quarta-feira, 15 de julho de 2009

Lembranças... (15)

O texto abaixo eu enviei para o site http://www.soberano.com.br/, do São Paulo Futebol Clube, que estava contatando torcedores para gravar um DVD que contará a história do hexacampeão brasileiro. Em meio a mais de 200 mil relatos, fiquei selecionado entre os 80 finalistas, mas infelizmente, fiquei fora da final.

Fica ai o registro de meu amor pelo Tricolor do Morumbi...


ORGULHO DE SER SÃOPAULINO
Neto Gonzaga


Antes de me apresentar, é justo homenagear a pessoa que me apresentou ao São Paulo: Jandir, meu pai.

Nascido em 1933, portanto apenas 2 anos mais velho que nosso "o mais querido", praticamente acompanhou toda a historia do São Paulo, tendo, inclusive, viajado de moto em plenas décadas de 40 e 50, para a capital paulista, enfrentando quilômetros e mais quilômetros de terra e poeira, só para ver sua paixão de perto, em pleno Estadio do Pacaembu.

Apesar de seus 75 anos, ainda cita escalações completas dos esquadrões bi-campeões da década de 40, enchendo o peito para citar o famoso trio-médio composto por Rui, Bauer e Noronha.

Até pouco tempo, tinha uma carteirinha do São Paulo, que recebeu ao ajudar com doação de saco de cimento para a construção do Morumbi. Meu pai é um sãopaulino que vivenciou toda a trajetória vitoriosa de nosso time.

Nem lembro quando ele me apresentou ao São Paulo. Mas tenho algumas fotos com uniforme de jogo e o agasalho desde pequeno.

Nascido em 1967, lembro-me que em 1.975 estava quase virando palmeirense, ante a insistencia de dois primos meus. Sabiamente, meu pai me levou assistir à decisão do campeonato paulista no Morumbi daquele ano, frente à Portuguesa de Desportos, que ganhamos nos penaltis.

Ae começou, de forma definitiva, meu amor pelo São Paulo.

Meu primo, Luiz Fernando, era de uma familia fanaticamente corinthiana. Em 1981, na decisão do paulista contra a Ponte Preta, com a desculpa de levá-lo passear em São Paulo, meu pai conseguiu a autorização de meu tio. E lá foi o Luiz Fernando, meu primo, corinthiano. E voltou sãopaulino... sendo até hoje...

O campeonato brasileiro de 1.977 me traz algumas lembranças. Éramos azarões. O favorito era o Atlético Mineiro.

Mas nem por isso meu pai deixou de fazer um suculento churrasco naquele dia. E por todo o dia, soltou rojões, antes do jogo...

Ficamos ligados o dia todo, na Radio Bandeirantes (Fiori Giglioti, lembra-se?), tentando descobrir se o Serginho Chulapa iria jogar ou não, afinal ele tinha embarcado pra Belo Horizonte.

Antes do jogo, lembro que um rojão que me pai soltou, explodiu em sua mão. Mas ser sãopaulino traz sorte e nada aconteceu a ele.

Na hora do jogo, apreensão... Nos penaltis, brilhou a estrela (e a catimba) de Valdir Perez, nosso grande herói.

Claro que o guerreiro Chicão também ajudou a calar o Mineirão, assim como Neca, que substituiu Serginho Chulapa com estilo.

Na decisão de 1986, o medo. Afinal, Cilinho que tinha montado o time dos "Menudos do Morumbi" não era mais o técnico. Em seu lugar, Pepe, um santista que nunca tinha ganho um título como treinador.

O jogo, um teste para cardíacos. Lembro-me de achar que tinhamos perdido definitivamente o campeonato umas 3 vezes durante o jogo. Principalmente após o ultimo gol de João Paulo... Assim como senti-me campeão quando Pita fez o dele na prorrogação.

Mas lá estava Careca. Sumido no jogo. Só esperando prá dar o último toque na bola. O toque que levaria o jogo pros penaltis.

E novamente com um goleiro catimbeiro (Gilmar), fomos campeões.

Depois disso, vieram as tristezas dos 3 vice-campeonatos, até explodir de alegria com o titulo em Bragança Paulista. Dessa vez, sem penaltis, mas nem por isso menos sofrido.

Um jogo pegado, em que várias vezes vi a viola em cacos, assim como várias vezes senti o gostinho de "é campeão" pronto prá sair da garganta. Tivemos que esperar até o apito final, pois futebol é uma caixinha de surpresa, né?

Frize-se que estes dois ultimos campeonatos (86 e 91) sempre assisti na casa de meu pai, juntamente com meu primo Luiz Fernando.

Os três últimos titulos são recentes...

Campeonato por pontos corridos, uma decisão por jogo. Todos os jogos assistidos num barzinho perto de casa, em meio à roda de sãopaulinos.

Muitas vezes meu pai ia me encontrar lá, apesar de sua idade.

Incrivel os palpites do seu Jandir. Sempre que o jogo é decisivo, ligo prá ele e pergunto: "Eae, papai? que dá o jogo hj?".

Se ele responde, de cara, vamos ganhar, pronto. Pode começar a festa. Mas quando ele titubeia, ae tem que se colocar a barba de molho...

Mas é isso...

o São Paulo está na historia da minha vida com grandes alegrias.... grandes jogadores que até hoje lembro, de escalações completas, titulos vencidos e alegrias mil.

Meu pai, como já disse acima, vibra demais com os times atuais, mas nunca se esquece de Leonidas, Paraná, Peixinho, Pedro Rocha, Gerson, Rui, Bauer, Noronha, Poy, entre outros...

Tae minha historia..

espero que tenha contribuido para essa grande iniciativa de se fazer esse filme que fale sobre o Soberano do futebol brasileiro: o meu São Paulo...

abraços...

Um comentário:

  1. Minha mae era sao paulina por causa da careca do Dino Sane, nao sei se é assim que se escreve, mas ela sempre contava essa história. Meu avô levava ela para assistir o jogo só para ver a careca dele..kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    E eu... acabei me apaixonando pelo tricolor, pq nao tem jeito, é o melhor!!!!

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