. Mas todos saíram ilesos, graças a Deus.
No banco da frente, esperando a sua vez, nosso amigo bufava de pressa prá contar a dele. E chegou sua vez:
- Uma vez eu tava dirigindo meu carro e numa curva "si" perdi, capotei e fui jogado prá fora. Assim que cai no chão, balancei a cabeça, virei e vi o carro capotando. Corri até ele, estiquei o braço e consegui tirar o meu irmão que tava no banco da frente. O carro continuou capotando e corri de novo e tirei a minha cunhada que estava no banco de trás.
Parou e fez um breve comentário: "Sorte que o carro era quatro portas e os vidros estavam abertos, senão...".
O Marcão já se contorcia ao volante. E ele continuou:
- Depois de tirar minha cunhada, corri atrás do carro e enquanto ele capotava, tirei a minha namorada pelo outro lado. Dae vimos o carro capotar pela ribanceira.
Enquanto ele terminava a história dizendo que ninguém havia se ferido e nós dois no banco de tras gargalhávamos, o Marcão parou o carro e ordenou: "Desce! Já! Anda... desce do carro. Não aguento mais".
Minha barriga doia e meu colega de banco chorava de escorrer lágrimas. Nosso amigo da frente ria, achando que era brincadeira, e o Marcão insistia: "Vamos, to mandando. Desce!"
Achando tratar-se de brincadeira, ele desceu do carro e o carro saiu cantando os pneus enquanto olhávamos pelo vidro trazeiro.
Nervoso, Marcão não parava de repetir: "Até Itapeva eu não aguento. Ele que agradeça de eu ter parado o carro, porque quase joguei ele fora."
Lembranças... (7)
Minha segunda Faculdade foi de Direito, que cursei na FKB, em Itapetininga-SP, que dista 120 kms de Itapeva. Viajávamos toda noite em ônibus fretado com alunos itapevenses que faziam vários cursos naquela instituição.
Na minha sala, érmaos em cinco de nossa cidade. Por sermos conterrâneos, sempre estávamos juntos nas salas de aulas e nos intervalos. A sala comportava mais de 80 alunos, de todas as cidades da região.
Tinha um amigo de Itapeva, em especial, que adorávamos sacanear. Ele era metido a esperto, malandro, sempre sentava ao lado dos melhores alunos nas provas, quase nunca estudava e se gabava de estar "acompanhando" a gente com boas notas. Mas era fraquinho, coitado.
Um dia, numa aula de Direito Internacional, em meados de outubro, o Professor que sempre gostava de comentar atualidades, perguntou prá sala o que se comemorava naquele dia.
Na época eu era diretor-proprietário de um jornal aqui em Itapeva e, não por força da profissão mas por gostar, sempre lia todos os jornais diários. Além disso, eu era um trintão numa sala cuja esmagadora maioria era de jovens recém-saídos da adolescência.
Logo, eu seria a pessoa mais indicada a responder a pergunta do Professor.
A sala silenciou. O Professor perguntou novamente. Nada, ninguém. O Professor aumentou o desafio ofertando aumentar em 1 ponto na nota para quem acertasse.
Eu cochichei pro meu colega espertalhão que estava sentado do meu lado (esse mesmo que comentei acima), que era a data da fundação da ONU.
Ele disse: "Então fale", e eu respondi com ar sério: "Eu não, já fechei nota com ele, não preciso. Fale você que tá precisando". E completei: "E ela foi fundada em 1920".
Novamente o Professor perguntou e eu cutuquei meu colega prá que aproveitasse prá ganhar o ponto antes que alguém falasse.
Ele levantou a mão e disse: "Eu sei, Professor!".
A sala inteira, espantada, virou-se para ele.
- Pois não, Doutor. Diga-me o que se comemora na data de hoje.
Os Professores tinham o hábito de chamar os alunos de Doutores em sala de aula. Tal elogio somado ao espanto da sala, fizeram meu amigo levantar-se da cadeira, estufar o peito e bradar, cheio de si, em alto e bom tom:
- Hoje, Doutor Professor, comemora-se o Dia da ONU, cuja fundação deu-se em 1920.
O silêncio aumentou. Podia-se ouvir os pensamentos dos colegas indagando: "Mas justo ele, como ele sabe disso?".
Eu, ao lado, esforçava-me para segurar um sorriso que teimava em escapar pelo canto da boca. Aguentei até o Professor responder, no mesmo tom, um robusto "NÃO, Doutor", que ecoou pela sala.
Dai não aguentei mais segurar e soltei uma gargalhada, que foi acompanhada pelos colegas da sala juntamente com uma sonora vaia.
Agora era ele que fazia uma cara de espanto, ainda em pé ao meu lado e olhando prá mim sem entender o que estava acontecendo. Depois disso, nem nas minhas colas ele acreditou mais.
Na minha sala, érmaos em cinco de nossa cidade. Por sermos conterrâneos, sempre estávamos juntos nas salas de aulas e nos intervalos. A sala comportava mais de 80 alunos, de todas as cidades da região.
Tinha um amigo de Itapeva, em especial, que adorávamos sacanear. Ele era metido a esperto, malandro, sempre sentava ao lado dos melhores alunos nas provas, quase nunca estudava e se gabava de estar "acompanhando" a gente com boas notas. Mas era fraquinho, coitado.
Um dia, numa aula de Direito Internacional, em meados de outubro, o Professor que sempre gostava de comentar atualidades, perguntou prá sala o que se comemorava naquele dia.
Na época eu era diretor-proprietário de um jornal aqui em Itapeva e, não por força da profissão mas por gostar, sempre lia todos os jornais diários. Além disso, eu era um trintão numa sala cuja esmagadora maioria era de jovens recém-saídos da adolescência.
Logo, eu seria a pessoa mais indicada a responder a pergunta do Professor.
A sala silenciou. O Professor perguntou novamente. Nada, ninguém. O Professor aumentou o desafio ofertando aumentar em 1 ponto na nota para quem acertasse.
Eu cochichei pro meu colega espertalhão que estava sentado do meu lado (esse mesmo que comentei acima), que era a data da fundação da ONU.
Ele disse: "Então fale", e eu respondi com ar sério: "Eu não, já fechei nota com ele, não preciso. Fale você que tá precisando". E completei: "E ela foi fundada em 1920".
Novamente o Professor perguntou e eu cutuquei meu colega prá que aproveitasse prá ganhar o ponto antes que alguém falasse.
Ele levantou a mão e disse: "Eu sei, Professor!".
A sala inteira, espantada, virou-se para ele.
- Pois não, Doutor. Diga-me o que se comemora na data de hoje.
Os Professores tinham o hábito de chamar os alunos de Doutores em sala de aula. Tal elogio somado ao espanto da sala, fizeram meu amigo levantar-se da cadeira, estufar o peito e bradar, cheio de si, em alto e bom tom:
- Hoje, Doutor Professor, comemora-se o Dia da ONU, cuja fundação deu-se em 1920.
O silêncio aumentou. Podia-se ouvir os pensamentos dos colegas indagando: "Mas justo ele, como ele sabe disso?".
Eu, ao lado, esforçava-me para segurar um sorriso que teimava em escapar pelo canto da boca. Aguentei até o Professor responder, no mesmo tom, um robusto "NÃO, Doutor", que ecoou pela sala.
Dai não aguentei mais segurar e soltei uma gargalhada, que foi acompanhada pelos colegas da sala juntamente com uma sonora vaia.
Agora era ele que fazia uma cara de espanto, ainda em pé ao meu lado e olhando prá mim sem entender o que estava acontecendo. Depois disso, nem nas minhas colas ele acreditou mais.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Lembranças... (6)
Justiça seja feita!
Agora que me empolguei com minhas histórias e até esqueci de postar outros assuntos, quero deixar registrado aqui um fato que marcou minha vida e me trouxe (a todos da minha turma) um grande amigo.
Antes seguirmos prá Santos (tópico abaixo), reunimos a galera prá planejar essa viagem. Nessa reunião, meu primo que hoje mora no exterior, disse que tinha extendido o convite à um amigo dele, que eu particularmente, não conhecia.
Primeiro todos ficaram em silêncio. Depois, alguns começaram a dizer que conhecia esse amigo do meu primo e que ele não seria uma pessoa agradável, pois era chato. Meu primo ficou quieto.
Dias depois encontrei meu primo e ele disse que não iria mais. Na hora percebi que era por causa do seu amigo. Reuni a galera novamente e decidimos dar uma chance ao amigo de meu primo, pois fazíamos questão de sua presença na viagem.
Viajamos com ressalvas, meio cabreiros, afinal, os comentários não eram muito favoráveis à ele. Durante a viagem, ele foi num carro e eu dirigindo o outro. Numa das paradas, um dos ocupantes do carro dele veio me contar que "o cara lá até que é legal" e que estava se divertindo muito com ele.
Na praia, ele se enturmou rapidinho. No mesmo dia da chegada já estava tão entrosado conosco que nem lembrávamos mais dos comentários feitos na reunião dias antes.
Ficamos uma semana na praia. Isso foi em 2000. Retornamos de lá e até hoje somos amigos. Alguns que viajaram conosco estão casados, namorando ou morando fora, o que impede um contato maior. Mas nem por isso deixaram de chamá-lo de "amigo".
Hoje eu o tenho como um irmão. Sempre que ele vem à Itapeva me liga e vamos prá balada. Me divirto com suas histórias e sinto sua ausência quando saio sem ele.
Curioso como a vida nos prega peças. E se meu primo, que hoje mora nos Estado Unidos, tivesse desfeito o convite ou simplesmente desistido de viajar? Eu não teria esse primo por perto e nem tampouco ganharia um irmão, que certamente será pro resto da vida.
Paulinho, essa história é minha forma de pedir-lhe desculpas publicamente por ter, um dia, duvidado de você sem ao menos te conhecer.
Felicidades, meu irmãozinho!
Agora que me empolguei com minhas histórias e até esqueci de postar outros assuntos, quero deixar registrado aqui um fato que marcou minha vida e me trouxe (a todos da minha turma) um grande amigo.
Antes seguirmos prá Santos (tópico abaixo), reunimos a galera prá planejar essa viagem. Nessa reunião, meu primo que hoje mora no exterior, disse que tinha extendido o convite à um amigo dele, que eu particularmente, não conhecia.
Primeiro todos ficaram em silêncio. Depois, alguns começaram a dizer que conhecia esse amigo do meu primo e que ele não seria uma pessoa agradável, pois era chato. Meu primo ficou quieto.
Dias depois encontrei meu primo e ele disse que não iria mais. Na hora percebi que era por causa do seu amigo. Reuni a galera novamente e decidimos dar uma chance ao amigo de meu primo, pois fazíamos questão de sua presença na viagem.
