quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pensando... (16)

Não tenho filho, por essa razão não sei como seria a educação que daria a ele. Se seria uma educação rígida, como a que eu tive, ou uma educação mais "light", mais liberal?

Sei que os educadores e psicólogos são amplamente favoráveis à educação liberal, dando mais liberdade à criança e adolescente. Particularmente, acho que essa educação, além de fazer a criança desenvolver mais rápido, acaba por fazê-la pular fases, pois passa a ter liberdade e responsabilidades (?) quando deveria brincar, estudar e não ter obrigações.

No passado eu reclamava da educação rígida que recebi. Extremamente severa. Não podia dar um passo sem que estivesse sendo vigiado e sujeito a intermináveis interrogatórios, surras (sim, apanhei muito), castigos e cobranças. Vivia dizendo que com meu filho seria diferente. Seria mais light, mais amigo, mais próximo.

Mas hoje vejo que meus pais estavam corretos. Me fizeram um Homem, com "H" maiúsculo. Um homem que honra sua palavra. Um homem que não prejudica deliberadamente seus semelhantes. Um homem que tem moral. Um homem que não rouba, muito embora tenha tido várias oportunidades. E mais importante: um filho que ainda hoje, aos 42 anos, chama seus pais de "papai" e "mamãe" e ainda pede a sua benção toda vez que os encontra.

Mas tô escrevendo tudo isso porque esta semana foi uma pessoa me procurar no escritório. Ele é garçom de um bar aqui da cidade e está sendo processado. O motivo: o pai de uma menor o acusa de vender bebida alcoólica à filha. Segundo meu cliente, ele não vendeu à menina e sim ao rapaz que a acompanhava e este a deixou beber, que ficou bêbada.

Aceitei o caso. Vou defendê-lo. Porque tenho convicção que o inocentarei.

Mas o que me deixou pensativo não foi sua inocência ou culpa, mas outro fato: como é fácil transferir responsabilidades e culpas.

O pai, indignado, processará o garçom. Com isso, fará com que o mesmo não forneça bebida alcoólica à nenhuma menor. Ótimo!

Mas e a educação que ele deu à filha? O que estava fazendo uma menor num bar à noite? Quem era a pessoa que a acompanhava e lhe forneceu bebida? Porque ela bebeu, sabendo que não podia? Esse pai será processado por "abandono de menor"?

Isso tudo é obrigação do pai. Educação. Responsabilidade. Ele falhou e agora deseja processar o garçom. Transferir responsabilidade. Será que ela foi castigada? Educada? Proibida de sair novamente? Será que ela aprendeu alguma lição?

Ridícula essa atitude. Deveria assumir sua culpa e da filha e castigá-la, senão vai acabar processando todos os garçons da cidade. Isso se ela continuar apenas na bebida e não passar prá algo mais "pesado".

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