Eu estudava na “Escola de Minas” e, como tradição de mais de vinte anos, lá havia o famoso “trote” nos calouros. No meu primeiro ano fui zuado, lambuzado de mil porcarias, a cabeça raspada, além de me fazerem pagar todos os tipos de trotes e micos.
No ano seguinte, cheguei ao primeiro dia de aula “babando” prá descontar nos pobres calouros tudo que eu tinha passado no ano anterior. Coitado deles. Judiei muito.
Já no terceiro ano, envolvido que estava com a música, nem liguei pros primeiros dias de aulas. Na verdade, não liguei nem pros dias seguintes, tendo abandonado o ano letivo ainda em maio, prá me dedicar somente à música. Nem precisa dizer a guerra que foi em casa, vez que sou (orgulhosamente) filho de jornalista e professora.
Soube, depois, que durante o trote houve uma briga entre um calouro, que não queria levar trote e um veterano que insistia, tendo o calouro ameaçado-o com uma faca. O azar dele é que tiraram sua faca e o cobriram de porrada. Alunos suspensos, trote proibido e eu em casa, estudando música.
No ano seguinte fui obrigado a voltar a estudar, com a pressão de levar a sério e me formar no curso de Mineração. Ia descontar nos calouros minha raiva de ter que estar na escola e não em casa estudando música.
Reunimos um grupo após as aulas e saímos correndo atrás dos calouros, que pareciam uma boiada assustada, com neguinho correndo prá tudo que é lado. Fazíamos tanto terrorismo que acho que tem calouro correndo até hoje. Conseguimos pegar alguns. Cortamos cabelos, judiamos e prometemos que no dia seguinte pegaríamos os que escaparam.
No dia seguinte chegamos no “Minas” babando, na expectativa do fim das aulas prá executar mais uma sessão de tortura e sadismo. Só que antes do intervalo, o Diretor chamou os veteranos que ele havia visto correr atrás dos calouros, prá tomar um “cafezinho” na sala dele. E lá foram uns trinta alunos, inclusive eu.
Broncas, avisos, ameaças de suspensão e até expulsão da escola. O Diretor estava bravo, pois o pai de um calouro havia feito um Boletim de Ocorrência. Queria saber quem era o responsável pelo trote, ou seja, o idealizador, o “cabeça”.
Todos quietos. Ele insistiu. Gritou mais e mais. E mandou que o “cabeça” (ou “cabeças”) desse um passo à frente. Entreolhamos-nos e como num acordo silencioso, acertamos de todos darem um passo à frente, afinal o que ele faria com todos se entregando? Não podia expulsar todos, nem mesmo suspender mais de trinta alunos de uma vez.
Acho que meus poderes de telepatia não funcionavam muito bem naquela época, pois dei um passo à frente, olhei pro lado e... ninguém!!! Olhei prá traz e todos fizeram cara de “não é comigo”.
O Diretor mandou todos voltarem às salas, exceto eu. E, possuído por uma bondade ímpar me fez escolher uma opção entre "expulsão" e "transferência" prá outra Escola. Foi um educada maneira de dizer “não te quero mais aqui”. Era pegar ou largar.
No dia seguinte, lá fui eu rumo à Escola “Otávio Ferrari”, onde fui um comportado aluno o ano todo.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
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to vendo que anjinho só qdo era bebezinho mesmo..kkkkkkkkk
ResponderExcluirse beemm queee quem sou eu pra falar neh??rsrs