Viajamos com ressalvas, meio cabreiros, afinal, os comentários não eram muito favoráveis à ele. Durante a viagem, ele foi num carro e eu dirigindo o outro. Numa das paradas, um dos ocupantes do carro dele veio me contar que "o cara lá até que é legal" e que estava se divertindo muito com ele.
Na praia, ele se enturmou rapidinho. No mesmo dia da chegada já estava tão entrosado conosco que nem lembrávamos mais dos comentários feitos na reunião dias antes.
Ficamos uma semana na praia. Isso foi em 2000. Retornamos de lá e até hoje somos amigos. Alguns que viajaram conosco estão casados, namorando ou morando fora, o que impede um contato maior. Mas nem por isso deixaram de chamá-lo de "amigo".
Hoje eu o tenho como um irmão. Sempre que ele vem à Itapeva me liga e vamos prá balada. Me divirto com suas histórias e sinto sua ausência quando saio sem ele.
Curioso como a vida nos prega peças. E se meu primo, que hoje mora nos Estado Unidos, tivesse desfeito o convite ou simplesmente desistido de viajar? Eu não teria esse primo por perto e nem tampouco ganharia um irmão, que certamente será pro resto da vida.
Paulinho, essa história é minha forma de pedir-lhe desculpas publicamente por ter, um dia, duvidado de você sem ao menos te conhecer.
Felicidades, meu irmãozinho!
Lembranças... (5)
Certa feita (sempre quis começar um texto assim), viajamos em uma turma prá Santos, litoral de São Paulo. Fomos em dois carros. Dez pessoas: três meninas e o resto um bando de rapazes à procura de muita azaração na praia.
Ficamos em Santos mas íamos toda manhã pro Guarujá, nadar e pagar de "riquinhos". Passávamos o dia lá. As poucas meninas que tivemos coragem de aproximar e conversar (caipira na praia é dureza), quando perguntavam onde estávamos ficando, recebiam como resposta "naquele prédio", com o dedo sempre apontando a esmo para o primeiro prédio que a vista alcançava.
Das cantadas na praia nada rendeu. Só vermelhidão e muita areia dentro da sunga (como entra areia na sunga, meu Deus... deviam asfaltar as praias...).
Durante a semana que estivemos em Santos, a proprietária do apartamento (talvez com pena de nossas infrutíferas cantadas), nos avisou que no sábado iria nos levar à uma danceteria no Guaruja, chamada Avelino´s, onde as noites "ferviam".
Passamos a semana ansiosos pela balada do sábado. Não chegava nunca. E quando chegou, parecia que o relógio não andava. Nem à praia fomos. Ficamos no apartamento, contando os minutos.
A noite chegou. Fomos à danceteria. Nem vou comentar aqui a aventura que foi chegar lá, pois era longe prá burro.
Dentro do Avelino´s, uma loucura. Mais de 3 mil pessoas (isso mesmo) se amontoando pelos vários ambientes da casa. Estávamos bem apresentados até. Roupinhas novas, sorriso no rosto. Impossível não beijar ninguem em meio a tanta gente solteira.
Hora passando e nada. Nem um beijo. Menos ainda: nem um "oi" respondido ante algumas palavras faladas ao cruzar de olhares. Estávamos derrotados. O jeito era curtir a balada e apreciar as belas garotas que desfilavam pelos ambientes com suas roupinhas provocantes de verão.
Sem perceber, ficamos em fila em uma espécie de corredor escuro, que ligava um dos ambientes a um dos bares. Um ao lado do outro. As meninas passavam pela gente e a olhávamos dos pés à cabeça. E seguia olhando até vir outra. Virou festa aquilo.
À nossa fila, juntou-se mais uns três ou quatro carinhas, tão perdidos e derrotados quanto nós. Entre nós e eles estava o mais "atirado" da nossa turma. Era o que mais tentava puxar papo com as meninas. Mas elas nem bola davam.
De repente, eis que surge à nossa frente, próximo do primeiro da fila (que era eu) uma morena linda, cabelos longos, pretos, olhos amendoados, sorriso perfeito e dentes brancos. O corpo entao... melhor nem comentar. Frisson na fila. Todos falando "oi" prá ela. Parecia jogral de escola, onde um após outro, cada aluno ia declamando um pequeno texto.
Nosso amigo, não se contentando com seu "oi" não respondido, esperou ela passar e afagou-lhe os cabelos. Sim, apenas passou-lhe a mão em seus cabelos.
Espanto geral: a menina parou, virou e sem pestanejar desferiu um tapa que mesmo com o som alto do ambiente eu consegui ouvir lá no início da fila. Uma a uma as cabecinhas foram curvando para tentar visualizar o atingido pelo bofetão.
De repente, fomos encobertos pela silhueta de nosso amigo xavecador (autor do afago) vindo em nossa direção, rindo e dizendo: "Caramba, que tapão ela deu no carinha".
E lá tava o pobre rapaz, com a mão no rosto, olhar assustado de quem não tinha entendido nada e cujo único pecado foi estar na hora errada e no lugar errado, justo ao lado do xavequeiro.
Ficamos em Santos mas íamos toda manhã pro Guarujá, nadar e pagar de "riquinhos". Passávamos o dia lá. As poucas meninas que tivemos coragem de aproximar e conversar (caipira na praia é dureza), quando perguntavam onde estávamos ficando, recebiam como resposta "naquele prédio", com o dedo sempre apontando a esmo para o primeiro prédio que a vista alcançava.
Das cantadas na praia nada rendeu. Só vermelhidão e muita areia dentro da sunga (como entra areia na sunga, meu Deus... deviam asfaltar as praias...).
Durante a semana que estivemos em Santos, a proprietária do apartamento (talvez com pena de nossas infrutíferas cantadas), nos avisou que no sábado iria nos levar à uma danceteria no Guaruja, chamada Avelino´s, onde as noites "ferviam".
Passamos a semana ansiosos pela balada do sábado. Não chegava nunca. E quando chegou, parecia que o relógio não andava. Nem à praia fomos. Ficamos no apartamento, contando os minutos.
A noite chegou. Fomos à danceteria. Nem vou comentar aqui a aventura que foi chegar lá, pois era longe prá burro.
Dentro do Avelino´s, uma loucura. Mais de 3 mil pessoas (isso mesmo) se amontoando pelos vários ambientes da casa. Estávamos bem apresentados até. Roupinhas novas, sorriso no rosto. Impossível não beijar ninguem em meio a tanta gente solteira.
Hora passando e nada. Nem um beijo. Menos ainda: nem um "oi" respondido ante algumas palavras faladas ao cruzar de olhares. Estávamos derrotados. O jeito era curtir a balada e apreciar as belas garotas que desfilavam pelos ambientes com suas roupinhas provocantes de verão.
Sem perceber, ficamos em fila em uma espécie de corredor escuro, que ligava um dos ambientes a um dos bares. Um ao lado do outro. As meninas passavam pela gente e a olhávamos dos pés à cabeça. E seguia olhando até vir outra. Virou festa aquilo.
À nossa fila, juntou-se mais uns três ou quatro carinhas, tão perdidos e derrotados quanto nós. Entre nós e eles estava o mais "atirado" da nossa turma. Era o que mais tentava puxar papo com as meninas. Mas elas nem bola davam.
De repente, eis que surge à nossa frente, próximo do primeiro da fila (que era eu) uma morena linda, cabelos longos, pretos, olhos amendoados, sorriso perfeito e dentes brancos. O corpo entao... melhor nem comentar. Frisson na fila. Todos falando "oi" prá ela. Parecia jogral de escola, onde um após outro, cada aluno ia declamando um pequeno texto.
Nosso amigo, não se contentando com seu "oi" não respondido, esperou ela passar e afagou-lhe os cabelos. Sim, apenas passou-lhe a mão em seus cabelos.
Espanto geral: a menina parou, virou e sem pestanejar desferiu um tapa que mesmo com o som alto do ambiente eu consegui ouvir lá no início da fila. Uma a uma as cabecinhas foram curvando para tentar visualizar o atingido pelo bofetão.
De repente, fomos encobertos pela silhueta de nosso amigo xavecador (autor do afago) vindo em nossa direção, rindo e dizendo: "Caramba, que tapão ela deu no carinha".
E lá tava o pobre rapaz, com a mão no rosto, olhar assustado de quem não tinha entendido nada e cujo único pecado foi estar na hora errada e no lugar errado, justo ao lado do xavequeiro.
Lembranças... (5)
Hoje, conversando com um amigo meu, ele me contou a seguinte história:
Sua esposa sempre o cobra prá acompanhá-la à missa dominical, ao que ele reluta com a desculpa de todos os católicos não-praticantes de que não precisa ir na missa para acreditar em Deus, etc., etc. e etc.
Domingo último, não sei através de quais métodos de convencimento, sua esposa o "carregou" até a Igreja. No sermão, o padre usou e abusou do assunto de que católico que é católico tem sim que comparecer à missa e participar dela, não bastando apenas se dizer católico.
Pronto. Estava dada a deixa pro meu amigo levar vários cutucões da esposa durante o sermão. Parecia até que ela tinha ligado pro padre e alertado sobre a sua presença naquela tarde.
Enquanto dirigia-se para casa, a esposa falante não tocava em outro assunto que não fosse o que o padre falou, dando-lhe razão. Meu amigo, depois de tão direto sermão, resignou-se ao silêncio.
Já em casa, a esposa ligou pros filhos que residem em outra cidade onde estudam. Após a indagação de praxe (estão se alimentando? Tem comida em casa? Tem ido às aula?), aproveitou prá contar ao primogênito sobre a coincidência de sua eterna luta em levar seu marido à igreja e o assunto explanado pelo padre durante o sermão.
E lá foi ela com um tom de voz sarcástico e vitorioso, enquanto olhava pro meu amigo que a tudo ouvia pelo viva voz:
- Hoje levei seu pai à missa. Vivo falando prá ele que tem que ir à missa e participar e ele sempre reclama e não vai. Mas hoje foi bom. Adorei.
E encerrou dizendo:
- A missa foi feita prá ele!
Ao que o filho perguntou:
- Porque? Estavam distribuindo cerveja lá?
Meu amigo levantou e correu tomar banho. Segundo ele, está até agora treinando para olhar prá cara da esposa e não rir.
Lembranças... (4)
Talvez essas duas historas que aconteceram comigo expliquem o porquê de eu não me dar bem com cavalos (animais equinos - sem trema) e, também, de não gostar de rodeios e festas de peão. Vamos à elas.
