sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pílulas... (11)

TEORIA DO BÚFALO

Quando uma manada de búfalos é caçada, só os búfalos mais fracos e lentos, em geral doentes, que estão atrás do rebanho, são mortos primeiro. Essa seleção natural é boa para a manada como um todo, porque aumenta a velocidade média e a saúde de todo o rebanho, pela matança regular dos seus membros mais fracos.

De forma parecida opera o cérebro humano: beber álcool em excesso, como nós sabemos, mata neurônios, mas, naturalmente, ele ataca os neurônios mais fracos e lentos primeiro.

Neste caso, o consumo regular de cerveja, cachaça, whisky, vinho, rum, vodka, elimina os neurônios mais lentos, tornando seu cérebro uma máquina mais rápida e eficiente.

E mais: 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de álcool. Isto significa que os outros 77% dos acidentes são causados pelos filhos da puta que bebem água, suco, refrigerante ou outras porcarias!

Colabore!

JÁ PRO BUTECO!!!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Lembranças... (31)






"... não me leve à mal, hoje é carnaval..."

Carnaval chegando... E com ele, milhares de lembranças me vêem à cabeça...

Principalmente os inesquecíveis carnavais de salão do Itapeva Clube, dos anos 80, quando montávamos blocos com mais de 80 pessoas. Nosso bloco era tradicional na cidade. Chamava-se S.E.D.A.M. (leia-se Sedam), abreviação para “Sociedade Etílica e Desportiva Andorinhas do Mé”. Explicação pro nome? É que uma andorinha apenas não faz verão, assim como uma cerveja só não faz a festa.

Para entrar no nosso bloco era simples. Bastava pagar uma taxa (no valor da camiseta) e mais uma caixa de cerveja. Simples, né? Detalhe que mesmo com 80 pessoas, sendo metade mulheres, na segunda-feira de carnaval tínhamos que comprar mais 80 caixas de cerveja.

Nosso carnaval começava no sábado a tarde, no tradicional jogo de futebol contra a equipe da Maringá (fábrica de cimento de Itapeva). O detalhe do jogo era que todos iam vestidos de mulher (tenho fotos, um dia eu posto). Ah... outro detalhe: havia várias caixas de cervejas espalhadas pelo campo de futebol. Ou seja: um pique e uma parada pra beber. A bola? Ninguém se preocupava com ela. Quando saia gol, era uma viadagem louca. As comemorações eram as mais engraçadas. Acreditem: ia gente da cidade inteira assistir o jogo e dar risadas. Logo se vê que futebol mesmo não tinha, né? Era mais uma desculpa pra beber.

A noite começava o carnaval de Salão do Itapeva Clube. Nos reuníamos na “concentração” no começo da noite. Geralmente era algum galpão alugado. Ficávamos bebendo até as 23h30, quando todos, em bloco, seguiam para o salão do Itapeva Clube.

O Marcão Pateta tinha uma caminhote com a caçamba fechada e colocávamos uma caixa gigante de isopor na carroceria, cheia de cerveja e ela era estacionada próximo ao Clube... Entravamos no salão, dançávamos, brincávamos e, bastava um se dirigir pra caminhonete e lá ia o bloco inteiro, beber na frente do Clube.

Isso ia até as 4 da manhã, quando terminava o “baile”. Daí, seguíamos à Padaria do Tio Toninho, aguardando que abrisse pra tomar um café da manhã com pãozinho feito na hora.

Depois do café, íamos para a entrada da piscina do Itapeva Clube e ficávamos esperando até as 8 da manhã, para nadar e curar a ressaca. Ficávamos até o meio dia, quando todo mundo ia pra casa almoçar.

O descanso era até as 15:00 horas, pois tínhamos que estar na frente do Clube para a matiné das crianças. Claro que não deixavam a gente entrar no clube, mas como a caminhonete do Marcão já estava estacionada lá na frente e a caixa de isopor “abastecida”, ficávamos dançando na rua, ouvindo o som das marchinhas que a banda tocava no salão.

