"... não me leve à mal, hoje é carnaval..."
Carnaval chegando... E com ele, milhares de lembranças me vêem à cabeça...
Principalmente os inesquecíveis carnavais de salão do Itapeva Clube, dos anos 80, quando montávamos blocos com mais de 80 pessoas. Nosso bloco era tradicional na cidade. Chamava-se S.E.D.A.M. (leia-se Sedam), abreviação para “Sociedade Etílica e Desportiva Andorinhas do Mé”. Explicação pro nome? É que uma andorinha apenas não faz verão, assim como uma cerveja só não faz a festa.
Para entrar no nosso bloco era simples. Bastava pagar uma taxa (no valor da camiseta) e mais uma caixa de cerveja. Simples, né? Detalhe que mesmo com 80 pessoas, sendo metade mulheres, na segunda-feira de carnaval tínhamos que comprar mais 80 caixas de cerveja.
Nosso carnaval começava no sábado a tarde, no tradicional jogo de futebol contra a equipe da Maringá (fábrica de cimento de Itapeva). O detalhe do jogo era que to
dos iam vestidos de mulher (tenho fotos, um dia eu posto). Ah... outro detalhe: havia várias caixas de cervejas espalhadas pelo campo de futebol. Ou seja: um pique e uma parada pra beber. A bola? Ninguém se preocupava com ela. Quando saia gol, era uma viadagem louca. As comemorações eram as mais engraçadas. Acreditem: ia gente da cidade inteira assistir o jogo e dar risadas. Logo se vê que futebol mesmo não tinha, né? Era mais uma desculpa pra beber. 
A noite começava o carnaval de Salão do Itapeva Clube. Nos reuníamos na “concentração” no começo da noite. Geralmente era algum galpão alugado. Ficávamos bebendo até as 23h30, quando todos, em bloco, seguiam para o sal
ão do Itapeva Clube.
O Marcão Pateta tinha uma caminhote com a caçamba fechada e colocávamos uma caixa gigante de isopor na carroceria, cheia de cerveja e ela era estacionada próximo ao Clube... Entravamos no salão, dançávamos, brincávamos e, bastava um se dirigir pra caminhonete e lá ia o bloco inteiro, beber na frente do Clube.
Isso ia até as 4 da manhã, quando terminava o “baile”. Daí, seguíamos à Padaria do Tio Toninho, aguardando que abrisse pra tomar um café da manhã com pãozinho feito na hora.
Depois do café, íamos para a entrada da piscina do Itapeva Clube e ficávamos esperando até as 8 da manhã, para nadar e curar a ressaca. Ficávamos até o meio dia, quando todo mundo ia pra casa almoçar.
O descanso era até as 15:00 horas, pois tínhamos que estar na frente do Clube para a matiné das crianças. Claro que não deixavam a gente entrar no clube, mas como a caminhonete do Marcão já estava estacionada lá na frente e a caixa de isopor “abastecida”, ficávamos dançando na rua, ouvindo o som das marchinhas que a banda tocava no salão.
Essa matiné na rua durava até as 18h00. Era quando íamos pra casa tomar banho e jantar, pois as 19:00 devíamos estar na concentração, pois ia começar tudo de novo: salão, caminhonete, padaria, piscina, matiné, etc. Quem se atrasasse iria ficar algumas caixas de cerveja atrasado e isso, eu garanto, ninguém queria.
Isso ia até quarta-feira de cinzas... que ao nosso ver, deveria se chamar Quarta-Feira-de-Pó, pois o povo todo ficava um bagaço após os 4 dias de folia.
Mas foram carnavais inesquecíveis. Pela turma. Pela amizade. Pelas brincadeiras de salão. Pela não violência e sexualidade explícita que existe nos carnavais de hoje. E, principalmente, pelas inúmeras bebedeiras homéricas, com visitas noturnas ao Pronto Socorro da Santa Casa, levando amigos bêbados para tomar glicose.
Aliás, por conta disso, criamos as “Estrelas”. Cada um que tomava glicose, ganhava uma “Estrela”. E acreditem: isso era demérito, pois os bêbados profissionais não tinham estrelas. Apenas os bêbados amadores.
E eu nunca ganhei estrela. Até hoje...
Bom... eu ia escrever sobre um fato engraçado que aconteceu num carnaval em especial. E acabei relembrando vários carnavais em um único post. Mas vamos à esse “carnaval em especial”, que foi quando me fantasiei de bailarina....
Carnaval chegando... E com ele, milhares de lembranças me vêem à cabeça...