Minha primeira aventura com esse animal deu-se durante as férias escolares, há muito tempo, na vizinha cidade de Itararé. Por termos parentes em comum naquele local, eu e meus primos (entre 6 e 7 no total), viajavamos Para a casa de nossa avó.
Cidade pequena, vazia, pouca coisa a se fazer e nós, com idade entre 9 e 12 anos e disposição a mil, sempre procurávamos algo a fazer. Nossa diversão se dava, diariamente, nos fundos de uma serraria, onde havia montanhas de "sepilho" (restos de madeira, quase em pó), onde faziamos cavernas, cabaninhas ou desciamos rolando lá do alto.
Essa última modalidade sempre nos causava vários arranhões, que devido à ausência de nossos pais, que ficavam em nossas cidades de origem, não trazia problemas nem proibições para, no dia seguinte, voltarmos ao nosso "parque de diversões".
Num certo dia, ouvimos uma de nossas tias comentar que um tio distante ia vender uma chácara que possuia nos arredores da cidade. Meu primo mais velho se interessou e, como quem não quer nada, questionou onde ficava e como chegaria lá. Pronto! Estava lançado o desafio: procurar a chácara do Tio Ídio (nosso tio-avô, que veio junto com seu irmão, nosso avô Armódio Abdallah, do Líbano).
No dia seguinte saímos a procura da chácara. Até que não foi dificil encontrá-la, após horas de caminhada sob um sol escaldante. No local, nada mais que uma casinha velha e só. Decepção total. Horas de caminhada prá... nada?
Um dos meus primos avistou, ao longe e dentro da propriedade, um cavalo. Na realidade, um verdadeiro pangaré. Caído o coitado. Velhinho. Expressão (?) de cansado. Acho que estava usufruindo da chácara mais como asilo do que como propriedade.
Lá foi meu primo, um destemido caubói da cidade, se aventurar em montar o pangaré. Colocou (não sei como) uma corda na boca do animal, trouxe-o prá perto de um barranco, subiu em seu dorso e saiu gritando "aiooowww silver" (expressão muito utilizada por Zorro, nos desenhos animados da época).
Os demais primos (inclusive eu... pobrezinho), nos enfileiramos próximo ao barranco prá esperar nossa vez. Ele trouxe o animal, desceu e o próximo subiu. Detalhe: o cavalo estava sem sela ou sei lá como se chama aquele "troninho" que colocam em cima dele prá gente sentar. Um a um foi dando uma volta e gritando, rindo, divertindo. Até que chegou minha vez.
Importante me apresentar: aos 9 anos de idade eu era baixinho, gordinho (na verdade, bem gordinho), com roupinhas que combinavam ( especialmente compradas pela mãe-coruja que se orgulhava de apresentar o filho fofinho sempre arrumadinho), meias brancas até próximo do joelho e sapatinho (acreditem, minha mãe me fazia usar sapatinhos de amarrar, quando não era bota ortopédica, com aqueles conjuntinhos mirins).
Subi no barranco e puxaram o cavalo prá perto do mesmo. Segurei em sua crina e tentei esticar lateralmente a perna esquerda para alcançar seu lombo. O problema de gordinho mirim é sua mobilidade e alongamento. No meu caso, a falta dela. Cada esticada de perna era um chute lateral na barriga do cavalo, que se afastava do barranco. Puxado prá próximo pelos primos, lá ia eu tentar novamente e chutar o cavalo.
Até que, após várias tentativas, consegui! Meu pé (e somente ele) estava nas costas do cavalo. Gritaria geral. Vitória. Havia conseguido. Ou não...
Os gritos de meus primos, ao que parece, assustaram o desconfiado animal que estava há vários minutos sendo chutado e começou a deslocar-se lateralmente para longe do barranco. E eu com um pé no barranco e o outro em suas costas, sendo testado em meu alongamento de pernas. Descobri que fazer "spacatto" é doloroso.
Começou o questionamento dos primos. Uns gritavam prá eu "pular" com a outra perna prá cima do cavalo. Outros, prá eu puxar a perna de cima dele. Não sei se pela idade ou pela inusitada situação, acabei por não fazer nem um e nem outro. Até que escutei os fundos de meu shorts verde (que combinava com minha camiseta verde) abrir-se de ponta a ponta, num barulho de rasgar que assustou de vez o cavalo, fazendo-o andar num misto de lado e prá frente, fazendo eu ver o mundo de ponta cabeça numa queda que demorou horas até atingir o chão.
Meus primos até que seguraram a risada e vieram me acudir, todo estirado no chão e iniciando uma cara de choro. Não lembro se doeu costas, pernas ou braços. Mas lembro que andar pelas ruas da cidade, durante o trajeto de volta, com um shorts dividido ao meio, que deixava a mostra uma cuequinha com personagens de Walt Disney, me matou de vergonha.
Minha primeira aventura com esse animal deu-se durante as férias escolares, há muito tempo, na vizinha cidade de Itararé. Por termos parentes em comum naquele local, eu e meus primos (entre 6 e 7 no total), viajavamos Para a casa de nossa avó.
Cidade pequena, vazia, pouca coisa a se fazer e nós, com idade entre 9 e 12 anos e disposição a mil, sempre procurávamos algo a fazer. Nossa diversão se dava, diariamente, nos fundos de uma serraria, onde havia montanhas de "sepilho" (restos de madeira, quase em pó), onde faziamos cavernas, cabaninhas ou desciamos rolando lá do alto.
Essa última modalidade sempre nos causava vários arranhões, que devido à ausência de nossos pais, que ficavam em nossas cidades de origem, não trazia problemas nem proibições para, no dia seguinte, voltarmos ao nosso "parque de diversões".
Num certo dia, ouvimos uma de nossas tias comentar que um tio distante ia vender uma chácara que possuia nos arredores da cidade. Meu primo mais velho se interessou e, como quem não quer nada, questionou onde ficava e como chegaria lá. Pronto! Estava lançado o desafio: procurar a chácara do Tio Ídio (nosso tio-avô, que veio junto com seu irmão, nosso avô Armódio Abdallah, do Líbano).
No dia seguinte saímos a procura da chácara. Até que não foi dificil encontrá-la, após horas de caminhada sob um sol escaldante. No local, nada mais que uma casinha velha e só. Decepção total. Horas de caminhada prá... nada?
Um dos meus primos avistou, ao longe e dentro da propriedade, um cavalo. Na realidade, um verdadeiro pangaré. Caído o coitado. Velhinho. Expressão (?) de cansado. Acho que estava usufruindo da chácara mais como asilo do que como propriedade.
Lá foi meu primo, um destemido caubói da cidade, se aventurar em montar o pangaré. Colocou (não sei como) uma corda na boca do animal, trouxe-o prá perto de um barranco, subiu em seu dorso e saiu gritando "aiooowww silver" (expressão muito utilizada por Zorro, nos desenhos animados da época).
Os demais primos (inclusive eu... pobrezinho), nos enfileiramos próximo ao barranco prá esperar nossa vez. Ele trouxe o animal, desceu e o próximo subiu. Detalhe: o cavalo estava sem sela ou sei lá como se chama aquele "troninho" que colocam em cima dele prá gente sentar. Um a um foi dando uma volta e gritando, rindo, divertindo. Até que chegou minha vez.
Importante me apresentar: aos 9 anos de idade eu era baixinho, gordinho (na verdade, bem gordinho), com roupinhas que combinavam ( especialmente compradas pela mãe-coruja que se orgulhava de apresentar o filho fofinho sempre arrumadinho), meias brancas até próximo do joelho e sapatinho (acreditem, minha mãe me fazia usar sapatinhos de amarrar, quando não era bota ortopédica, com aqueles conjuntinhos mirins).
Subi no barranco e puxaram o cavalo prá perto do mesmo. Segurei em sua crina e tentei esticar lateralmente a perna esquerda para alcançar seu lombo. O problema de gordinho mirim é sua mobilidade e alongamento. No meu caso, a falta dela. Cada esticada de perna era um chute lateral na barriga do cavalo, que se afastava do barranco. Puxado prá próximo pelos primos, lá ia eu tentar novamente e chutar o cavalo.
Até que, após várias tentativas, consegui! Meu pé (e somente ele) estava nas costas do cavalo. Gritaria geral. Vitória. Havia conseguido. Ou não...
Os gritos de meus primos, ao que parece, assustaram o desconfiado animal que estava há vários minutos sendo chutado e começou a deslocar-se lateralmente para longe do barranco. E eu com um pé no barranco e o outro em suas costas, sendo testado em meu alongamento de pernas. Descobri que fazer "spacatto" é doloroso.
Começou o questionamento dos primos. Uns gritavam prá eu "pular" com a outra perna prá cima do cavalo. Outros, prá eu puxar a perna de cima dele. Não sei se pela idade ou pela inusitada situação, acabei por não fazer nem um e nem outro. Até que escutei os fundos de meu shorts verde (que combinava com minha camiseta verde) abrir-se de ponta a ponta, num barulho de rasgar que assustou de vez o cavalo, fazendo-o andar num misto de lado e prá frente, fazendo eu ver o mundo de ponta cabeça numa queda que demorou horas até atingir o chão.
Meus primos até que seguraram a risada e vieram me acudir, todo estirado no chão e iniciando uma cara de choro. Não lembro se doeu costas, pernas ou braços. Mas lembro que andar pelas ruas da cidade, durante o trajeto de volta, com um shorts dividido ao meio, que deixava a mostra uma cuequinha com personagens de Walt Disney, me matou de vergonha.
Lembranças... (3)
O tempo passou. Acho até que tinha me esquecido porquê eu nunca me interessei em montar em cavalos, embora tenha tido várias oportunidades. Agora eu estava com 21 anos. Era alto (ainda sou: 1,90m), magro, forte e estava namorando.
A convite da namorada, fui convidado à conhecer Campanha, uma cidadezinha de Minas Gerais onde morava sua família. Cidade pequena, parentes carinhosos e educados que, em poucos minutos me fizeram sentir como um membro da família (que logo eu seria, através de meu casamento).
Todo dia inventavam algo para fazermos para animar minha estadia, fora o tradicional carteado noturno, onde hoje acho que, devido eu ser visita, me deixaram ganhar sempre.
Numa manhã, durante o café, fui avisado que iríamos passar o dia numa estância hidromineral que havia numa cidade vizinha. Lá eu beberia água de diversos “sabores” (credo, tinha água até com gosto de ferrugem, que me fizeram beber dizendo ser bom prá saúde, enquanto riam da minha cara de nojo) e passar um dia delicioso com direito, inclusive a piquenique.
