quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pensando... (22)

Esses dias li num jornal de Itapeva um texto de um articulista (professor da Faculdade de Direito de nossa cidade e Delegado de Polícia), que a avenida de entrada da cidade está cheia de travestis se prostituindo e por conta dessa quantidade (e local, haja visto ser a porta de entrada da cidade), Itapeva deveria ser chamada de Capital dos Travestis.
Me indignei contra esse texto e fiz esse artigo, que ainda não sei se enviarei ao mesmo jornal.


Capital dos Minérios ou Capital do Povo Honesto?


Talvez minha maior frustação seja o fato de não ter nascido em Itapeva, pois, em razão de minha mãe ser professora (hoje aposentada), nasci na cidade de São Paulo, mais precisamente, no Hospital do Servidor Público.

O que era motivo de orgulho na infância e adolescência (ser paulistano), com o passar dos anos tornou-se uma decepção. Nada contra a cidade de São Paulo. Mas meu coração é itapevense!

Graduei em duas faculdades fora de Itapeva, morei em outras cidades, viajei bastante, mas sempre retornei aos braços de minha querida Itapeva. A cidade que me adotou e que eu a adotei.

Sempre fiquei indignado ao escutar reclamações de falta de opção, de lazer, de empregos, de faculdades, etc. Pra essas pessoas dizia: “Não reclame, trabalhe. Faça algo”. Senão, apontava a direção da rodoviária ou do Pilão D´Água e dizia “vá com Deus, você não merece Itapeva”.

Admiro o povo que aqui mora, trabalha e não reclama. Que faz sua parte na dura tarefa de transformar esta em uma cidade melhor para si e para seus filhos.

Admiro mais! Admiro os “forasteiros” que aqui fixaram residência e hoje ganham seu pão, graças à Itapeva.

Mas não aceito quando alguém diminui, agride ou fala mal de minha querida Itapeva. Não aceito, seja ele nascido aqui ou um simples forasteiro, que está de passagem até ser transferido.

Por isso escrevo ao nobre articulista deste jornal, que dias atrás alcunhou Itapeva como a “Capital dos Travestis”: não concordo com sua posição. Mais ainda. Digo que o mesmo deve desculpas à essa cidade e seu povo que tão bem o acolheu, pois se hoje ele possui patrimônio, foi graças ao seu suor e à Itapeva.

Senão vejamos: se por causa de “meia dúzia” de travestis que perambulam na entrada principal da cidade, devemos taxar Itapeva como “Capital dos Travestis”, porque não deveríamos taxá-la de “Capital dos Bandidos”, em razão da superlotação de nossa cadeia?

Porque não taxá-la de “Capital dos Pobres”, em razão das várias favelas existentes em nossa cidade? Porque não taxá-la de “Capital dos Cachorros”, pela quantidade desses animais soltos pelas ruas? Porque não taxá-la de Capital dos Buracos... Capital das Ruas sem Asfalto... Capital do Congestionamento... Capital da Falta de Vagas para Estacionamento... e por ai vai...

Não! Isso é olhar apenas para um lado de um todo.

Itapeva tem sim seus problemas, como qualquer cidade. Que fique bem claro que não estou colocando os travestis como um problema (Hoje temos que ser politicamente corretos). Eles são apenas mais uma realidade de nossa cidade, como as que enumerei acima.

Mas Itapeva tem mais. Muito mais! Itapeva tem gente bonita. Itapeva tem gente honesta. Itapeva tem gente trabalhadora. Itapeva tem história. Itapeva tem mais de duzentos anos de vida.

Afinal, o que Itapeva tem mais: travestis ou trabalhadores? Travestis ou pessoas honestas? Travestis ou gente bonita? Travestis ou gente educada? Logo, somos a “Capital dos Trabalhadores”, da “Honestidade”, da “Beleza”, do “Povo Educado”. MAS NUNCA DOS TRAVESTIS.

Já basta duas cidades do Brasil terem a alcunha desse gênero, não precisamos de uma terceira por conta de meia dúzia deles somados à um articulista que, olhando apenas para entrada da cidade, não vê a beleza estendida nos outros cantos do município, onde temos trabalho, beleza, honestidade e educação, entre outros.

Para cada travesti que me apresentarem na cidade eu lhe apresentarei mil trabalhadores, mil pessoas bonitas, mil pessoas educadas e mil pessoas honestas. E então? Somos capital de quê?

Desculpe, nobre articulista. Tenho enorme apreço pelo senhor e admiro muito seu trabalho em pról de nossa cidade. Respeito sua opinião e entendo que queria mostrar o problema que assola “minha” cidade, com o aumento desenfreado de travestis e sua maneira de ganhar a vida.

Mas acho que exagerou na dose do remédio, transformando-o em veneno. E um veneno que não aceito tomar, pois sou itapevense de coração e tenho a plena certeza que moro na Capital dos Minérios, mas que também poderia ser conhecida como Capital da Honestidade ou Capital dos Trabalhadores ou Capital da Beleza ou ainda Capital da Educação.

Sinceramente, Itapeva não merecia isso de um filho (adotivo) seu...

2 comentários:

  1. Concordo em número, gênero e grau...com a sua opinião e texto...adoraria ver uma coluna sua no jornal..rs..
    acredito que quem escreveu falando mal de Itapeva...está bem acostumado a tratar tudo como um problema...e nao teria a capacidade de ver as inumeras coisas boas que Itapeva oferece, inclusive os varios empregos que ele mesmo tem aqui.
    Mas enfim cada um tem a opinião que quer....
    com vc aprendi a ver o lado bom das coisas, o copo meio cheio sempre...
    entao...pra que ver os problemas? pra qe aumenta-los? pra que generalizar que tudo está ruim....

    Parabéns pelo texto...adorei mesmo!!

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