Principalmente os inesquecíveis carnavais de salão do Itapeva Clube, dos anos 80, quando montávamos blocos com mais de 80 pessoas. Nosso bloco era tradicional na cidade. Chamava-se S.E.D.A.M. (leia-se Sedam), abreviação para “Sociedade Etílica e Desportiva Andorinhas do Mé”. Explicação pro nome? É que uma andorinha apenas não faz verão, assim como uma cerveja só não faz a festa.
Para entrar no nosso bloco era simples. Bastava pagar uma taxa (no valor da camiseta) e mais uma caixa de cerveja. Simples, né? Detalhe que mesmo com 80 pessoas, sendo metade mulheres, na segunda-feira de carnaval tínhamos que comprar mais 80 caixas de cerveja.
Nosso carnaval começava no sábado a tarde, no tradicional jogo de futebol contra a equipe da Maringá (fábrica de cimento de Itapeva). O detalhe do jogo era que to


A noite começava o carnaval de Salão do Itapeva Clube. Nos reuníamos na “concentração” no começo da noite. Geralmente era algum galpão alugado. Ficávamos bebendo até as 23h30, quando todos, em bloco, seguiam para o sal

O Marcão Pateta tinha uma caminhote com a caçamba fechada e colocávamos uma caixa gigante de isopor na carroceria, cheia de cerveja e ela era estacionada próximo ao Clube... Entravamos no salão, dançávamos, brincávamos e, bastava um se dirigir pra caminhonete e lá ia o bloco inteiro, beber na frente do Clube.
Isso ia até as 4 da manhã, quando terminava o “baile”. Daí, seguíamos à Padaria do Tio Toninho, aguardando que abrisse pra tomar um café da manhã com pãozinho feito na hora.
Depois do café, íamos para a entrada da piscina do Itapeva Clube e ficávamos esperando até as 8 da manhã, para nadar e curar a ressaca. Ficávamos até o meio dia, quando todo mundo ia pra casa almoçar.
O descanso era até as 15:00 horas, pois tínhamos que estar na frente do Clube para a matiné das crianças. Claro que não deixavam a gente entrar no clube, mas como a caminhonete do Marcão já estava estacionada lá na frente e a caixa de isopor “abastecida”, ficávamos dançando na rua, ouvindo o som das marchinhas que a banda tocava no salão.
Essa matiné na rua durava até as 18h00. Era quando íamos pra casa tomar banho e jantar, pois as 19:00 devíamos estar na concentração, pois ia começar tudo de novo: salão, caminhonete, padaria, piscina, matiné, etc. Quem se atrasasse iria ficar algumas caixas de cerveja atrasado e isso, eu garanto, ninguém queria.
Isso ia até quarta-feira de cinzas... que ao nosso ver, deveria se chamar Quarta-Feira-de-Pó, pois o povo todo ficava um bagaço após os 4 dias de folia.
Mas foram carnavais inesquecíveis. Pela turma. Pela amizade. Pelas brincadeiras de salão. Pela não violência e sexualidade explícita que existe nos carnavais de hoje. E, principalmente, pelas inúmeras bebedeiras homéricas, com visitas noturnas ao Pronto Socorro da Santa Casa, levando amigos bêbados para tomar glicose.
Aliás, por conta disso, criamos as “Estrelas”. Cada um que tomava glicose, ganhava uma “Estrela”. E acreditem: isso era demérito, pois os bêbados profissionais não tinham estrelas. Apenas os bêbados amadores.
E eu nunca ganhei estrela. Até hoje...
Bom... eu ia escrever sobre um fato engraçado que aconteceu num carnaval em especial. E acabei relembrando vários carnavais em um único post. Mas vamos à esse “carnaval em especial”, que foi quando me fantasiei de bailarina....
Essa historia eu ainda não conhecia...rs
ResponderExcluirmtoo legal..rs
bjuu
Mais legal ainda Gabriela, foi participar dessa história ! É claro que vou demorar alguns anos para mostras estas fotos para meus filhos....até que eles tenham idade suficiente para entender e não para ficarem assustados com o Papai !! rsrsrs.
ResponderExcluirViver e não ter a vergonha de ser feliz....
Maninho, passei aqui para ler (relembrar) suas (nossas) histórias e lembrei desses carnavais. Me orgulho em dizer que também não sou "estrelado".
ResponderExcluirMas lembrei do 1º ano do SEDAM e de uma pequena passagem, na reunião na minha casa: saí uns minutinhos para atender um telefone, e quando voltei uma gritaria louca. Algum espertinho resolveu brincar com o meu cachorro (Atlas) e ele não era muito sociável. Resumo da ópera: vários malucos presos dentro do canil, outros em cima do muro ou já do outro lado e o Demétrio (D.P.) agarrado num caibro do telhado, com o cachorro embaixo, aguardando a queda ou que ele descesse.