Cambuquira era o nome da estância hidromineral mineira. Dia de domingo, cidadezinha lotada, um lindo parque aquático e várias fontes com diversos “tipos” de água espalhadas. E lá fomos nós, canequinha à mão experimentar fonte por fonte.
No centro do parque aquático, que era cercado por uma bela floresta, havia uma espécie de estábulo, com vários cavalos dentro e outros saindo com pessoas montadas. Minha namorada, na época, se dizia apaixonada por cavalos e me convidou, juntamente com seus irmãos, para dar uma "voltinha" de cavalo.
Na hora nem lembrei de meu antigo “desentendimento” com referido animal. E mesmo que lembrasse, não poderia fazer feio recusando o convite de minha namorada. Se ela e seus irmãos, inclusive um de 8 anos de idade, iriam andar a cavalo, eu também iria. Ou teria que ir.
Após subir no animal e percebendo meu desconforto, o proprietário do “estábulo” deu uma pequena orientação sobre como virar a direita, esquerda e como parar o bicho. Já desconfiado (minha intuição não falha nunca), notei que não havia cinto de segurança, setas e nem air bag prá me proteger de uma eventual queda.
Saímos. A namorada e os cunhados na frente e eu lá atraz, tentando me familiarizar com o cavalo. Logo de início já não gostei. O animal trotava, com passadas altas e isso me fazia pular em cima da sela. Meu estômago subia até a garganta e voltava a cada passo do cavalo (e eram quatro por vez). Meu cérebro parecia que estava solto dentro da caixa craniana. Uma vontade de parar e ir a pé começou a tomar conta de meus pensamentos, agora, saltitantes.
Comentei isso com minha namorada e ela me disse que se eu fizesse o cavalo andar mais rápido, os “pulos” seriam menos sentido e eu teria mais “conforto”. Infeliz idéia. Ainda dentro da cidade, deslocávamos em direção á floresta, por onde eu já começava a vislumbrar uma trilha que certamente o cavalo já tinha visto e por onde estava acostumado a levar seus “passageiros”.
Aplicando uns golpes com o calcanhar na barriga do animal consegui que o mesmo andasse mais rápido. Os pulos foram suavizados. Meu cérebro estava menos solto e meu estômago já não chegava na garganta... aproximava-se do coração. Tinha razão minha namorada.
Mas como nada é perfeito, descobri que a sela era por demais lisa. Muito lisa. Meu bumbum (que não é pequeno) pendia “prum” lado, eu me ajeitava.. pendia pro outro. E lá ia eu, fazendo verdadeiro malabarismo em cima do bicho. Talvez quem visse, achasse que eu estava rebolando mais que o cavalo.
Comecei a suar frio. O medo de cair me dominava. Entramos pela trilha dentro floresta, que àquela altura já deixara de ser linda e começava a tomar ar de mal assombrada. Galhos batendo em minha cabeça e meu corpo, dificultavam ainda mais minha permanência em cima do animal. E o cavalo na dele, sem se importar. Aliás, acho até que ele fazia de propósito ao me levar de encontro aos galhos, na esperança de me fazer cair e dar muita risada.
Dentro da floresta, ao lado das trilhas, haviam vários garotos que, com certeza, eram contratados pelo dono do estábulo para dar uma “assessoria” aos cavaleiros que transitavam por ela. Uma espécie de "S.O.S." das rodovias privatizadas atuais. E um desses "infeliz" garoto, vendo a fila que se formava atrás de mim devido à velocidade reduzida com que eu conduzia o cavalo, resolveu descongestionar o trânsito, dando com um pedaço de madeira (vara) no lombo do animal, que acusou o golpe e partiu em disparada pelo estreito caminho.
Os garotos que estavam à frente (turma do SOS) vendo a minha alegria (eu gritava sim, mas não era de alegria), reforçaram as chibatadas no lombo do animal, fazendo-o aumentar a velocidade.
Pronto. Estava anunciado o desastre. Eu lá, tentando me equilibrar naquela sela escorregadia e desviando dos galhos (na realidade acho que acertei todos. Foi stryke geral) que apareciam na minha frente, vendo o chão cada vez mais próximo, não tive dúvidas: larguei as cordas que prendiam o animal e abracei o pescoço do cavalo.
Claro que, diante do medo da queda, o abraço que dei no pescoço do animal passou longe de ser carinhoso, beirando mais ao enforcamento. Assustado, o cavalo aumentou a velocidade, eu apertei mais forte, fechei os olhos e deixei meu alazão levar-me prá onde quisesse. Mais do que nunca, agora eu era um passageiro.
O tempo pareceu-me uma eternidade. Parecia fazer tanto tempo que eu estava ali, em cima do animal e abraçando-o fortemente, que achava que já estava chegando em Itapeva (distante mais de 700 kms.), quando, ao fundo, escutei risadas e comentários do tipo: “olha lá... olha o moço no cavalo”.
Abrindo medrosamente um dos olhos percebi que eu já tinha saído da floresta e estava em cima de um cavalo assustado (tanto quanto eu) no centro do parque, passando por entre pessoas e sendo levado de volta ao “estábulo”. Bendito cavalo ensinado. Parou ao chegar na porta do estabelecimento.
O dono veio “recepcionar” o animal e sem disfarçar um sorriso no canto da boca disse-me que eu estava em segurança e podia descer sem problemas. Levantei o corpo, procurei aquele treco onde encaixamos no pé, que não sei como havia escapado do meu, e com as pernas trêmulas desci com classe e elegância, parecendo um príncipe que voltava de uma caçada real. Pelo menos isso, né?
Já no chão, senti meu rosto ficar vermelho ao ver minha namorada e meus cunhados (inclusive aquele pestinha de 8 anos de idade que, pasmem, conseguia dominar o seu cavalo) chegando em cavalgada e rindo muito. Não sei como e nem quanto ultrapasseio-os, só sei que cheguei primeiro. Os parentes vieram ao meu encontro tentando disfarçar o riso e, num misto de solidariedade e vergonha me perguntaram se estava tudo bem, ao que respondi, pálido; “agora está!”.
Já em terra firme e após pagar pelo passeio (isso mesmo, ainda tive que pagar), fomos conhecer outras partes do parque, onde percebi que, além do silêncio da família que me acompanhava, evitando a fuga de uma indelicada gargalhada, eu tornei uma celebridade, sendo apontado pelas pessoas por onde eu passava.
Namorei por vários anos e casei. Nas férias e feriados nosso destino era sempre aquela tranqüila cidade de Minas Gerais. A família sempre me tratou com extrema educação e carinho e, tal qual como a primeira vez, sempre procuravam opções de lazer para combater a extrema calmaria que reinava na cidade. Curiosamente, o passeio à Cambuquira nunca mais se repetiu.
Tenho vontade de voltar lá. Talvez deva ter uma placa ou estátua em minha homenagem no parque aquático, ou então, aquele dia tenha sido decretado feriado municipal em alusão ao inesquecível dia que o parque todo gargalhou do "homem no cavalo", havendo desfiles pelas ruas da cidade com os cavaleiros "abraçando" seus animais.
A convite da namorada, fui convidado à conhecer Campanha, uma cidadezinha de Minas Gerais onde morava sua família. Cidade pequena, parentes carinhosos e educados que, em poucos minutos me fizeram sentir como um membro da família (que logo eu seria, através de meu casamento).
Todo dia inventavam algo para fazermos para animar minha estadia, fora o tradicional carteado noturno, onde hoje acho que, devido eu ser visita, me deixaram ganhar sempre.
Numa manhã, durante o café, fui avisado que iríamos passar o dia numa estância hidromineral que havia numa cidade vizinha. Lá eu beberia água de diversos “sabores” (credo, tinha água até com gosto de ferrugem, que me fizeram beber dizendo ser bom prá saúde, enquanto riam da minha cara de nojo) e passar um dia delicioso com direito, inclusive a piquenique.
Cambuquira era o nome da estância hidromineral mineira. Dia de domingo, cidadezinha lotada, um lindo parque aquático e várias fontes com diversos “tipos” de água espalhadas. E lá fomos nós, canequinha à mão experimentar fonte por fonte.
No centro do parque aquático, que era cercado por uma bela floresta, havia uma espécie de estábulo, com vários cavalos dentro e outros saindo com pessoas montadas. Minha namorada, na época, se dizia apaixonada por cavalos e me convidou, juntamente com seus irmãos, para dar uma "voltinha" de cavalo.
Na hora nem lembrei de meu antigo “desentendimento” com referido animal. E mesmo que lembrasse, não poderia fazer feio recusando o convite de minha namorada. Se ela e seus irmãos, inclusive um de 8 anos de idade, iriam andar a cavalo, eu também iria. Ou teria que ir.
Após subir no animal e percebendo meu desconforto, o proprietário do “estábulo” deu uma pequena orientação sobre como virar a direita, esquerda e como parar o bicho. Já desconfiado (minha intuição não falha nunca), notei que não havia cinto de segurança, setas e nem air bag prá me proteger de uma eventual queda.
Saímos. A namorada e os cunhados na frente e eu lá atraz, tentando me familiarizar com o cavalo. Logo de início já não gostei. O animal trotava, com passadas altas e isso me fazia pular em cima da sela. Meu estômago subia até a garganta e voltava a cada passo do cavalo (e eram quatro por vez). Meu cérebro parecia que estava solto dentro da caixa craniana. Uma vontade de parar e ir a pé começou a tomar conta de meus pensamentos, agora, saltitantes.
Comentei isso com minha namorada e ela me disse que se eu fizesse o cavalo andar mais rápido, os “pulos” seriam menos sentido e eu teria mais “conforto”. Infeliz idéia. Ainda dentro da cidade, deslocávamos em direção á floresta, por onde eu já começava a vislumbrar uma trilha que certamente o cavalo já tinha visto e por onde estava acostumado a levar seus “passageiros”.
Aplicando uns golpes com o calcanhar na barriga do animal consegui que o mesmo andasse mais rápido. Os pulos foram suavizados. Meu cérebro estava menos solto e meu estômago já não chegava na garganta... aproximava-se do coração. Tinha razão minha namorada.
Mas como nada é perfeito, descobri que a sela era por demais lisa. Muito lisa. Meu bumbum (que não é pequeno) pendia “prum” lado, eu me ajeitava.. pendia pro outro. E lá ia eu, fazendo verdadeiro malabarismo em cima do bicho. Talvez quem visse, achasse que eu estava rebolando mais que o cavalo.
