segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Pensando... (19)

O tópico anterior me deixou pensativo: porque acham que sou uma fortaleza ou um sem-sentimentos ou um total sem-problemas?

Todo mundo que me cerca acredita que sou um sorriso só e que minha vida é um mar de rosas. Que não sofro por amor, que não tenho problemas financeiros, que tenho a saúde perfeita, que tudo na minha vida teima em dar certo irritantemente...

Que bom se “sesse” assim, diria um amigo meu. Mas, infelizmente (pra mim), não é dessa forma que minha vida acontece.

Decepcionado(a)? Acredito que muitos que lêem meu blog estão sim.

Várias frases marcam a vida da gente, principalmente as ouvidas na infância. E uma delas foi dita pelo meu pai, uma vez em que eu estava muito bravo por não ter sido compreendido numa atitude.

Ele me disse: “o bom bezerro é o que não berra!”.

Pois bem, aprendi a não berrar. Aprendi a ter meus atos questionados e muitas vezes criticados, mas não berrei. Aprendi a sofrer por amor, mas não berrei. Aprendi a tirar da minha boca e dar à alguém, mesmo estando com fome, mas não berrei. Aprendi a ver amores indo e não berrei.

Dizem que de boa intenção o inferno ta cheio, ou seja, muitas vezes temos as melhores das intenções quando fazemos algo, mas o fim é desastroso. E daí, surge as críticas, os entendimentos errados e sou taxado como ruim, sem coração, coração de pedra.

Mas deixo seguir, como diz a música: “deixe estar”. Não berro, pois sempre quis ser um bom bezerro. Talvez isso explique o fato de sempre que me perguntam se estou bem, respondo sorrindo que sim.

Acreditem, nem sempre é verdade isso.

Por me acharem uma fortaleza, muitas pessoas desfilam um rosário de problemas, pedem ajuda e conselhos. Eu os dou. Talvez até isso me ajude a esquecer dos meus.

Mas o duro é quando estou sozinho no meu quarto. Quando a cabeça repousa no travesseiro ou quando acordo de manhã. Esses são os piores horários. Talvez isso explique a minha eterna luta contra o sono. Sempre digo que não gosto de dormir. Deve estar ai a explicação pra isso.

Como já disse num dos meus posts, há alguns anos passei por sérias dificuldades financeiras. Não tinha o que comer além da luz e água estarem cortadas em pleno inverno. E nem meus amigos mais íntimos souberam ou desconfiaram. Passei por isso sorrindo, ajudando muitos deles e nunca berrei. Eles nem desconfiam que estava passando por um dos piores momentos da minha vida.

Já perdi alguém. Algumas vezes, perdi pro bem dela mesmo. Por me conhecer e saber que não sou futuro pra ninguém. Ainda penso nisso. Mas não berro. E não vou berrar.

Tento passar que tudo está maravilhoso. Saio com amigos, bebo, sorrio e rio. Tento fazer meus olhos brilharem. Mas é tudo falso. Talvez eu seja falso. Acho que minha vida é falsa.

Vivo num sonho de fadas. Tal qual o Michael Jackson vivia no mundo de Peter Pan, negando-se a crescer, eu vivo negando existir problemas e dores em minha vida.

Mas isso cansa. Cansa demais. Isso corrói por dentro. Me faz sofrer e chorar. Choro esse que, ultimamente, tem sido muito constante. Diria que até diário, ou noturno. Acordo com meus olhos inchados e grudados, em razão das lágrimas noturnas. Meus lençóis nem sempre estão cobrindo meu colchão e meus travesseiros geralmente amanhecem fora da cama.

É, tenho tido lutas homéricas contra monstros que me atormentam durante o dia e me aguardam à noite para me assombrar e perseguir.

Acordo cansado, suado, exausto e triste. Odeio o sono. Não gosto de dormir.

Mas durante o dia, meu sorriso volta para meus amigos que nada desconfiam. E assim tem que ser. Que pensem que sou essa fortaleza, que não tenho problemas e que meu coração está perfeito, pois à eles devo minha vida e eles não devem ser apresentados à aos monstros que eu cultivei durante toda a minha vida e que ultimamente parece que voltaram mais fortes que nunca.

Sei que os que lerem este blog virão me perguntar o que está acontecendo e como podem me ajudar. Mas sei que não falarei, pois me sinto fraco expondo meus sentimentos e abrindo meu coração.

Realmente, o bom bezerro é o que não berra. E eu não berrava... até inventarem esse tal de blog.

3 comentários:

  1. Permita-se berrar, deixa de ser orgulhoso, não tenha medo dos monstros que te assombram, mande-os embora de sua, viva. E aquela que acreditou ser o último amor de sua vida, vai perdê-la? ou vai em busca de outro? Quem sabe o caminho da tua felicidade não está em abrir o seu coração pra alguém de verdade, não deixe a vida passar, não é o que você sempre diz. Beijo, se cuida coração M.E.

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  2. Oi, Netão !!! É... eu leio o seu blog ...rs... Só tenho uma coisa a dizer prá vc, amigo, o bom bezerro não berra, mas tb não mama !!! Em minha parca experiência aprendi que viver é fácil, a gente que complica ! Meta as caras, Neto, e mostre sempre quem vc é. Sorrindo ou não as pessoas vão te amar como e pelo que vc é... Não use máscaras, mostre seus sentimentos e nunca deixe que o orgulho atrapalhe seus desejos - nunca ! Eu acredito em quem vc é e sei que pode mto mais do que está mostrando !! Mil bjs e seja feliz !!! Desculpe minha intromissão, mas eu sou quem sou... faz tempo !!!..rs... vc me conhece ! Flávia Cerk

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  3. Benê...já te vi berrar várias vezes meu velho e até mesmo algumas vezes berramos juntos...a diferença nestes berros é que sou teu amigo ou irmão ! Nestes (amigos e irmãos)sempre confiamos, entregamos confidências que não serão cobradas posteriormente...deixe de ter medo de berrar com quem pode te agarrar pelo coração, estômago, pulmão, cabeça, pernas, etc...e deixe que essa pessoa berre por você também !!! Tô por aqui meu velho Benê !!!

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