O QUE ME IMPORTA!
Incrível como a idade muda as pessoas. Coisas que eram utopias ou meros devaneios, passam a ser requisitos fundamentais numa nova etapa da vida.
Lembro minha adolescência e juventude, quando um par de olhos claros me chamava a atenção. Os requisitos básicos para merecer uma paquera era ter corpo perfeito, seios durinhos, bundinha empinadinha, cintura fina, coxas grossas e torneadas, aliados à um rosto angelical, boca carnuda e sorriso encantador.
Já naquela época eu via mulheres lindas com homens nem tão lindos (e vice-versa), como se não as merecessem, e ficava imaginando o que levava tão bela criatura a estar com um ser tão abaixo de sua beleza.
Maldosamente me vinha respostas na mente como dinheiro, sexo, posição social, carro, etc. Mas essas “bobeiras” não me atraiam. Atraia, sim, um rosto lindo e um corpo perfeito. Não me via com alguém que não fosse assim.
E assim seguiu-se os anos. Tive mulheres maravilhosamente lindas, cujos corpos pareciam ter sido esculpidos à mão por um inspirado artista, além de rostos desenhados pelos deuses.
Fui muito feliz com elas. Elas me fizeram muito bem e estão guardadas carinhosamente em minhas recordações, fazendo parte de minha vida, cada uma à sua maneira.
Mas, talvez, o que eu não tenha percebido naquela época, é que elas me fizeram bem e feliz não pelos corpos e rostos, mas pelo interior que possuíam. Pela maneira como me tratavam, como me amavam, como cuidavam de mim.
Deram todo carinho, compreensão, paciência, amizade, cuidados, atenção, bronca, ajuda e, principalmente amor. Amei e fui muito amado.
Hoje, voltando no tempo e relembrando os vários momentos que passei com essas pessoas, falha-me a memória quando tento reconstituir seus rostos e corpos. Não lembro mais como era a boca, o sorriso, os olhos, os seios, o corpo todo.
Mas a recordação é extremamente nítida quando vejo as ações, as palavras, os atos delas comigo. Recordo-me de momentos deliciosos, de situações, de passagens. As conversas, os abraços, o calor dos corpos, as palavras de apoio ou de amor. Até as brigas, que me faziam pensar e mudar a atitude em relação a muitas coisas.
Curioso notar, hoje, que me aproximei de pessoas lindas externamente, mas me apaixonei pelo interior delas. Tenho certeza que se tivessem apenas a beleza corpórea, muitos relacionamentos não teriam durado tanto quanto durou.
Foram pessoas que tinham (e ainda devem ter) uma beleza infinita interna, a despeito da beleza exterior, que com o tempo se vai ou, às vezes, sai com água e sabão.
Hoje entendo aquelas pessoas que eu via e pareciam não combinar, ante a disparidade de beleza. E vejo que a razão não era classe social, dinheiro ou sexo. Era uma beleza interior que só enxerga quem olhos preparados para ver além do que lhe é mostrado.
Talvez isso explique muitos casamentos que acabam quando a beleza de um, de outro ou dos dois, acaba. É a famosa embalagem bonita que adquirimos, mas ao abri-la, perde sua função, qual seja, apenas adornar um produto. Esse sim, o produto que está dentro da embalagem, é que deve nos agradar, senão tomará o mesmo destino da embalagem.
Há tempos, assisti um filme de um cara que só se preocupava com beleza exterior. Ele foi hipnotizado de forma a “ver” a beleza interior das pessoas e se apaixonou por uma gorda imensa. Ele a via como a mulher mais linda do mundo, com formas perfeitas e rosto maravilhoso. Os amigos, que não estavam hipnotizados, viam a mulher tal qual ela era: uma baleia. Ao final, quando ele sai do estado hipnótico, demora um pouco para aceitar a situação (justo ele que sempre se preocupou com beleza), mas descobre-se perdidamente apaixonado pelo que “ela era” e não “como ela era”. E, como todo filme hollywoodiano, viveram felizes para sempre.
Vi o Neto naquele filme. Aquele panaca, idiota, ridículo, era eu! Via atributos efêmeros e cegava-me diante de interiores fascinantemente belos.
Não estou aqui reclamando de ninguém em especial. Pelo contrário. Se meus relacionamentos duraram foi porque estava com pessoas lindas externa e, principalmente, internamente.
Vejo hoje que uma mulher linda serve pra agradar amigos e conhecidos. Claro, é agradável estarmos com alguém linda. Mas a experiência me leva a querer uma pessoa linda internamente. Que se dane meus amigos e colegas. Que a achem feia demais pra mim, mesmo eu não sendo um deus grego.
Eu quero que ela me faça bem, que me dê paz, que puxe minha orelha, que me dê bronca, que ria das minhas piadas (a maioria, infames), que seja inteligente, amiga, companheira, amante, parceira, sócia, mãe, irmã, colega, cúmplice, comparsa. Que participe da minha vida tanto quanto eu vou participar da vida dela. Que me ame incondicionalmente tanto quanto eu vou amá-la da mesma forma.
E dane-se sua aparência externa, pois a beleza interior tende a aumentar com o passar dos anos ao contrário da exterior. E é isso que quero: uma pessoa cada dia mais linda internamente e mais desejada por mim!
E a beleza interna está associada, única e exclusivamente à inteligência. Não pode ser bela uma mulher burra, mas uma burra pode ser bela, sim senhor!
Então, parafraseando o ‘poetinha’ que uma vez pregou: “as feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”, tomo a liberdade de adaptar sua frase ao meu momento: “as burras que me desculpem, mas inteligência é fundamental!”.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
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Realmente... me surpreendeu!! Beijos!!
ResponderExcluirParabéns pelo texto!!! Realmente muito lindo!!!
ResponderExcluirDesejo de coração que você encontre uma "MULHER" que te complete. Que seja seu braço "direito" sempre!!!