Comecei a suar frio. O medo de cair me dominava. Entramos pela trilha dentro floresta, que àquela altura já deixara de ser linda e começava a tomar ar de mal assombrada. Galhos batendo em minha cabeça e meu corpo, dificultavam ainda mais minha permanência em cima do animal. E o cavalo na dele, sem se importar. Aliás, acho até que ele fazia de propósito ao me levar de encontro aos galhos, na esperança de me fazer cair e dar muita risada.
Dentro da floresta, ao lado das trilhas, haviam vários garotos que, com certeza, eram contratados pelo dono do estábulo para dar uma “assessoria” aos cavaleiros que transitavam por ela. Uma espécie de "S.O.S." das rodovias privatizadas atuais. E um desses "infeliz" garoto, vendo a fila que se formava atrás de mim devido à velocidade reduzida com que eu conduzia o cavalo, resolveu descongestionar o trânsito, dando com um pedaço de madeira (vara) no lombo do animal, que acusou o golpe e partiu em disparada pelo estreito caminho.
Os garotos que estavam à frente (turma do SOS) vendo a minha alegria (eu gritava sim, mas não era de alegria), reforçaram as chibatadas no lombo do animal, fazendo-o aumentar a velocidade.
Pronto. Estava anunciado o desastre. Eu lá, tentando me equilibrar naquela sela escorregadia e desviando dos galhos (na realidade acho que acertei todos. Foi stryke geral) que apareciam na minha frente, vendo o chão cada vez mais próximo, não tive dúvidas: larguei as cordas que prendiam o animal e abracei o pescoço do cavalo.
Claro que, diante do medo da queda, o abraço que dei no pescoço do animal passou longe de ser carinhoso, beirando mais ao enforcamento. Assustado, o cavalo aumentou a velocidade, eu apertei mais forte, fechei os olhos e deixei meu alazão levar-me prá onde quisesse. Mais do que nunca, agora eu era um passageiro.
O tempo pareceu-me uma eternidade. Parecia fazer tanto tempo que eu estava ali, em cima do animal e abraçando-o fortemente, que achava que já estava chegando em Itapeva (distante mais de 700 kms.), quando, ao fundo, escutei risadas e comentários do tipo: “olha lá... olha o moço no cavalo”.
Abrindo medrosamente um dos olhos percebi que eu já tinha saído da floresta e estava em cima de um cavalo assustado (tanto quanto eu) no centro do parque, passando por entre pessoas e sendo levado de volta ao “estábulo”. Bendito cavalo ensinado. Parou ao chegar na porta do estabelecimento.
O dono veio “recepcionar” o animal e sem disfarçar um sorriso no canto da boca disse-me que eu estava em segurança e podia descer sem problemas. Levantei o corpo, procurei aquele treco onde encaixamos no pé, que não sei como havia escapado do meu, e com as pernas trêmulas desci com classe e elegância, parecendo um príncipe que voltava de uma caçada real. Pelo menos isso, né?
Já no chão, senti meu rosto ficar vermelho ao ver minha namorada e meus cunhados (inclusive aquele pestinha de 8 anos de idade que, pasmem, conseguia dominar o seu cavalo) chegando em cavalgada e rindo muito. Não sei como e nem quanto ultrapasseio-os, só sei que cheguei primeiro. Os parentes vieram ao meu encontro tentando disfarçar o riso e, num misto de solidariedade e vergonha me perguntaram se estava tudo bem, ao que respondi, pálido; “agora está!”.
Já em terra firme e após pagar pelo passeio (isso mesmo, ainda tive que pagar), fomos conhecer outras partes do parque, onde percebi que, além do silêncio da família que me acompanhava, evitando a fuga de uma indelicada gargalhada, eu tornei uma celebridade, sendo apontado pelas pessoas por onde eu passava.
Namorei por vários anos e casei. Nas férias e feriados nosso destino era sempre aquela tranqüila cidade de Minas Gerais. A família sempre me tratou com extrema educação e carinho e, tal qual como a primeira vez, sempre procuravam opções de lazer para combater a extrema calmaria que reinava na cidade. Curiosamente, o passeio à Cambuquira nunca mais se repetiu.
Tenho vontade de voltar lá. Talvez deva ter uma placa ou estátua em minha homenagem no parque aquático, ou então, aquele dia tenha sido decretado feriado municipal em alusão ao inesquecível dia que o parque todo gargalhou do "homem no cavalo", havendo desfiles pelas ruas da cidade com os cavaleiros "abraçando" seus animais.
sábado, 25 de abril de 2009
Lembranças... (2)
Certo dia estava eu e minha garota na cozinha de casa e enquanto ela preparava o ALMOÇO, conversávamos sobre o futuro, casamento (eitcha!!!) e filhos. Sentindo a (in)direta e o clima pesando pro meu lado, ao tocar no assunto "filhos", resolvi fazer uma piadinha com a situação e disse:
- Tomara que nosso filho puxe a sua beleza e a minha inteligência, porque se for o contrário vou ter pena dele, coitadinho.
Após o (in)feliz comentário, soltei uma gargalhada, ficando fã do meu rápido senso de humor ocasional, que roubou-lhe um tímido risinho de seu rosto enquanto voltava-se para o fogão. Bastou! Senti que agradei.
O dia transcorreu normalmente e a noite fui buscá-la prá namorarmos um pouco. Após o já rotineiro namorico noturno, deitados no sofá-cama da sala, começamos a assistir um filme que parecia ser superinteressante (prá ela).
Como sempre faço em filmes de TV, adormeci e viajei no mais profundo sono. Lá estava eu embalado pelas falas dos atores (quem não gosta de dormir com a TV ligada?) quando fui abruptamente despertado por um tapa violentamente desferido sobre minha nunca.
Assustado, acordei sem saber onde estava, quem eu era ou o que tava acontecendo. Em milésimos de segundo voltei à realidade e percebi que fui atingido na nuca. Olhei ao redor e só vi um rosto (muito lindo por sinal) olhando prá mim com um certo ar de reprovação.
Ainda meio tonto perguntei o q estava acontecendo? Porque tinha me batido? Ao que ela respondeu:
- Não gostei da piadinha que você fez sobre nossos filhos e a minha inteligência, viu?
E isso era mais de 3 horas da madrugada...
- Tomara que nosso filho puxe a sua beleza e a minha inteligência, porque se for o contrário vou ter pena dele, coitadinho.
Após o (in)feliz comentário, soltei uma gargalhada, ficando fã do meu rápido senso de humor ocasional, que roubou-lhe um tímido risinho de seu rosto enquanto voltava-se para o fogão. Bastou! Senti que agradei.
O dia transcorreu normalmente e a noite fui buscá-la prá namorarmos um pouco. Após o já rotineiro namorico noturno, deitados no sofá-cama da sala, começamos a assistir um filme que parecia ser superinteressante (prá ela).
Como sempre faço em filmes de TV, adormeci e viajei no mais profundo sono. Lá estava eu embalado pelas falas dos atores (quem não gosta de dormir com a TV ligada?) quando fui abruptamente despertado por um tapa violentamente desferido sobre minha nunca.
Assustado, acordei sem saber onde estava, quem eu era ou o que tava acontecendo. Em milésimos de segundo voltei à realidade e percebi que fui atingido na nuca. Olhei ao redor e só vi um rosto (muito lindo por sinal) olhando prá mim com um certo ar de reprovação.
Ainda meio tonto perguntei o q estava acontecendo? Porque tinha me batido? Ao que ela respondeu:
- Não gostei da piadinha que você fez sobre nossos filhos e a minha inteligência, viu?
E isso era mais de 3 horas da madrugada...
Lembranças... (1)
Este blog tá muito sério... muito político... vou inaugurar uma nova sessão... Lembranças da minha vida... Vou tentar colocar aqui fatos que aconteceram comigo ou que presenciei ou que me contaram. Claro que contando ao vivo seria muito mais engraçado. Mas vamos tentar...
Eu tinha acabado de me separar. Estava ávido por aventuras. Itapeva, fria por natureza, estava em pleno inverno. Frio cabuloso. Me enchi de roupas e sai prá balada.
Na época morava no segundo andar de um apartamento. E ao abrir a janela prá "sentir" o frio e escolher a roupa, pela altura do edifício, tinha-se uma noção muito maior (ou seria menor) da realidade climática.
Como tinha moto (ainda tenho), nao pensei duas vezes. Coloquei uma meia calça por baixo da gelada calça jeans. Sim. Meia calça. Aquelas de algodão, grossas. De mulheres. Explico-me: o correto seria eu usar um minhocão ou ceroula, mas nao se acham mais essas peças prá comprar aqui.
Mas a moça da loja, quando me vendeu, achou que era presente prá uma namorada e fez até um lindo pacotinho com efeite, lacinhos e tudo mais.
Danceteria lotada. Muita gente bonita. Eu era "novo" no pedaço, afinal estava começando a sair devido à recente separação.
Não demorou muito, uma menina se engraçou comigo. Algumas bebidas, conversas ao pé do ouvido (música alta ajuda prá isso), beijinhos... e o convite de irmos prá um lugar mais sossegado (na epoca o capacete não era obrigatório. Facilitava prá caronas inesperadas).
Já no sossego do apartamento, o clima esquentou. pegou fogo. O convite para o quarto foi feito com o olhar, apesar da escuridão.
No quarto as roupas começaram a ser atiradas ao chão. Roupas dela, claro, afinal as damas sempre primeiro.
De repente, foi-se um pé de sapato meu. E outro. E a camiseta. E a calça... Ops... a calça não. Não podia. Lembrei-me que estava de meia calça. E agora? O clima pegando fogo. E eu com um verdadeiro cinto de castidade. Ou melhor: uma peça que colocaria em dúvida a minha masculinidade.
Como fazer? Como tirar a roupa sem que ela notasse aquela peça? A única saída que encontrei foi uma inesperada vontade de ir ao banheiro. Muito a contragosto e protestando, pois ficaria sozinha naquele quarto escuro e frio, ela me "liberou".
Agradeci aos céus. E fui. No banheiro, tirei a caça e a meia calça (maldito frio). Mas surgiu outro problema: onde colocá-la?
Se deixasse pendurada no banheiro, iria ouvir uma bateria infindável de perguntas sobre a "suposta" dona daquela meia calça. "Quando veio aqui, quem é ela, vc tem namorada, etc, etc e etc.". Se eu contasse a verdade sobre a meia calça, iria passar por mentiroso.
Sem opções, criei a modalidade "meia calça voadora". E lá foi ela, atirada pela janela do banheiro do segundo andar em direção à rua.
Voltei ao quarto frio e escuro onde minha conquista me esperava para continuar o já iniciado.
Ato consumado. Rostos felizes. Promessas de ligação no dia seguinte. Fui levar a menina embora e procurei pela meia calça na calçada, rua e nada. Imaginei que alguem passou, notou ser novinha e a levou embora.
