quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Lembranças... (30)

"Foi num carnaval que passou..."


Eu tinha 17 anos e... era carnaval.

No carnaval do ano anterior, eu e meus amigos tínhamos ido de “Empregadas Malucas”. Pintamo-nos com tinta preta, vestimos roupas de nossas mães e demos um show à parte no Salão. No concurso de fantasia ficamos em segundo lugar. Sem mágoas, gente, mas o primeiro lugar ficou prá fantasia do vice-presidente do Itapeva Clube, onde era realizado o baile de carnaval. Curioso, né?

Mas bem... esse carnaval, em especial, foi no ano de 1985. Estávamos eu, Norberto, Marcelo Zacharias e Dimas (Demétrio). Tarde do sábado de carnaval... a gente bebendo cerveja e bolando alguma fantasia pra ir à noite.

O Marcelo Zacharias era o campeão das idéias. Só que eu sempre me ferrava nas suas idéias malucas de fantasias. Basta dizer que na noite seguinte ele arrumou um vestido de noiva, com véu e grinalda.. e adivinhem quem foi a “noiva”???? Pois é... eu...

Mas nesse sábado, ele teve a (infeliz) idéia que deveríamos ir de bailarina. E na hora ligou pra sua irmã que se prontificou de fazer nossas “saias” de papel crepom (não sei se é assim que se escreve).

A idéia era a seguinte: emprestaríamos um “colant” de nossas mães, usaríamos a saia de papel crepom que sua irmã iria fazer, colocaríamos um meião de futebol e um tênis ki-chute (lembram daquele tênis preto que parecia chuteira de futebol?). Essa era a fantasia. Claro que ainda teria a maquiagem.

Compramos o papel crepom e levamos prá irmã do Marcelo que ia costurar nossas saias. Por determinação do Marcelo, deveríamos ir às nossas casas e pegar o “colant” de nossas mães para experimentar a fantasia. Lá fomos buscar o “colant” em nossas casas.

Fomos? Não. Só eu fui, pois o Marcelo combinou com o Norberto e o Dimas para não irem. Ao invés disso, ficaram na casa dele bebendo cerveja, enquanto a cobaia aqui desceu até em casa e pegou um “colant”, sem que minha mãe visse, é claro.

De volta à casa do Marcelo, a primeira saia já estava pronta. Bem costurada pela sua irmã, decidimos experimentar. Sugeri tirar no par ou impar, mas fui alertado que somente eu tinha um “colant” naquele momento. Na hora saquei que me fizeram de besta. Mas o pior ainda viria... acreditem!

A saia feita pela irmã do Marcelo era minúscula e ficava praticamente na horizontal, ou seja, totalmente reta. Não cobria nada. Eu tinha levado o “colant” mas nem me toquei de levar um shorts. O jeito foi vestir o “colant” de mamãe, sem shorts mesmo.

Pra quem não me conhece e não conhece minha mãe, vai aqui uma breve apresentação: eu tenho 1,90m e mamãe, 1,67m. Ou seja, o “colant” entrou, vestiu, mas se eu esticasse o corpo, ganhava um belo maiô fio-dental que a saia, totalmente reta, não escondia em nada...

Quando coloquei o “colant” e a saia, meus “amigos” riram muito. A irmã do Marcelo até parou de costurar as outras saias para rir. Devo admitir que ficou muito engraçado mesmo. Entrei na brincadeira e dei uns rodopios e pulos, sempre puxando a parte de trás do “colant” pra baixo, pois o tal do fio-dental incomoda prá burro.

Como estávamos no porão da casa do Marcelo, ele sugeriu subíssemos pra mostrar a fantasia para sua madrasta que estava na sala, supostamente, vendo TV.

Mariliza, a madrasta do Marcelo, sempre foi uma pessoa jovem de espírito e sempre dávamos boas gargalhadas com ela, que nos fazia sentir em casa, tamanha simpatia.

Não vi nada demais, afinal eu (e todos) adorava a Mariliza, que era como uma amiga mais velha da turma.

Subimos e paramos em frente da porta da sala que estava fechada. O Marcelo sugeriu que eu viesse correndo enquanto ele abria a porta e eu desse um salto para dentro da sala, onde estava a Mariliza. Concordei, afinal já estava na “chuva” mesmo...

Preparei-me. Respirei. Bolei um salto incrível. E saí em disparada, enquanto o Marcelo abria a porta...

Ele abriu e eu pulei. Dei um salto incrível. Me senti um bailarino da Companhia Russa de Balet. Um verdadeiro Michael Barichinicov.

Com o impulso que dei, somado à esticada de pernas (que não são curtas) e as mãos em formato de coração acima da cabeça, consegui pousar no centro da sala, onde estava a Mariliza. O que o Marcelo não me contou é que aquele era o dia do chá das Mulheres do Rotary Club de Itapeva.

Olhei à minha volta e vi umas 30 senhoras olhando com os olhos esbugalhados para mim. Pobre Neto. No centro da sala, vestido com uma minúscula saia rosa de papel crepom e um “colant” totalmente atolado na bunda. Pra completar a desgraça, o “colant” apertado de mamãe resolveu subir de vez e separou meus testículos, fazendo-os sair, um pra cada lado do maiô.

Ouvi alguns engasgos, uns tossidos e, lá fora da sala, muitas risadas. Gargalhadas mesmo. Era o Marcelo, Dimas e Norberto, que rolavam no chão de tanto rir.

Fiquei paralisado na ponta dos pés, com os braços levantados e totalmente sem ação, até que uma das senhoras gritou algo do tipo “Meu Deus, que é isso?”. Com um sorriso amarelo, pedi desculpas, abaixei a saia tentando esconder minha a frente e o verso (não tampou nada!!!) e me encaminhei em direção da porta, querendo matar o Marcelo.

Em tempo: como lição do vexatório teste vespertino, todos colocaram um estratégico shorts por cima do “colant”, para evitar algum tipo de constrangimento no salão.

Ao entrar no salão do Itapeva Clube, onde a banda já tocava as tradicionais marchinhas de carnaval, dei de cara com um senhor de bigode, meio careca e conhecido pelo seu estilo ultra-conservador: meu pai.

Tentei me esconder dele, mas o Norberto foi mais rápido e tascou um super-beijo na sua careca, fazendo-o virar-se para mim e me encarar com um olhar de reprovação.

O carnaval dele acabou naquela hora. Eu ainda fiquei até as 4 da manhã brigando com aquele “colant” que teimava em, hora virar fio-dental a cada passo dado, hora virar divisor de testículos...

2 comentários:

  1. Mil anos podem passar, eu posso, ouvir, ler vc contando essa historia...que rio mtoo sempre...huahauaa

    bjuuuu
    Gabi

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  2. UAHSUHSUAHSUHUAHSUHAUSHUAHS
    ri alto akiii
    Você deveria mesmo escrever um livro com suas lembranças.
    seria um sucesso.
    Adoro vcc

    Beijos

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