Na 7ª série, eu entrei numa turma de voleibol na escola que estudava (Zulmira de Oliveira) somente prá escapar da Educação Física, pois odiava ficar correndo em volta da quadra e fazer abdominais.
O vôlei era um esporte totalmente desconhecido na época e taxado de feminino. Mas prá escapar da Educação Física valia enfrentar até o preconceito.
O Prof. Nildomar era o Professor de Educação Física da Escola e nos iniciou ensinando o “básico do básico”, com aulas de slides (isso existiu um dia), livros e marcações na quadra. Foram três longos meses de teoria até que pudemos, finalmente, pegar numa bola de vôlei.
Aprendemos bem e o time era bom. Todos com 12 e 13 anos de idade, na 7ª e 8ª séries. Entramos no campeonato escolar municipal. Vencemos com facilidade. Modéstia à parte, não havia adversário prá gente na cidade. Na fase seguinte, vencemos a região de Itapeva, tendo dificuldades apenas com um time de Itararé. Por dois anos consecutivos fomos para o Regional em Itapetininga e perdemos no último jogo, que nos daria vaga na final do Estadual.
Após a 8ª. série, praticamente o time todo foi estudar na Escola de Minas, que recebia alunos de várias escolas da região, e com isso, montamos um time ainda mais forte. Treinamos com afinco para o municipal. Nosso único problema: nosso técnico, o professor de Educação Física, que não era o mestre Nildomar.
Estávamos na categoria infantil e novamente ganhamos o municipal e o regional, com Itararé dando mais trabalho que o habitual. Na Região de Itapetininga, finalmente conseguimos a vaga pro tão sonhado Estadual.
A final foi em Cerquilho. Estávamos nós, o time de da casa, Tatuí e Sorocaba. Nosso primeiro jogo seria contra Tatuí e Cerquilho jogaria contra Sorocaba. Os vencedores fariam a grande final.
Assistimos ao primeiro jogo. Os dois times não eram muito fortes. Pelo contrário. Sentimos que se passasse por Tatuí, seriamos campeões estaduais fácil, fácil.
Só que ai começou nossos problemas: Tatuí e nosso técnico. Quando fomos para o vestiário, por engano entramos no de Tatuí e já ficamos assustados, pois dois jogadores do time deles faziam a barba. Ora, tínhamos apenas 14 anos e os caras faziam barba? Começou o nervosismo.
No vestiário certo, nosso técnico chamou a todos e abriu o chuveiro, o qual deixou pingando timidamente e mandou um a um passar por baixo, como se fosse uma benção. Rimos e fizemos o que ele mandou. Mal não faria, pois com uns pingos nem gripe pegaríamos.
No aquecimento da rede, o medo aumentou, pois eu que era o maior do nosso time (na época com 1,85m), era do tamanho do levantador deles, que era o mais baixo. Durante o aquecimento levamos bolada de tudo que era lado (uma conhecida forma de intimidação).
O primeiro set foi praticamente entregue. Não achamos a bola. Levamos boladas na cabeça, peito, pernas, cravadas, etc... Acho que perdemos por 15 x 4 (ou 5), numa época que havia vantagem, os pontos não eram corridos como hoje e ia até 15.
Antes de começar o segundo set, em conversa, decidimos que iríamos nos divertir, jogar sem compromisso, tentar jogadas ensaiadas e dar risada, pois a derrota estava anunciada.
Eles abriram grande vantagem de 10 x 3 em pouco tempo. Nosso técnico pediu tempo e, por incrível que pareça, ofereceu cigarro pro Adriano prá acalmá-lo, pois estava muito nervoso. Rimos. Relembramos que estávamos “brincando” e começamos a jogar, se atirar nas bolas, gritar e fomos encostando no placar até que conseguimos o que parecia impossível: viramos o jogo em 14 x 13.
Saque nosso, na mão do Dimas (que era excelente sacador). Um ponto prá irmos pro 3º e decisivo set. E o que aconteceu? Nosso técnico pediu tempo!
É. Isso mesmo. NOSSO técnico pediu tempo, alegando que estávamos nervosos demais e precisávamos nos acalmar prá encerrar o set. Foi um banho de água fria (pior que o do vestiário). Gritamos com ele, xingamos, ficamos nervosos e... desconcentramos.
O time deles, sem entender, voltou , recuperou a bola, pois o Dimas errou o saque, e virou o jogo, indo prá final, num jogo que havíamos crescido na hora certa e recobrado nossa confiança prá vencer (e com certeza venceríamos).
Na volta, dentro do ônibus, cabisbaixos, não parávamos de relembrar o que nosso técnico tinha feito. Perdemos o jogo por culpa exclusiva dele. E ele, sentadão na primeira poltrona do ônibus, achando que tinha feito o certo, viajava tranqüilo, até que levantou para pegar seu lanche, que havia comprado antes de entrar no ônibus e colocado na mochila.
De repente um grito: “Cadê meu lanche? Quem pegou?”. Silêncio total. Novo grito, dessa vez, ainda mais alto. Nada! Ninguém falou nada. Ele desferiu vários palavrões e voltou ao seu lugar, tentando dormir, bravo e com fome. E dormiu!
Na chegada à Itapeva, já de noite, ônibus escuro e em silêncio, fomos acordados com novos palavrões e gritos. Era nosso técnico que acordou “recheado” com ovo, bacon, hambúrguer e muita maionese e catchup por todo o corpo, desde a cabeça até dentro da roupa.
Ele mereceu. Ô se mereceu. Nossa sorte é que não estávamos por perto quando ele abriu sua mochila....
sexta-feira, 31 de julho de 2009
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pela incompetência ...se parece com um professor de educação fisica que eu tive...
ResponderExcluirserá que ééé?
me conte off depois..rs