Enquanto viajava nos meus pensamentos, mais precisamente na desculpa que eu iria dar à vendedora da loja (a frente fria iria piorar, segundo a meteorologia) para explicar porque estava comprando a mesma meia calça dois dias depois (embrulhada prá presente, é claro!), fui trazido à realidade pela menina, que espantada olhava prá cima e dizia: "Olha lá... que é aquilo nos fios do poste? Uma meia calça? Meu Deus, como foi parar lá?".
Puxando-a pelo braço e levando-a embora, disse apenas: "Esses vândalos de Itapeva..."
Eu tinha acabado de me separar. Estava ávido por aventuras. Itapeva, fria por natureza, estava em pleno inverno. Frio cabuloso. Me enchi de roupas e sai prá balada.
Na época morava no segundo andar de um apartamento. E ao abrir a janela prá "sentir" o frio e escolher a roupa, pela altura do edifício, tinha-se uma noção muito maior (ou seria menor) da realidade climática.
Como tinha moto (ainda tenho), nao pensei duas vezes. Coloquei uma meia calça por baixo da gelada calça jeans. Sim. Meia calça. Aquelas de algodão, grossas. De mulheres. Explico-me: o correto seria eu usar um minhocão ou ceroula, mas nao se acham mais essas peças prá comprar aqui.
Mas a moça da loja, quando me vendeu, achou que era presente prá uma namorada e fez até um lindo pacotinho com efeite, lacinhos e tudo mais.
Danceteria lotada. Muita gente bonita. Eu era "novo" no pedaço, afinal estava começando a sair devido à recente separação.
Não demorou muito, uma menina se engraçou comigo. Algumas bebidas, conversas ao pé do ouvido (música alta ajuda prá isso), beijinhos... e o convite de irmos prá um lugar mais sossegado (na epoca o capacete não era obrigatório. Facilitava prá caronas inesperadas).
Já no sossego do apartamento, o clima esquentou. pegou fogo. O convite para o quarto foi feito com o olhar, apesar da escuridão.
No quarto as roupas começaram a ser atiradas ao chão. Roupas dela, claro, afinal as damas sempre primeiro.
De repente, foi-se um pé de sapato meu. E outro. E a camiseta. E a calça... Ops... a calça não. Não podia. Lembrei-me que estava de meia calça. E agora? O clima pegando fogo. E eu com um verdadeiro cinto de castidade. Ou melhor: uma peça que colocaria em dúvida a minha masculinidade.
Como fazer? Como tirar a roupa sem que ela notasse aquela peça? A única saída que encontrei foi uma inesperada vontade de ir ao banheiro. Muito a contragosto e protestando, pois ficaria sozinha naquele quarto escuro e frio, ela me "liberou".
Agradeci aos céus. E fui. No banheiro, tirei a caça e a meia calça (maldito frio). Mas surgiu outro problema: onde colocá-la?
Se deixasse pendurada no banheiro, iria ouvir uma bateria infindável de perguntas sobre a "suposta" dona daquela meia calça. "Quando veio aqui, quem é ela, vc tem namorada, etc, etc e etc.". Se eu contasse a verdade sobre a meia calça, iria passar por mentiroso.
Sem opções, criei a modalidade "meia calça voadora". E lá foi ela, atirada pela janela do banheiro do segundo andar em direção à rua.
Voltei ao quarto frio e escuro onde minha conquista me esperava para continuar o já iniciado.
Ato consumado. Rostos felizes. Promessas de ligação no dia seguinte. Fui levar a menina embora e procurei pela meia calça na calçada, rua e nada. Imaginei que alguem passou, notou ser novinha e a levou embora.
Enquanto viajava nos meus pensamentos, mais precisamente na desculpa que eu iria dar à vendedora da loja (a frente fria iria piorar, segundo a meteorologia) para explicar porque estava comprando a mesma meia calça dois dias depois (embrulhada prá presente, é claro!), fui trazido à realidade pela menina, que espantada olhava prá cima e dizia: "Olha lá... que é aquilo nos fios do poste? Uma meia calça? Meu Deus, como foi parar lá?".
Puxando-a pelo braço e levando-a embora, disse apenas: "Esses vândalos de Itapeva..."
Pensando... (6)
Pessoas entram e saem de minha vida com uma facilidade incrível que até me assusta.
Talvez eu mesmo seja o causador (ou culpado) dessa "facilidade espantosa".
Já tive pessoas que hoje vivem em maravilhosas lembranças. Amigos de adolescência e juventude, quando, juntamente comigo, queriam mudar o mundo, serem astro pop, viajar por terras distantes em meio a promessas de nunca se separar e, nos futuros churrascos dos finais de semana, reunir para contar as aventuras vividas.
Esses amigos cresceram, casaram, viraram profissionais de várias áreas e seguiram suas vidas. Vez ou outra nos cruzamos pelas ruas da cidade em dias de semana ou feriados, quando eles vem visitar seus familiares.
Falta-nos conversa, assunto. Falta mais. Falta ligação, elo, química. Os assuntos são sempre os mesmos: "que anda fazendo, onde mora, casou, tem filhos" e sempre a mesma promessa: "me liga prá gente tomar uma cerveja". O que nunca ocorre.
Veio a minha primeira faculdade. Amigos, talvez mais íntimos, pois dividiram repúblicas comigo. Testemunharam meus choros, minhas alegrias, participaram de meus porres e ouviram minhas confidências. Éramos uma família. Nada nos separaria. Seriamos irmãos prá sempre. Mas o futuro nos separou. Hoje, praticamente nem os tenho no orkut e msn. Não sei por onde andam e o que fazem.
Me casei e como é normal, minha amizades se direcionaram para amigos-casais. Jantares em casa ou na casa deles, bailes e festas juntos e até mesmo viagens. De alguns fui padrinho de casamento, como foram do meu. Até padrinho de um filho eu fui (na realidade sou e serei prá sempre). A separação de minha esposa me separou deles também.
Segunda faculdade. Namorada, amigos novos. Agora mais maduro. Mesma história: com o término da faculdade, terminou as amizades onde prometíamos ter encontros, no mínimo, anuais.
Nesse período, novos amigos foram feitos aqui em Itapeva. Éramos uma turma, uma família, uma gang, sei lá. Estavamos todos juntos. Talvez por não haver msn e orkut, os encontros ocorriam, muitas vezes, sem percebermos. Sabíamos onde um estaria e prá lá nos dirigíamos. E passavamos horas e horas rindo, bebendo, vivendo e convivendo. Vieram as namoradas, as faculdades, os empregos... e a separação.
Há pouco, conheci um anjo. Uma pessoa maravilhosa. De todas, era seguramente a que me deu mais certeza que estaria comigo até o final dos meus dias. Amiga, confidente, irmã, cumplice. Planos mil. Apresentar-lhe o mundo era o meu objetivo. Rejuvenesci. Sua presença me fazia sentir um garoto, um adolescente. Quando a encontrava, sentia o universo parar.
Universo? É. Esse mesmo universo que sempre conspirou a meu favor e a trouxe prá perto de mim, resolveu me pregar uma peça (culpa dele? Nâo! Culpa minha!) e conspirou contra mim ao afastá-la de perto.
Mas sei que o universo conspira a favor dela também. E, talvez por isso, ele tenha conspirado nessa separação, por entender ser o melhor prá ela. Me resta aceitar e acreditar que Deus mostrará o certo pelas linhas tortas e ela será muito, mas muito mais feliz do que seria ao meu lado, pois quem ama, não deseja apenas a felicidade da pessoa amada somente ao seu lado, mas sim a felicidade plena, esteja onde estiver e com quem estiver.
Eu não queria te perder... Nunca! Mas o tempo, senhor da razão, vai nos mostrar porque isso aconteceu...
Pensando... (5)
Recebi um e.mail que dizia sobre a Teoria 90/10, onde 10% do que acontece em nossas vidas são coisas fora de nosso contrôle, que não temos domínio ou poder e dele dirigimos os 90% do que acontece em nossas vidas por opção, vontade própria.
Acredito nisso! Acho que tem coisas que nos acontecem que independe totalmente de vontade ou ação de nossa parte. Porém, como reagiremos ao depararmos com isso, é que vai definir os outros 90%, como passaremos o dia, a semana, o mês e o resto da vida.
Mas tenho uma teoria em cima disso. Acho que, de alguma forma, os 10% que acontecem em nossas vidas e que são "imprevisíveis" estão, de alguma forma, interligados com alguma ação do passado ou presente. Ou seja... colaboramos para que isso aconteça.
Dae vem aquele ditado: colhemos hoje o que plantamos ontem.
E muitas das coisas que plantamos, não tem mais como mudar. Temos que conviver, aceitar e viver de acordo com o que disso vai resultar.
Talvez resulte em dores, decepções, tristezas, amarguras, vazios, solidão, perda. Mas esta feito. Terei que colher. Me adaptar. Repensar meu futuro. E, principalmente, aceitar.
É a vida. Sofremos porque queremos. Ou porque fazemos acontecer.
Como diz minha mãe: "se não tem solução, solucionado está!"
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Pílulas... (6)
Tudo que é bom nessa vida:
- ou engorda;
- ou é pecado;
- ou é proibido.
Assim sendo, vamos transgredir as regras. Mas se transgredirem as leis, podem me contratar como advogado, ok?
- ou engorda;
- ou é pecado;
- ou é proibido.
Assim sendo, vamos transgredir as regras. Mas se transgredirem as leis, podem me contratar como advogado, ok?
Frase do Dia (1)
"Deus nos deu uma boca e duas orelhas".
Isso significa que devemos ouvir mais do que falar...
Ótimo, né?
Isso significa que devemos ouvir mais do que falar...
Ótimo, né?
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Piada (1)
Adoro piadas curtas... Ae vai a primeira:
Um sujeito vira-se pro outro e diz:
- Zé, diga uma coisa ruim...
O Zé responde:
- Minha sogra!
- Não! Uma coisa ruim de comer...
- A filha dela!
Um sujeito vira-se pro outro e diz:
- Zé, diga uma coisa ruim...
O Zé responde:
- Minha sogra!
- Não! Uma coisa ruim de comer...
- A filha dela!
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Pílulas... (4)
Hoje é Dia de Tiradentes. Feriado nacional.
O Descobrimento (?) do Brasil é comemorado dia 22 (amanhã). E nem feriado é.
Tiradentes é mais importante que o Descobrimento (?) do Brasil.
Tiradentes foi enforcado e hoje o Brasil todo "enforca" um dia de trabalho.
O Descobrimento (?) do Brasil é comemorado dia 22 (amanhã). E nem feriado é.