Essa matiné na rua durava até as 18h00. Era quando íamos pra casa tomar banho e jantar, pois as 19:00 devíamos estar na concentração, pois ia começar tudo de novo: salão, caminhonete, padaria, piscina, matiné, etc. Quem se atrasasse iria ficar algumas caixas de cerveja atrasado e isso, eu garanto, ninguém queria.

Isso ia até quarta-feira de cinzas... que ao nosso ver, deveria se chamar Quarta-Feira-de-Pó, pois o povo todo ficava um bagaço após os 4 dias de folia.

Mas foram carnavais inesquecíveis. Pela turma. Pela amizade. Pelas brincadeiras de salão. Pela não violência e sexualidade explícita que existe nos carnavais de hoje. E, principalmente, pelas inúmeras bebedeiras homéricas, com visitas noturnas ao Pronto Socorro da Santa Casa, levando amigos bêbados para tomar glicose.

Aliás, por conta disso, criamos as “Estrelas”. Cada um que tomava glicose, ganhava uma “Estrela”. E acreditem: isso era demérito, pois os bêbados profissionais não tinham estrelas. Apenas os bêbados amadores.

E eu nunca ganhei estrela. Até hoje...

Bom... eu ia escrever sobre um fato engraçado que aconteceu num carnaval em especial. E acabei relembrando vários carnavais em um único post. Mas vamos à esse “carnaval em especial”, que foi quando me fantasiei de bailarina....

Lembranças... (30)

"Foi num carnaval que passou..."


Eu tinha 17 anos e... era carnaval.

No carnaval do ano anterior, eu e meus amigos tínhamos ido de “Empregadas Malucas”. Pintamo-nos com tinta preta, vestimos roupas de nossas mães e demos um show à parte no Salão. No concurso de fantasia ficamos em segundo lugar. Sem mágoas, gente, mas o primeiro lugar ficou prá fantasia do vice-presidente do Itapeva Clube, onde era realizado o baile de carnaval. Curioso, né?

Mas bem... esse carnaval, em especial, foi no ano de 1985. Estávamos eu, Norberto, Marcelo Zacharias e Dimas (Demétrio). Tarde do sábado de carnaval... a gente bebendo cerveja e bolando alguma fantasia pra ir à noite.

O Marcelo Zacharias era o campeão das idéias. Só que eu sempre me ferrava nas suas idéias malucas de fantasias. Basta dizer que na noite seguinte ele arrumou um vestido de noiva, com véu e grinalda.. e adivinhem quem foi a “noiva”???? Pois é... eu...

Mas nesse sábado, ele teve a (infeliz) idéia que deveríamos ir de bailarina. E na hora ligou pra sua irmã que se prontificou de fazer nossas “saias” de papel crepom (não sei se é assim que se escreve).

A idéia era a seguinte: emprestaríamos um “colant” de nossas mães, usaríamos a saia de papel crepom que sua irmã iria fazer, colocaríamos um meião de futebol e um tênis ki-chute (lembram daquele tênis preto que parecia chuteira de futebol?). Essa era a fantasia. Claro que ainda teria a maquiagem.

Compramos o papel crepom e levamos prá irmã do Marcelo que ia costurar nossas saias. Por determinação do Marcelo, deveríamos ir às nossas casas e pegar o “colant” de nossas mães para experimentar a fantasia. Lá fomos buscar o “colant” em nossas casas.

Fomos? Não. Só eu fui, pois o Marcelo combinou com o Norberto e o Dimas para não irem. Ao invés disso, ficaram na casa dele bebendo cerveja, enquanto a cobaia aqui desceu até em casa e pegou um “colant”, sem que minha mãe visse, é claro.

De volta à casa do Marcelo, a primeira saia já estava pronta. Bem costurada pela sua irmã, decidimos experimentar. Sugeri tirar no par ou impar, mas fui alertado que somente eu tinha um “colant” naquele momento. Na hora saquei que me fizeram de besta. Mas o pior ainda viria... acreditem!

A saia feita pela irmã do Marcelo era minúscula e ficava praticamente na horizontal, ou seja, totalmente reta. Não cobria nada. Eu tinha levado o “colant” mas nem me toquei de levar um shorts. O jeito foi vestir o “colant” de mamãe, sem shorts mesmo.

Pra quem não me conhece e não conhece minha mãe, vai aqui uma breve apresentação: eu tenho 1,90m e mamãe, 1,67m. Ou seja, o “colant” entrou, vestiu, mas se eu esticasse o corpo, ganhava um belo maiô fio-dental que a saia, totalmente reta, não escondia em nada...

Quando coloquei o “colant” e a saia, meus “amigos” riram muito. A irmã do Marcelo até parou de costurar as outras saias para rir. Devo admitir que ficou muito engraçado mesmo. Entrei na brincadeira e dei uns rodopios e pulos, sempre puxando a parte de trás do “colant” pra baixo, pois o tal do fio-dental incomoda prá burro.

Como estávamos no porão da casa do Marcelo, ele sugeriu subíssemos pra mostrar a fantasia para sua madrasta que estava na sala, supostamente, vendo TV.

Mariliza, a madrasta do Marcelo, sempre foi uma pessoa jovem de espírito e sempre dávamos boas gargalhadas com ela, que nos fazia sentir em casa, tamanha simpatia.

Não vi nada demais, afinal eu (e todos) adorava a Mariliza, que era como uma amiga mais velha da turma.

Subimos e paramos em frente da porta da sala que estava fechada. O Marcelo sugeriu que eu viesse correndo enquanto ele abria a porta e eu desse um salto para dentro da sala, onde estava a Mariliza. Concordei, afinal já estava na “chuva” mesmo...

Preparei-me. Respirei. Bolei um salto incrível. E saí em disparada, enquanto o Marcelo abria a porta...

Ele abriu e eu pulei. Dei um salto incrível. Me senti um bailarino da Companhia Russa de Balet. Um verdadeiro Michael Barichinicov.

Com o impulso que dei, somado à esticada de pernas (que não são curtas) e as mãos em formato de coração acima da cabeça, consegui pousar no centro da sala, onde estava a Mariliza. O que o Marcelo não me contou é que aquele era o dia do chá das Mulheres do Rotary Club de Itapeva.

Olhei à minha volta e vi umas 30 senhoras olhando com os olhos esbugalhados para mim. Pobre Neto. No centro da sala, vestido com uma minúscula saia rosa de papel crepom e um “colant” totalmente atolado na bunda. Pra completar a desgraça, o “colant” apertado de mamãe resolveu subir de vez e separou meus testículos, fazendo-os sair, um pra cada lado do maiô.

Ouvi alguns engasgos, uns tossidos e, lá fora da sala, muitas risadas. Gargalhadas mesmo. Era o Marcelo, Dimas e Norberto, que rolavam no chão de tanto rir.

Fiquei paralisado na ponta dos pés, com os braços levantados e totalmente sem ação, até que uma das senhoras gritou algo do tipo “Meu Deus, que é isso?”. Com um sorriso amarelo, pedi desculpas, abaixei a saia tentando esconder minha a frente e o verso (não tampou nada!!!) e me encaminhei em direção da porta, querendo matar o Marcelo.

Em tempo: como lição do vexatório teste vespertino, todos colocaram um estratégico shorts por cima do “colant”, para evitar algum tipo de constrangimento no salão.

Ao entrar no salão do Itapeva Clube, onde a banda já tocava as tradicionais marchinhas de carnaval, dei de cara com um senhor de bigode, meio careca e conhecido pelo seu estilo ultra-conservador: meu pai.

Tentei me esconder dele, mas o Norberto foi mais rápido e tascou um super-beijo na sua careca, fazendo-o virar-se para mim e me encarar com um olhar de reprovação.

O carnaval dele acabou naquela hora. Eu ainda fiquei até as 4 da manhã brigando com aquele “colant” que teimava em, hora virar fio-dental a cada passo dado, hora virar divisor de testículos...