Tiradentes é mais importante que o Descobrimento (?) do Brasil.
Tiradentes foi enforcado e hoje o Brasil todo "enforca" um dia de trabalho.
Pílulas... (3)
Tava lendo uma reportagem que fala sobre os males que a bebida causa e afirma que 30% dos acidentes automobilísticos acontecem porque o motorista estava sob efeito do álcool.
Meu Deus... isso significa que 70% dos acidentes são causados por pessoas sóbrias...
Minha conclusão: dirigir bêbado é menos perigoso.
Meu Deus... isso significa que 70% dos acidentes são causados por pessoas sóbrias...
Minha conclusão: dirigir bêbado é menos perigoso.
Pensando... (3)
Não tenho ciúmes das pessoas. Não sou de ficar "dando piti".
Mas tenho ciúmes de mim, do que é meu, do que me pertence.
Não gosto, por exemplo, que um apelido criado PARA SE REFERIR À MIM, como "amorzinho", "xuhh", "paixão", "querido", "anjo", "criança" seja utilizado para se referir à outra pessoa.
Não gosto que criem frases para teclar comigo no msn ou orkut e as utilizem para outras pessoas...
Não gosto de ser plano B, C, D! Nem plano A gosto de ser, porque se sou o A, é sinal que há outros...
Gosto de ser único! Seja em qual esfera for.
Não sabe brincar, não brinque. Não tem capacidade de inventar novos apelidos, não me apelide.
Saiba que somente tenho aparencia de desligado do mundo. Nâo sou!
Sempre defendi que as pessoas se traem nos detalhes. Se mostram, nos detalhes. Demonstram o que realmente sentem e querem no detalhes.
E é nos detalhes que vivo sempre. Prá conhecer melhor. Prá saber com quem estou lidando.
Talvez, também, eu espere muito das pessoas. Muitas vezes, espero mais do que dou ou do que elas possam dar. E me magoo (sem acento por causa da nova ortografia) muito fácil com isso.
E, ao invés de reclamar, brigar, bater, xingar... fico na minha... fico quieto... E não adianta tentar tirar de mim o que houve, porque se você não sabe é porque não era importante (prá você).
Talvez isso explique as minhas várias mudanças de atitudes em relação às pessoas.
Logo, não sou só eu que mudo. É você que me apresenta quem realmente você é...
Mas tenho ciúmes de mim, do que é meu, do que me pertence.
Não gosto, por exemplo, que um apelido criado PARA SE REFERIR À MIM, como "amorzinho", "xuhh", "paixão", "querido", "anjo", "criança" seja utilizado para se referir à outra pessoa.
Não gosto que criem frases para teclar comigo no msn ou orkut e as utilizem para outras pessoas...
Não gosto de ser plano B, C, D! Nem plano A gosto de ser, porque se sou o A, é sinal que há outros...
Gosto de ser único! Seja em qual esfera for.
Não sabe brincar, não brinque. Não tem capacidade de inventar novos apelidos, não me apelide.
Saiba que somente tenho aparencia de desligado do mundo. Nâo sou!
Sempre defendi que as pessoas se traem nos detalhes. Se mostram, nos detalhes. Demonstram o que realmente sentem e querem no detalhes.
E é nos detalhes que vivo sempre. Prá conhecer melhor. Prá saber com quem estou lidando.
Talvez, também, eu espere muito das pessoas. Muitas vezes, espero mais do que dou ou do que elas possam dar. E me magoo (sem acento por causa da nova ortografia) muito fácil com isso.
E, ao invés de reclamar, brigar, bater, xingar... fico na minha... fico quieto... E não adianta tentar tirar de mim o que houve, porque se você não sabe é porque não era importante (prá você).
Talvez isso explique as minhas várias mudanças de atitudes em relação às pessoas.
Logo, não sou só eu que mudo. É você que me apresenta quem realmente você é...
domingo, 19 de abril de 2009
Pílulas... (2)
Curioso, né?
As frases do Lula me fazem rir (e morrer de vergonha).
Já o governo Lulla, me faz chorar (e morrer de vergonha).
Triste, né?
As frases do Lula me fazem rir (e morrer de vergonha).
Já o governo Lulla, me faz chorar (e morrer de vergonha).
Triste, né?
Pensando... (2)
Tava lendo o jornal e me deparei com a "farra das passagens aéreas" dos congressistas brasileiros. Acreditem: eles tem várias passagens aéreas para utilizar enquanto exercem os cargos políticos. E muitas vezes, utilizam para viajar com suas esposas, filhos, genros, netos, etc...
Tudo isso gasto com dinheiro público, arrecadado com o meu e o seu imposto!
Me pergunto: Porque eles tem que viajar todo final de semana? E porque pagamos prá e por isso?
Se uma empresa privada me contratar prá trabalhar em Brasília, ela não me dará passagens para vir prá Itapeva todo final de semana. Quando muito me ajudará a encontrar um lugar prá morar ou fornecerá esse lugar.
Logo, se trabalho em Brasília, moro em Brasília!
Porque nossos políticos não moram em Brasília? Porque não transferem seu domicílio para lá, junto com família? Será que eles trabalham em Brasília?
E não me venha dizer que devem estar em contato constante com seus eleitores, pois esse contato pode ser exercido através de seus inúmeros assistentes parlamentares que são muito bem pagos prá isso.
Além do que, duvido que um político que já não trabalha durante a semana em Brasília, venha trabalhar nos finais de semana na sua ciade.
Pronto! Tô bravo....
Tudo isso gasto com dinheiro público, arrecadado com o meu e o seu imposto!
Me pergunto: Porque eles tem que viajar todo final de semana? E porque pagamos prá e por isso?
Se uma empresa privada me contratar prá trabalhar em Brasília, ela não me dará passagens para vir prá Itapeva todo final de semana. Quando muito me ajudará a encontrar um lugar prá morar ou fornecerá esse lugar.
Logo, se trabalho em Brasília, moro em Brasília!
Porque nossos políticos não moram em Brasília? Porque não transferem seu domicílio para lá, junto com família? Será que eles trabalham em Brasília?
E não me venha dizer que devem estar em contato constante com seus eleitores, pois esse contato pode ser exercido através de seus inúmeros assistentes parlamentares que são muito bem pagos prá isso.
Além do que, duvido que um político que já não trabalha durante a semana em Brasília, venha trabalhar nos finais de semana na sua ciade.
Pronto! Tô bravo....
Pílulas... (1)
Sei que serei criticado, mas tenho q externar minha indignação.
Se você trabalha numa empresa privada e é aniversário de algum colega de trabalho, geralmente espera o final do expediente e dá uma "esticadinha" num barzinho para fazer um happy hour em comemoração.
No Fórum de Itapeva, há pouco tempo, havia "confraternizações" com direito a salgadinhos e bolo no interior dos Cartórios (possivelmente comemoração de aniversários). Geralmente por volta das 17h00. Compareciam alguns funcionários de outros Cartórios e, algumas vezes, juízes, promotores e estagiários.
Detalhe importante é que o expediente forense vai até as 19h00.
Enquanto isso, ficava eu esperando no balcão para ser atendido (me sentindo um advogado "estraga-festa"), sentindo o cheiro de fritura e ouvindo a animação que ocorre em meio aos inúmeros processos postados em prateleiras.
É a nossa concepção de empresa pública...
Se você trabalha numa empresa privada e é aniversário de algum colega de trabalho, geralmente espera o final do expediente e dá uma "esticadinha" num barzinho para fazer um happy hour em comemoração.
No Fórum de Itapeva, há pouco tempo, havia "confraternizações" com direito a salgadinhos e bolo no interior dos Cartórios (possivelmente comemoração de aniversários). Geralmente por volta das 17h00. Compareciam alguns funcionários de outros Cartórios e, algumas vezes, juízes, promotores e estagiários.
Detalhe importante é que o expediente forense vai até as 19h00.
Enquanto isso, ficava eu esperando no balcão para ser atendido (me sentindo um advogado "estraga-festa"), sentindo o cheiro de fritura e ouvindo a animação que ocorre em meio aos inúmeros processos postados em prateleiras.
É a nossa concepção de empresa pública...
sábado, 18 de abril de 2009
Pensando... (1)
O Brasil é um país singular mesmo.
Poucos países tem tantas leis como o Brasil. É Código de Defesa do Consumidor, Estatuto do Idoso, Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Maria da Penha, Leis das Telecomunicações, Lei do Inquilinato, Lei da Imprensa, e por ai vai...
Não sei ao certo quantas leis temos. Mas seguramente passam de duas dezenas de milhar. Se adicionarmos as Portarias, Decretos-Leis, Medidas Provisórias (que de provisória não tem nada), Instruções Normativas (que possuem força de lei), etc, estaremos diante de mais de duas centenas de milhar. Senão mais...
Assim pergunto: porque tantas leis? Talvez o Brasil seja um lugar onde os costumes e os princípios da moral mudam constantemente a cada nova década.
O que era permitido há 10 anos, hoje já não é mais. Moto sem capacete. Cinto de Segurança. Bares funcionando após a meia noite (em várias cidades), etc.
Mas porque? Porque tantas leis nos dizendo o que devemos ou não fazer? Porque talvez o brasileiro não seja um povo culto, educado e de valores morais rígidos.
Muito antes da lei obrigando o uso de capacete, muita gente já usava. Não quero questionar o uso do capacete. Ele é importante. Salva muitas vidas. Mas precisava de lei prá obrigar? Porque não uma educação no trânsito?
Quando viajava, meus pais sempre usavam e me obrigavam a colocar o cinto de segurança. Eles eram visionários, pois hoje é lei. Poderiam ser políticos muito bons e à frente de sua época.
Entretanto, algumas leis já nascem mortas. Como por exemplo, a lei que obriga o Serviço de Atendimento ao Consumidor (0800) a atender o cliente em, no máximo, 60 segundos. Linda lei. Protege o consumidor que liga para reclamar.
Mas... e se esse atendimento não ocorree dentro dos 60 segundos previstos em lei? Onde vou reclamar? Prá quem? Que prova tenho que fiquei na linha muito mais que o permitido? E ainda: se conseguir descobrir com quem reclamar e provar que me deixaram esperando acima do tempo permitido, a empresa será multada. Eu serei indenizado? NÃO!!!
Por isso que não procuramos descobrir prá quem reclamar. Ora, se eu fui lesado, se me fizeram esperar, CLARO que eu tenho que ser indenizado. Afinal, eu VIVO sendo lesado. OI? Você concorda comigo? Entao brindemos: TIM tim... (qualquer semelhança é mera coincidência, ok?).
Perguntinha: e prá onde vai esse dinheiro da multa??? Com certeza, pro governo (Lulla lá).
Outro exemplo: fila de banco. Há lei que determina um certo tempo de espera na fila. Novamente: como provo que esperei mais que o determinado? Prá quem reclamo? Se saio da fila prá buscar a policia, perco a vez.
E, como na pergunta acima, se conseguir provar que o banco infringiu a lei, serei indenizado? Prá onde vai o dinheiro novamente? (Lulla lá de novo).
Indenize-se o cidadão lesado. Pronto! Tudo funcionará normalmente. Do contrário, em nada essas leis nos ajudarão.
Quer outro exemplo? A nova lei que o Serra, governador de SP, vai assinar em breve, proibindo que se fume em ambientes fechados, seja bar, boates ou até mesmo prédios PARTICULARES.
Pasmem! Liberam a venda de cigarro, mas proibem o fumo. Porque? Porque cigarro paga imposto. E muito. Então, deixe que vendam. E vamos faturar ($$$$).
Nessa lei, acontece o inimaginável (ou melhor, o só imaginado por mentes brilhantes de nossa Assembléia Legislativa). Um sujeito resolve fumar numa boate ou bar. A Polícia é acionada. Quem é multado? O estabelecimento onde o fumante se encontrava transgredindo a lei.
Sério, gente!!! O dono do bar ou da boate vai pagar uma multa carissima. E o fumante? Vai continuar com seu cigarrinho, belo e sossegado, porque contra ele, não vai pesar nada. Nem uma multinha.
Que beleza, heim brasilzão. Imagina a cena. Chega a policia, vê o sujeito fumando e vai autuar o dono do estabelecimento. O fumante nem precisa se dar o luxo de apagar o cigarro, pois na lei não fala que ele deve parar imediatamente. E mesmo que falasse, o flagrante já foi feito mesmo. Que diferença vai fazer duas ou três tragadas a mais? Aumentaria a multa?
Parece até a piada do portugues (desculpem-me os patrícios) que pegou sua mulher traindo-o no sofá e vendeu o sofá.
É... Meu Brasil.... meu Brasil brasileiro....
Poucos países tem tantas leis como o Brasil. É Código de Defesa do Consumidor, Estatuto do Idoso, Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Maria da Penha, Leis das Telecomunicações, Lei do Inquilinato, Lei da Imprensa, e por ai vai...
Não sei ao certo quantas leis temos. Mas seguramente passam de duas dezenas de milhar. Se adicionarmos as Portarias, Decretos-Leis, Medidas Provisórias (que de provisória não tem nada), Instruções Normativas (que possuem força de lei), etc, estaremos diante de mais de duas centenas de milhar. Senão mais...
Assim pergunto: porque tantas leis? Talvez o Brasil seja um lugar onde os costumes e os princípios da moral mudam constantemente a cada nova década.
O que era permitido há 10 anos, hoje já não é mais. Moto sem capacete. Cinto de Segurança. Bares funcionando após a meia noite (em várias cidades), etc.
Mas porque? Porque tantas leis nos dizendo o que devemos ou não fazer? Porque talvez o brasileiro não seja um povo culto, educado e de valores morais rígidos.
Muito antes da lei obrigando o uso de capacete, muita gente já usava. Não quero questionar o uso do capacete. Ele é importante. Salva muitas vidas. Mas precisava de lei prá obrigar? Porque não uma educação no trânsito?
Quando viajava, meus pais sempre usavam e me obrigavam a colocar o cinto de segurança. Eles eram visionários, pois hoje é lei. Poderiam ser políticos muito bons e à frente de sua época.
Entretanto, algumas leis já nascem mortas. Como por exemplo, a lei que obriga o Serviço de Atendimento ao Consumidor (0800) a atender o cliente em, no máximo, 60 segundos. Linda lei. Protege o consumidor que liga para reclamar.
Mas... e se esse atendimento não ocorree dentro dos 60 segundos previstos em lei? Onde vou reclamar? Prá quem? Que prova tenho que fiquei na linha muito mais que o permitido? E ainda: se conseguir descobrir com quem reclamar e provar que me deixaram esperando acima do tempo permitido, a empresa será multada. Eu serei indenizado? NÃO!!!
Por isso que não procuramos descobrir prá quem reclamar. Ora, se eu fui lesado, se me fizeram esperar, CLARO que eu tenho que ser indenizado. Afinal, eu VIVO sendo lesado. OI? Você concorda comigo? Entao brindemos: TIM tim... (qualquer semelhança é mera coincidência, ok?).
Perguntinha: e prá onde vai esse dinheiro da multa??? Com certeza, pro governo (Lulla lá).
Outro exemplo: fila de banco. Há lei que determina um certo tempo de espera na fila. Novamente: como provo que esperei mais que o determinado? Prá quem reclamo? Se saio da fila prá buscar a policia, perco a vez.
E, como na pergunta acima, se conseguir provar que o banco infringiu a lei, serei indenizado? Prá onde vai o dinheiro novamente? (Lulla lá de novo).
Indenize-se o cidadão lesado. Pronto! Tudo funcionará normalmente. Do contrário, em nada essas leis nos ajudarão.
Quer outro exemplo? A nova lei que o Serra, governador de SP, vai assinar em breve, proibindo que se fume em ambientes fechados, seja bar, boates ou até mesmo prédios PARTICULARES.
Pasmem! Liberam a venda de cigarro, mas proibem o fumo. Porque? Porque cigarro paga imposto. E muito. Então, deixe que vendam. E vamos faturar ($$$$).
Nessa lei, acontece o inimaginável (ou melhor, o só imaginado por mentes brilhantes de nossa Assembléia Legislativa). Um sujeito resolve fumar numa boate ou bar. A Polícia é acionada. Quem é multado? O estabelecimento onde o fumante se encontrava transgredindo a lei.
Sério, gente!!! O dono do bar ou da boate vai pagar uma multa carissima. E o fumante? Vai continuar com seu cigarrinho, belo e sossegado, porque contra ele, não vai pesar nada. Nem uma multinha.
Que beleza, heim brasilzão. Imagina a cena. Chega a policia, vê o sujeito fumando e vai autuar o dono do estabelecimento. O fumante nem precisa se dar o luxo de apagar o cigarro, pois na lei não fala que ele deve parar imediatamente. E mesmo que falasse, o flagrante já foi feito mesmo. Que diferença vai fazer duas ou três tragadas a mais? Aumentaria a multa?
Parece até a piada do portugues (desculpem-me os patrícios) que pegou sua mulher traindo-o no sofá e vendeu o sofá.
É... Meu Brasil.... meu Brasil brasileiro....
Porque um Blog?
Sei lá porque... Mas ultimamente tenho visto tanta gente fazendo e escrevendo blogs, que até me animei... vamos ver se vinga essa ideia...
Antes, me apresento: sou Neto Gonzaga, tenho 41 anos, divorciado, advogado, natural de São Paulo, capital, mas residente em Itapeva-SP, cidadezinha (forma carinhosa) de pouco mais de 80 mil habitantes, de onde pretendo nunca sair, pois é amor verdadeiro.
Sou inquieto por natureza. Sempre estou lendo sobre isso ou sobre aquilo. Formo opiniões pessoais que, quase sempre, mudam de acordo com novos ângulos analisados.
Muita coisa me incomoda nesse mundo. Mas ainda não encontrei uma forma de lutar contra (ou a favor) isso. Sempre adio. Penso em ajudar, colaborar, praticar, assistir, mas a velha desculpa do "tô sem tempo" acaba não deixando.
Gosto muito de ler jornais. Principalmente as colunas assinadas, onde o jornalista externa suas opiniões. Gosto de opiniões pessoais. E as tenho aos montes.
Espero sempre escrever aqui, desde que os textos não me tomem tanto tempo quanto tomou a busca pelo nome do blog, que, a título de explicação, procurei fazer uma singela homenagem à minha Itapeva.
Tentei vários, desde Pedra Chata (tradução do tupi-guarani de Itapeva), até interjeições muito utilizadas por estas bandas (xéhh, alôco, putz). Por fim, lembrei de uma palavra que sempre provoca risos em quem não é daqui: "chovendinho", designado para quando está garoando, chovendo fraco.
Usamos, também, outras palavras criadas da mesma forma: subindinho, chorandinho, bebendinho, e por ae afora.
Espero que os itapevenses não fiquem bravos comigo por isso. Pois por outras coisas que virão, com certeza alguns filhos da terra ficarão.
Antes, me apresento: sou Neto Gonzaga, tenho 41 anos, divorciado, advogado, natural de São Paulo, capital, mas residente em Itapeva-SP, cidadezinha (forma carinhosa) de pouco mais de 80 mil habitantes, de onde pretendo nunca sair, pois é amor verdadeiro.
Sou inquieto por natureza. Sempre estou lendo sobre isso ou sobre aquilo. Formo opiniões pessoais que, quase sempre, mudam de acordo com novos ângulos analisados.
Muita coisa me incomoda nesse mundo. Mas ainda não encontrei uma forma de lutar contra (ou a favor) isso. Sempre adio. Penso em ajudar, colaborar, praticar, assistir, mas a velha desculpa do "tô sem tempo" acaba não deixando.
Gosto muito de ler jornais. Principalmente as colunas assinadas, onde o jornalista externa suas opiniões. Gosto de opiniões pessoais. E as tenho aos montes.
Espero sempre escrever aqui, desde que os textos não me tomem tanto tempo quanto tomou a busca pelo nome do blog, que, a título de explicação, procurei fazer uma singela homenagem à minha Itapeva.
Tentei vários, desde Pedra Chata (tradução do tupi-guarani de Itapeva), até interjeições muito utilizadas por estas bandas (xéhh, alôco, putz). Por fim, lembrei de uma palavra que sempre provoca risos em quem não é daqui: "chovendinho", designado para quando está garoando, chovendo fraco.
Usamos, também, outras palavras criadas da mesma forma: subindinho, chorandinho, bebendinho, e por ae afora.
Espero que os itapevenses não fiquem bravos comigo por isso. Pois por outras coisas que virão, com certeza alguns filhos da terra ficarão.
Blog do Neto Gonzaga
Este é um blog de impressões pessoais sobre diversos assuntos, passagens vividas e histórias interessantes.
Nâo pretendo defender partido político, raça ou religião. Defendo apenas minhas idéias (que podem sofrer metamorfoses), mas aceito as suas.
Quero externar meus pontos de vista sobre vários assuntos sem a preocupação com a obrigação, mas de acordo com minha disponibilidade e inspiração.
Agradeço, desde já, as críticas e comentários, que na medida do possível, responderei.
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